Fundação ParáPaz promove debates sobre violência contra a mulher e a Lei Maria da Penha

Programação no ambiente digital vai trazer à tona tema que ganhou destaque em tempos de pandemia

06/08/2020 18h58 - Atualizada em 06/08/2020 21h15
Por Carol Menezes (SECOM)

O aniversário de 14 anos da lei federal Maria da Penha, criada para estipular punição adequada e coibir atos de violência doméstica contra mulheres, é o ponto de partida da programação Agosto Lilás, que a Fundação ParáPaz promove até o fim deste mês. De maneira remota, ou seja, via internet, serão promovidas rodas de conversa e lives sobre os aspectos dessa violência, os efeitos e o que fazer. No dia 26, uma blitz informativa estará em pontos estratégicos de Belém e Ananindeua, na região metropolitana, distribuindo panfletos e fitas na cor-símbolo da campanha que visa conscientizar e educar a população para o fato de que nenhum tipo de crime contra o gênero pode ser normalizado.

"Todo cidadão tem um papel na proteção das mulheres", diz a presidente da ParáPaz, Jamille Saraty Graim. Ela explica que, embora o desejo fosse de uma programação presencial, foi preciso adaptar tudo para o que é permitido dentro do contexto da pandemia do novo coronavírus. "Fora a blitz, faremos tudo de forma completamente remota, evitando aglomerações, com transmissões via Facebook e também pelo nosso canal do YouTube", antecipa.

Essas trocas de experiência terão como convidados membros do Ministério Público (MPE) e Tribunal de Justiça do Estado (TJE), psicólogos e outros profissionais, no sentido de garantir um debate interdisciplinar acerca da temática. Em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), as servidoras da fundação farão minicurso preparatório.

A presidente da ParáPaz, Jamille Saraty Graim: "Todo cidadão tem um papel na proteção das mulheres"Registros - Para além do fato de a campanha reforçar a importância da legislação, Jamille garante que esse é o momento mais do que necessário para falar sobre o assunto. Durante os meses de isolamento social, aumentaram consideravelmente as denúncias de violência doméstica. Além disso, ainda há quem ache que só se configura como violência o ato físico. "A verdade é que, para se chegar a estágios como agressão, tentativa de homicídio ou morte, antes ocorrem outras violências, de caráter sexual, psicológica e patrimonial, que é mais desconhecida", relata.

"Aquela ideia de que o homem é o detentor, e tem que pedir o dinheiro para ele, dar o troco, a mulher não sabe que isso é um tipo de violência. Quando ele forja documentos de modo a não partilhar nada na hora do divórcio, isso também é uma violência. O papel da ParáPaz, além de informar sobre tudo isso, é mostrar os instrumentos à disposição para buscar ajuda", detalha a presidente.

As ações da ParáPaz, durante todo o ano, também incluem crianças e jovens, e são disseminadas por meio de palestras, pelo esporte, em oficinas, na distribuição de cartilhas e em outras programações educativas. "Pelo projeto ParáPaz nas Escolas a gente busca alcançar esse público, pensando não só no agora, mas no futuro, ao estimular essa responsabilidade social. Acreditamos que isso pode nos trazer melhores resultados a longo prazo", explica Jamille.

Conscientização - A gerente da unidade ParáPaz Mulher Belém, Cassiana de Tassia Santos, participa da live de abertura nesta sexta-feira (7), às 19h, sobre os 14 anos da Lei Maria da Penha, seus avanços e possibilidades. "Estamos falando da legislação mais avançada do mundo sobre o tema, e suas alterações mais recentes possibilitam qualificar ainda mais o atendimento integrado à mulher vítima de violência", avalia.

A gerente da unidade ParáPaz Mulher Belém, Cassiana de Tassia Santos, participa da live de abertura nesta sexta, às 19h"Essas ações são necessárias para conscientizar de que nenhum tipo de violência praticado pode ser naturalizado. É preciso desconstruir esse comportamento machista, essas relações abusivas que vemos no cotidiano. Só durante o mês de julho, registramos cerca de 300 boletins de ocorrência relacionados à violência contra a mulher", reforça Cassiana, explicando que ainda é muito comum o receio e até mesmo a vergonha, por parte da vítima, de pedir ajuda e denunciar.

Quando a vítima decide buscar a ParáPaz, seja em busca de orientações ou de formalizar queixa às autoridades responsáveis, ela recebe atendimento multiprofissional, que envolve desde a avaliação na enfermagem sobre a necessidade de exames periciais - quando há marcas de violência física - ao acolhimento com psicoterapeutas. "A gente segue assistindo aquela mulher até ela se certificar de que tem condições de romper com o parceiro", assinala Cassiana. São relatadas com maior frequência, nessa ordem, as denúncias de violência psicológica, física e moral.

"Independente do tipo, é algo que impacta toda a família. Os filhos, principalmente, se forem vítimas ou testemunhas dos atos. Se o núcleo familiar não dá apoio às vítimas, é pior ainda, elas ficam ainda mais fragilizadas e se veem sem suporte", conclui a gerente da ParáPaz Mulher Belém.