HC oferece residência médica em parceria com Google 

Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna é a primeira na região Norte, na modalidade hospital escola, a adotar a plataforma para atualizar calendário de aulas supensas em razão da pandemia do novo coronavírus

07/07/2020 15h05 - Atualizada em 07/07/2020 15h48
Por Melina Marcelino (HC)

A Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, por meio de uma parceria com a gigante da internet Google, vai oferecer módulo teórico de residência médica para mais de 60 médicos. As aulas on line começaram nesta segunda-feira (06), com “Metodologia Científica e Epidemiologia”, disciplina obrigatória para todos os residentes de medicina. Módulos teóricos passaram por adaptações para aulas a distância

As residências médicas da Fundação Hospital de Clínicas têm uma carga horária de 5.760 horas, com 80% de atividades práticas e 20% de aulas teóricas. O calendário de aulas geralmente se inicia em março, porém este ano as atividades teóricas precisaram ser suspensas devido à pandemia do novo coronavírus. As atividades práticas continuaram sem interrupções. 

A determinação de colocar em dia o calendário de aulas teóricas, levou o gerente de Ensino e Pesquisa da FHCGV, Haroldo Koury, juntamente com sua equipe, a montar um grupo de trabalho envolvendo o Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), a Secretaria Acadêmica e a Coordenação de Residência Médica (Coreme), numa  construção conjunta de um ambiente virtual que possibilitasse as aulas on line.

A ideia, frisa Haroldo Koury, surgiu da necessidade de colocar os módulos teóricos das residências médicas em dia. “Como o hospital tem uma parceria com a Google, nós vamos usar essa ferramenta a nosso favor, vamos usar a tecnologia da sala de aula a distância, e oferecer ao nosso residente a possibilidade de fazer o módulo teórico. As avaliações serão feitas com o mesmo rigor e a mesma estrutura de planejamento acadêmico, com atividades, e módulos ao vivo com o professor numa sala virtual”.

Médica residente em cirurgia geral, Paula Regina da Silva Tavares acompanhará as aulas de casa. Ela aprova o formato digital. “Não vejo perdas em relação ao conteúdo teórico, já que temos acesso aos mesmos recursos auditivos e visuais como em aulas presenciais”, enfatiza a médica.

Para as aulas teóricas de residência médica o aluno precisa ter uma conta de e-mail no Google, o que lhe dará acesso ao ambiente virtual criado pela gerência de Tecnologia da Informação.

Gerente do núcleo de Tecnologia da Informação, Kleber Almeida explica a ferramenta. “Nós vamos utilizar o Google Classroom, que é uma ferramenta idealizada para aulas virtuais; lá tem todo o suporte para colocar atividades, formulários, avaliações e há um controle do professor’’.

“Esse sistema é integrado com o Google Meets que transforma a aula em uma experiência ao vivo a distância, principalmente neste período de pandemia que não podemos nos reunir. O aluno pode ter todas as benesses de uma sala presencial em um ambiente virtual, lembrando que o NTI vai dar todo suporte que os alunos precisarem”, afirmou o gerente de TI.

Como professor, o doutor Carlos Marques de Carvalho, que ministra a disciplina “Metodologia Científica e Epidemiologia”, avalia de forma positiva a utilização de tecnologias em aulas a distância. 

“Acredito que a suspensão das atividades presenciais em razão da pandemia está apenas acelerando uma transformação no processo de ensino-aprendizagem que já vinha em andamento a passos largos’’, ponderou Carlos Carvalho, que é doutor em Bioquímica e Biofísica.

Ele destacou ainda que “muitos dos nossos atuais discentes pertencem a uma geração de nativos digitais, que utilizam desde cedo ferramentas interativas virtuais como forma significativa de conexão com o mundo. Entretanto, é imprescindível que se observem as diferenças de conectividade que eventualmente possam existir para que a adoção da tecnologia não se torne excludente”.

De acordo com o doutor em Bioquímica, embora o conteúdo ministrado não tenha sofrido alterações significativas para adequação à interação no modo virtual, a estratégia para instigar o discente na busca pela construção do seu próprio conhecimento necessitou de adequações. 

“Presencialmente, é possível ter um feedback praticamente instantâneo da percepção do conteúdo ao sondar a comunicação não verbal emitida pelo discente; entretanto, virtualmente, recursos tecnológicos precisam ser explorados com mais intensidade para suprir a defasagem gerada pela ausência do contato direto”.

MAIS SOBRE PARCERIA COM A GOOGLE

A FHCGV foi a primeira instituição na modalidade hospital escola na região Norte a migrar à plataforma usada nas mais modernas escolas, universidades e estabelecimentos de saúde do mundo.

O conjunto de aplicativos G Suite for Education tem como máxima a inovação, integração e agilidade. A ferramenta traz novos conceitos que visam facilitar e aprimorar a rotina de pesquisa e trabalho.

A facilidade em compartilhar arquivos e a possibilidade de trabalhar em grupo estimulam a colaboração, pois várias pessoas podem editar o mesmo arquivo simultaneamente, fazer videochamadas e trocar mensagens de forma segura. Todos os usuários contam com armazenamento ilimitado e sem anúncios no Gmail, Google Drive e Google Fotos.

Gerente do núcleo de Tecnologia da Informação, Kleber Almeida comenta sobre as vantagens da plataforma. “Mediante a Google ser uma das ferramentas mais utilizadas no mundo todo, na questão de inteligência artificial, comunicação, planilhas, documentos e também na atuação em escolas e faculdades hoje, a Google atende ao HC pela sua versatilidade e possibilidade de ampliação em muitas outras coisas. Como somos um hospital escola, eles aceitaram a nossa inclusão nessa parceria e hoje podemos usar diversas ferramentas do Google para nível de ensino e controle.

 

RESIDÊNCIA

Desde 2014 o hospital oferece 11 programas de residência médica credenciados na Comissão Nacional de Residência Médica, com o acompanhamento de coordenador, vice coordenador, supervisores e preceptores.

Esses programas estão divididos nas seguintes especialidades médicas: Psiquiatria, Cardiologia, Cardiologia Pediátrica, Cirurgia Área Básica, Cirurgia Geral, Cirurgia Cardiovascular, Clínica Médica, Nefrologia, Medicina Intensiva, Urologia e Hemodinâmica. As bolsas são financiadas pela Secretaria de Estado da Saúde, vinculada ao Ministério da Saúde.