Emater ajuda extrativista do Marajó a implantar energia solar e aumentar sua produtividade

Iniciativa em Afuá é referência no uso de energia limpa para melhorar a renda e garantir produção sustentável

04/06/2020 16h46 - Atualizada em 04/06/2020 17h41

“Mudou minha vida da água para o vinho”, diz, enfático, o extrativista Francisco de Souza Baia, 64 anos, mais conhecido como ‘Chico Cobra’, a respeito do sistema de energia solar que implantou em sua propriedade, às margens do rio Samaúma, município de Afuá, no Arquipélago do Marajó, em 2017. Ele contou com a ajuda e a orientação do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater).

Popularmente conhecida como cidade das bicicletas ou Veneza Marajoara, Afuá se destaca com a produção de açaí nativo e pesca artesanal, atividades que fazem parte do cotidiano do produtor. A partir do novo sistema, ele tem energia disponível 24h – e a custo zero. Isso garantiu, por exemplo, a compra de um freezer para armazenar polpas de frutas – inclusive de açaí; além de peixes, para que então pudesse comercializá-los em feiras e mercados locais. 

“A minha vida mudou desde que comecei a ter energia solar. Além do custo e bem-estar da minha família, tem a questão ambiental; não tem poluição. Passei a comercializar meus produtos e minha renda aumentou. Até internet eu tenho. Sou muito grato por todo o apoio que tenho da Emater. Quero, em breve, enviar meus produtos para comercializar no estado do Amapá. Os técnicos são parceiros, apoiam sempre que preciso”, explicou o extrativista.

A manutenção do gerador custava cerca de R$ 250 reais/mês ao produtor e ele e sua família ainda eram expostos à fumaça gerada pelo sistema, prejudiciais tanto para a saúde humana quanto ao ambiente.

“A Emater orientou o produtor sobre os benefícios de se ter energia solar e ele aceitou a proposta. O investimento foi exclusivamente dele. Hoje é exemplo para outros extrativistas da região por conta desta iniciativa”, comentou Alfredo Rosas, engenheiro agrônomo e chefe local da Emater no município. 

Rosas leva, em média, 2h30 de viagem (de voadeira) para chegar até a propriedade do produtor. São quase 12 anos de assistência técnica. O produtor também produz e comercializa óleo de pracaxi e andiroba, além de trabalhar com piscicultura em tanque escavado, com tambaqui. 

CRÉDITO

Francisco Baia já teve projetos de créditos elaborados pela Emater, a exemplo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) – modalidade Mais Alimentos. “A partir desse investimento, qualifiquei minha propriedade e pude incrementar significativamente a produção, hoje colho os frutos”, diz Francisco Baia. 

QUALIFICAÇÃO

A propriedade do extrativista serviu como base para o curso de manejo de açaizal nativo, realizado pela Emater em parceria com a Embrapa Amapá, em 2016. Já em 2018, um dia de campo contou foi com participação de vizinhos próximos e também extrativistas de outras regiões. 

Por Rodrigo Reis (EMATER)