Alimentação saudável é parte do tratamento no Hospital Ophir Loyola

Pacientes de câncer precisam de uma dieta equilibrada para ajudar em todas as etapas da luta contra a doença

15/07/2020 20h45 - Atualizada em 15/07/2020 21h45
Por Carol Menezes (SECOM)

O tratamento oncológico requer uma assistência individualizada e contínua quando o assunto é nutrição. A paciente Diana Cristina Boulhosa, 39 anos, está aprendendo isso durante o combate a um câncer na tireoide, no Hospital Ophir Loyola (HOL). Internada desde a última sexta-feira (10), ela passará por cirurgia e deve receber alta no final desta semana. Diana conta que a alimentação saudável e planejada vai manter não só o seu bem-estar, mas também contribuir com seu processo de recuperação. Ela já sente a diferença no pré-operatório.A paciente Diana Cristina Boulhosa (e) recebe as orientações de profissionais do HOL

"Em casa a gente sempre dá uma exagerada, né? Legume, por exemplo, era uma coisa que eu não comia de jeito nenhum. Mas aqui eu como e me sinto mais disposta, mesmo internada. É um hábito que vou levar para casa, até porque faço academia", relata. O cardápio de Diana, assim como o de todos os pacientes que passam pelo HOL, é cuidadosamente elaborado por uma equipe de 18 profissionais, dentre membros da Coordenação de Nutrição do HOL, e pelos nutricionistas de produção. Tudo é levado em consideração: o tipo de tratamento que o paciente faz, as deficiências e faltas no organismo, principalmente no sistema imunológico, e tudo que possa influenciar naquilo que possa deixar o paciente se sentindo bem antes, durante e depois dos procedimentos.

Protocolos - O planejamento alimentar é executado por uma empresa terceirizada, sob a vigilância permanente da equipe do “Ophir Loyola”, que fiscaliza se o que foi produzido está de acordo com o determinado, e sempre seguindo protocolos de higiene extremamente rígidos, que se tornaram ainda mais exigentes por conta da pandemia de Covid-19. "Tudo é verificado por nós, desde os processos de higienização básicos durante o preparo dos alimentos, como o uso de álcool em gel para limpeza das mãos, luvas quando necessário, até a chegada de cada refeição, que já vem identificada com o nome de cada paciente e suas necessidades, algo que também é conferido antes de ser entregue a quem vai comê-las", explica Jucicleide Rodrigues Farias, nutricionista clínica do quadro efetivo do HOL.

Ela informa que não há uma dieta específica que afaste a possibilidade de contaminação pelo novo coronavírus, tampouco uma específica e recomendada para a recuperação de quem foi contaminado. "O que existe é a alimentação saudável, que deve ser praticada em qualquer momento, independente de qualquer infecção. Mas claro que, dependendo do quadro prévio da pessoa, são feitas adaptações. Por exemplo, se é identificada a necessidade de suplementação de vitaminas", ressalta. Neste caso, a tríade composta por frutas, verduras e legumes é obrigatória em todas as opções.Roberto Rodrigo Alves da Silva já aprendeu a importância da alimentação equilibrada

Fibras também fazem parte do cardápio, e o controle de sódio é extremo. Nada de frituras de proteína animal, alimentos que passam por cura ou salga - como embutidos e salgados. Alimentos típicos da região, como nossas farinhas refinadas, e frutos como manga e goiaba, são recorrentes. Água, o solvente universal e fundamental para toda e qualquer ação celular, é de extrema importância para fechar a soma de equilíbrio e variedade. Tudo sempre de acordo com as diretrizes do Conselho Nacional de Nutrição, do Guia Alimentar da População Brasileira e de outras entidades regulamentadoras.

Orientação - Já que entre a necessidade e a escolha existe um caminho nem sempre curto ou fácil de lidar, os nutricionistas ainda cumprem o papel de orientar pacientes e acompanhantes sobre a importância da nutrição como parte do processo terapêutico. "Assim como não é possível, em situação de enfermidade, escolher qual o remédio será administrado, o mesmo ocorre com a comida. A alimentação precisa ser vista como terapêutica não só em situação de doença, mas em todo momento, como algo fundamental para garantir a saúde e o bem-estar", reforça Jucicleide Farias.

A nutricionista Jucicleide Farias ressalta os cuidados desde a higienização básicos durante o preparo dos alimentosEsse atendimento também é prestado àqueles atendidos pelos serviços ambulatoriais, no sentido de estimulá-los à prática de comer de forma saudável. Se a condição do internado não permite a alimentação via oral, a equipe de Nutrição também participa da composição daquilo que é administrado via sonda - condição quase sempre temporária, e sempre em reavaliação pela equipe multidisciplinar.

Nas cinco refeições diárias os pacientes têm suas evoluções clínicas acompanhadas pelos profissionais, e dependendo daquilo que é constatado o cardápio pode ser alterado.

Internado para tratamento cirúrgico por conta de um tumor no tórax, Roberto Rodrigo Alves da Silva, 26 anos, aprendeu a gostar de salada de frutas no HOL. "Em casa eu não comia de jeito nenhum! Era só açaí com frango ou com carne. Só que aqui eu aprendi a gostar, e na volta, principalmente durante a recuperação, eu vou comer também", conta o paciente, que admite se sentir melhor após adotar a alimentação prescrita pela equipe de nutricionistas. Jucicleide Farias já fez uma recomendação para o momento pós-recuperação. "Não tem problema nenhum em misturar essa salada de frutas ao açaí que você gosta", orienta, confirmando que a alimentação pode ser saudável e saborosa.