Coronavírus: grupo produz e distribui EPIs para profissionais da saúde

Santa Casa de Misericórdia do Pará foi um dos hospitais que já recebeu os itens confeccionados

06/04/2020 14h02 - Atualizada em 06/04/2020 17h43
Por Daniel Leite Júnior (UEPA)

Objetivo é arrecadar doações em dinheiro ou materiais e insumos para compra ou produção dos objetos essenciaisA pandemia do novo coronavírus trouxe diversos alertas e demandas de comportamento social e de práticas de saúde. Um deles é um possível desabastecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como máscaras, jalecos e outros itens usados em hospitais e postos pelos profissionais da saúde.

Pensando nisso, a infectologista, dermatologista e professora da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Marília Brasil, idealizou o Grupo Solidariedade, conjuntamente com docentes da Uepa e da Universidade Federal do Pará (UFPA), além de profissionais de outras categorias. A proposta é arrecadar doações em dinheiro ou materiais e insumos para compra ou produção de EPIs, para serem distribuídos para profissionais de saúde da Grande Belém e de municípios do interior. 

Na última quinta-feira (2), foram distribuídos pelo Grupo Solidariedade diversos materiais, entre eles, caixa de intubação, máscaras, capotes e aventais impermeáveis, para a Santa Casa de Misericórdia do Pará, um dos hospitais de retaguarda no Estado para o atendimento de pacientes de Covid-19, encaminhados via regulação. Entretanto, há outros lugares programados para receber os EPIs antes do futuro pico do coronavírus.

“Sabemos que a Covid-19 vai ter seu pico no final de abril e início de maio. Por causa disso, estamos trabalhando intensamente nessas últimas duas semanas para que possamos ter os Equipamentos de Proteção Individual neste período e, dessa forma, possamos não sofrer com o desabastecimento aqui no Pará, pois lamentavelmente, ninguém no mundo estava preparado para esta pandemia” - Marília Brasil, médica e idealizadora do Grupo Solidariedade.

O projeto já arrecadou, aproximadamente, R$ 20 mil e distribuiu em torno de 100 máscaras do tipo face shields, 200 óculos de proteção, mil capotes, mil máscaras, uma caixa de intubação e 40 aventais impermeáveis, além de outros produtos, como gorros e macacões, alguns deles feitos pelos próprios integrantes do grupo. 

Máscaras do tipo Face ShieldFace Shield – No grupo, a máscara Face Shield está sendo produzida por meio do coordenador do Laboratório de Tecnologia Assistiva (Labta) da Uepa, Jorge Lopes, que desenvolveu a partir de materiais de baixo custo um equipamento de dupla proteção. O objeto evita que o contato de gotículas, salivas e fluídos nasais possa atingir o rosto, o nariz, a boca e os olhos do profissional da saúde que fizer uso.

“Eu atendi ao chamado do Grupo de Solidariedade e prontamente comecei a desenvolver máscaras do tipo Face Shield de baixo custo para profissionais da saúde e também entrei no grupo para desenvolver caixas de proteção para intubação de pacientes. Os EPis são produzidos por meio de materiais diversos como acrílico, acetato, elásticos, polipropileno e PVC para serem disponibilizados de acordo com as normas de higienização” - professor Jorge Lopes, coordenador do Labta.

Pensando em estratégias que pudessem ampliar as possibilidades de produção de EPIs, tanto no âmbito do território paraense quanto em um contexto nacional, Jorge Lopes organizou procedimentos para confecção de Face Shields de baixo custo e compartilhou vídeos em uma rede social (acesse o link aqui), ensinado o público a produzir. O objetivo é que esta ideia seja ampliada e executada por outras pessoas.

“O compartilhamento destas informações já está surtindo efeito, pois uma ex-aluna minha já está desenvolvendo este trabalho em Aracaju e outro ex-aluno já vai iniciar esta ação em Marabá, portanto, isso demonstra a força destas informações no contexto atual desta pandemia, pois outros colegas terapeutas ocupacionais já estão se mobilizando para iniciar esta ação também”, disse o coordenador do Labta.

O egresso do curso de Terapia Ocupacional do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Uepa, Rafael Nunes, que mora atualmente na cidade de Marabá, no sudeste do Pará, é um dos profissionais que foi estimulado a produzir a Face Shield a partir das informações compartilhadas pelo professor Jorge Lopes, com objetivo de fazer a distribuição nos hospitais e postos de saúde da região do Carajás.

“Qualquer Equipamento de Proteção Individual que tenha sido confeccionado com materiais de baixo custo e que promovam a segurança dos profissionais da saúde a ponto destes poderem se empenhar cada vez mais no propósito de cuidar do outro é válido, porque não podemos esperar somente ações e medidas das autoridades, afinal cada um pode fazer sua parte nas diversas áreas de atuação para que, através da união, seja possível colher resultados benéficos a todos no combate ao coronavírus”, ponderou Rafael Nunes.

Grupo – Para as próximas três semanas, o Grupo Solidariedade estipulou uma meta de produção que compõe a confecção de 50 caixas de proteção para intubação, além de produzir por semana 2 mil aventais, 2 mil máscaras, 200 Face Shield, 2 mil gorros e 50 roupas cirúrgicas para uso em hospitais e postos de saúde. O grupo atua também com psicólogos e psiquiatras, a partir de uma plataforma de mensagem e apoio emocional aos profissionais de saúde.

"Estamos cobrindo Belém e ao redor, mas estamos orientando grupos do interior do Pará à produção e a expectativa é que a rede cresça para atender mais pessoas, pois precisamos muito de apoio da sociedade para continuar na produção dos materiais e ajudar nossos profissionais da saúde nessa luta" - professora Marília Brasil.

Como ajudar na campanha?

Quem quiser ajudar na campanha de doações para a compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para profissionais de saúde pode entrar em contato pelo telefone/WhatsApp: (91) 98444 0032. Ao final, serão enviadas aos doadores notas de compras e serviços.