Hospital Abelardo Santos supera 450 altas clínicas de casos da Covid-19

25/05/2020 21h03 - Atualizada em 25/05/2020 22h06
Por Carol Menezes (SECOM)

Em pouco mais de um mês atendendo como porta aberta para emergências relacionadas aos sintomas da Covid-19, o Hospital Regional Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, distrito de Belém, contava 457 altas clínicas até a noite de domingo (24). O número representa 457 histórias de vida, que não só seguem preservadas, mas que agora têm a possibilidade de um novo começo, de um ressignificado após superação tão importante. Uma conquista que ocorre graças ao trabalho, empenho e dedicação de tantas pessoas.

A família do DJ Edilson Cambraia foi uma que começou de novo no domingo. Ele está entre os que podem comemorar o status de ex-paciente que recebeu autorização para voltar para casa, depois de 12 dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HRAS. A saga hospitalar começou no Hospital e Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, no dia 23 de abril, onde ficou internado por dois dias até ser transferido para o Abelardo Santos, já quase sem capacidade respiratória.

O final feliz poderia não ter ocorrido. Edilson, assim como muitos, não deu muita importância aos primeiros sintomas, que começaram no dia 15 daquele mês, e chegou a se medicar por conta própria com um dos remédios indicados pelo protocolo do Ministério da Saúde. Com a saúde piorando, ele conseguiu buscar ajuda a tempo. "Fui negligente no início", admite. "Uma semana depois já estava complicado, eram seis, sete dias com dor no peito, nas costas quando fui para o PSM", lembra o DJ.

No Hospital Abelardo Santos, ele ficou em leito de terapia intensiva desde o primeiro dia. "Sou muito grato por estar aqui respirando, falando, e sou muito grato aos profissionais de saúde, que se dedicaram ao máximo a todos que estão ali precisando desse amparo. Nunca desistiram de mim", reconhece ele, que chegou a passar o total de 19 dias sem andar e bastante enfraquecido pelas sequelas do novo coronavírus. 

Nos dias de isolamento, uma vida que ainda não nasceu mantinha Edilson esperançoso e ansioso pela alta. "Além da fé, pensava no meu filho, meu primeiro filho, que está na barriga da minha esposa há três meses. Somos casados há 13 anos, e é o primeiro filho para os dois. Eu focava muito nisso, em viver para realizar esse sonho, carregar no colo. Me agarrei a essa esperança. Hoje a sensação é de vida nova", emociona-se.

Acolhimento - O Hospital Regional Abelardo Santos contabiliza mais de 23.373 atendimentos de pacientes com sintomas da Covid-19. A unidade já era um dos onze hospitais do Estado referenciados para internação de casos graves, e passou a funcionar de portas abertas, ou seja, o paciente pode ir direto ao local em busca de ajuda médica, sem precisar de encaminhamento. O pronto-socorro do HRAS conta com 319 leitos, 101 de UTI.

A triagem é humanizada. As equipes da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e da Fundação Parapaz levam as pessoas até uma tenda, onde é verificada a oxigenação do sangue e feita a categorização dos quadros clínicos (baixa ou média complexidade). Neste momento, uma sopa é servida e também são distribuídas máscaras novas para substituir as usadas ou proteger quem não tem. O sopão é fornecido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), de manhã e à tarde. 

A média diária de atendimento no Abelardo Santos é de 1,8 mil pessoas. Portanto, ainda no estacionamento do hospital, onde ocorre essa triagem, foram instaladas mais três unidades móveis de saúde, que integram as ações do Programa Territórios pela Paz (TerPaz) em parceria com a Sespa. O objetivo é agilizar e garantir melhor atendimento. Muito além de medicamentos, os pacientes recebem carinho, atenção e segurança. Os pacientes que saem da consulta com prescrição de receita médica passam na farmácia, instalada no mesmo local, e recebem sem custo o que foi recomendado pelo médico.