Acesso à saúde foi prioridade em um ano de ações do Programa Territórios pela Paz

Sespa é um dos 37 órgãos estaduais integrantes da iniciativa, que realizou cerca de 1.500 atividades nos territórios em 12 meses

10/07/2020 18h17 - Atualizada em 11/07/2020 14h08
Por Dayane Baía (SECOM)

O Programa Territórios pela Paz (TerPaz) completa um ano de atividades neste sábado (11). Sete bairros da região metropolitana de Belém – Guamá, Jurunas, Terra Firme, Benguí e Cabanagem (na capital), Icuí-Guajará (Ananindeua) e Nova União (Marituba) – recebem infraestrutura urbana e políticas públicas para a diminuição da vulnerabilidade social e o enfrentamento das dinâmicas da violência. A oferta de serviços de saúde às comunidades foi prioritária nos primeiros 12 meses de ações.

A escolha dos primeiros bairros considerou os níveis de criminalidade, sobretudo as ocorrências de homicídios. Entretanto, mais do que impedir a interrupção violenta de vidas, o Estado busca garantir alternativas para levar saúde em sua complexidade para dentro dos territórios, promovendo uma longevidade qualitativa.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) é um dos 37 órgãos que integram a Câmara Técnica Intersetorial responsável por promover as ações do TerPaz, sob coordenação da Secretaria de Estado de Articulação da Cidadania (Seac). 

“Esses sete bairros ficaram abandonados pelo poder público, não tinham saúde, educação, cultura, lazer. Há tempos, eles não têm a dignidade de receber o atendimento adequado, o encaminhamento para especialidades, cirurgias, internações, eles ficavam sem essa atenção”, pondera Alessandra Amaral, coordenadora do TerPaz pela Sespa; de Saúde Bucal; e da Policlínica Itinerante.

De acordo com o relatório da Câmara Técnica, foram realizadas 1.464 ações nos territórios.

“Em um ano, levamos desde a triagem com verificação de pressão arterial, glicemia, encaminhamos para os atendimentos médicos - ortopedistas, pediatras, cardiologistas e clínico geral. E quando havia necessidade de um encaminhamento para um atendimento especializado, nós também fazíamos porque levávamos a regulação, e o paciente já saía com hora e data marcada para a consulta especializada no Estado e também, se necessário cirurgia com exames pré-operatórios solicitados durante o TerPaz. Tínhamos atendimentos odontológicos em parceria com a Polícia Militar e com as prefeituras de Ananindeua e Marituba”, detalhou Alessandra.

As ações incluíam também emissão do cartão do SUS (Sistema Único de Saúde), testes rápidos de HIV, sífilis e hepatite B e C, vacinação contra sarampo, distribuição de preservativos, palestras educativas de saúde bucal e distribuição de kits de higiene bucal. 

“Conseguimos detectar HIV em uma grávida de oito meses de gestação, que foi encaminhada para tratamento específico que protegeu o bebê no nascimento. Também conseguimos ajudar uma moradora com obesidade que não conseguia sair de casa, vivia em uma cama e não se levantava. O TerPaz viabilizou a consulta e internação hospitalar para tratamento e preparação para cirurgia bariátrica a ser feita após a pandemia. E se Deus quiser ela vai voltar a ter uma qualidade de vida. Foi uma alegria muito grande avançar com resultados de saúde para ela”, lembra a coordenadora. 

Com o programa de saúde itinerante, a Sespa tem um balanço positivo das 99 ações realizadas durante o ano, por meio do Projeto Saúde por Todo o Pará e dentro do Programa Territórios pela Paz (TerPaz). Foram 79.102 procedimentos, dos quais 13.170 consultas médicas e 6.842 encaminhamentos por meio do Sistema de Regulação (Sisreg). O programa ampliou o acesso da população à saúde e solucionou demandas reprimidas de exames, consultas e cirurgias nos territórios. 

TerPaz na pandemia

Desde março, a Seac tem montado um pacote de ações para atender famílias nos territórios durante a pandemia, com a entrega de cestas de alimentação, orientação da rede local sobre os cuidados com a Covid-19 e as ações da Policlínica Itinerante, com profissionais da Sespa.

“Não paramos, conseguimos levar a Policlínica Itinerante com serviços para casos leves e moderados de Covid-19, passando pela triagem, exames complementares e fornecendo medicamentos para tratar em casa para os sintomas não se agravarem. O nosso planejamento é conseguir sair o mais rápido possível do atendimento específico de Covid-19 na região metropolitana de Belém e nos interiores, que consigamos voltar a levar os serviços de saúde básicos e especializados para os nossos territórios e, assim, cada vez mais levar dignidade, qualidade de vida e a saúde que merecem. O Governo se fez presente desde 11 de julho de 2019 e vai permanecer cada vez mais”, garantiu Alessandra. 

Usinas da Paz

Coordenadas pela Seac, as Usinas da Paz consistem em grandes complexos públicos, em áreas de aproximadamente 10 mil metros quadrados, com a finalidade de garantir a permanência do Estado nos territórios, com ênfase na prevenção à violência, inclusão social e fortalecimento comunitário, com três eixos fundamentais: assistência, esporte/lazer e cultura.

As UsiPaz terão complexos esportivos, salas de audiovisual, inclusão digital e vários serviços, como atendimento médico e odontológico, consultoria jurídica, emissão de documentos, ações de segurança, atividades profissionalizantes, espaço multiuso para feiras, eventos e encontros da comunidade. Também haverá espaços para cursos livres, dança, artes marciais, musicalização e biblioteca.

Além de democratizarem o acesso ao esporte, lazer e à produção cultural, essas atividades concretizarão a convivência comunitária e propiciarão a prestação de serviços pelas secretarias estaduais e órgãos governamentais envolvidos no TerPaz. Sobre as obras das Usinas da Paz, já foram realizados a sondagem e topografia dos terrenos. Agora, as obras entrarão na segunda etapa, que consiste nas construções dos pré-moldados das fundações.