Campus da Uepa em Cametá auxilia na produção de álcool 70%

O trabalho conjunto com a Prefeitura de Limoeiro do Ajuru ajudou a suprir a demanda para profissionais de saúde do município

31/03/2020 16h46 - Atualizada em 31/03/2020 17h38
Por Ize Sena (UEPA)

Diante da carência de álcool 70% no mercado, por conta da pandemia causada pelo novo Coronavírus, a Universidade do Estado do Pará (Uepa) firmou parceria com a Prefeitura de Limoeiro do Ajuru, município do nordeste do Pará, para encontrar uma solução que atenda à demanda pelo produto: reduzir o grau do álcool de 92º para 70º, visto que esse é o ideal para a desinfecção de superfícies, devido ao eficiente efeito bactericida.

A parceria entre Uepa e Prefeitura atende a uma demanda de saúde públicaConforme a parceria, o Campus da Uepa em Cametá, município da mesma região, forneceu materiais de laboratório necessários para o preparo de álcool 70%, entre os quais alcoômetro, becker, proveta e bastão de vidro. A ação conjunta foi idealiada pelo enfermeiro e coordenador de Vigilância Epidemiológica de Limoeiro do Ajuru, Tobias Ferreira Gonçalves, que estudou na Uepa, Campus de Tucuruí.

“Um colega, químico industrial e filho (natural) de Limoeiro, se propôs a fabricar o álcool a partir do iodo. Mas dissemos que nosso estoque era pequeno, e sugeri a ele a transformação do álcool 92 em 70. Ele precisava dos materiais e o município dispõe, mas é para manusear material biológico. Aí se deu o início do processo de parceria no município. Mas a gente não conseguiria avançar se não tivesse outra fonte de material. Então, lembrei da Uepa, liguei para o professor Rubens (Rubens Cardoso, reitor da instituição), apresentei a demanda, mostrei a nossa proposta de trabalho e como isso poderia contribuir com a população. Ele se colocou à disposição”, contou Tobias Gonçalves.

Cessão de material - A partir do contato com o reitor, o Campus de Cametá foi acionado, e os materiais foram enviados de barco para a sede municipal de Limoeiro do Ajuru.  “Neste momento de pandemia do Coronavírus, é de suma importância a parceria com as instituições de ensino, como a Universidade do Estado do Pará, que sempre está disponível para ajudar a população da região do Baixo Tocantins, que compreende os municípios de Cametá, Limoeiro do Ajuru Abaetetuba, Acará, Baião, Barcarena, Cametá, Igarapé-Miri, Mocajuba, Moju, Oeiras do Pará e Tailândia. Desse modo, a ciência está contribuindo com todos, fazendo o seu papel. Unidos, podemos sair dessa pandemia do Coronavírus”, afirmou a coordenadora do Campus, Natácia Silva.Alunos e ex-alunos da Uepa participam da iniciativa de garantir a oferta de álcool 70

A professora explicou ainda que os materiais cedidos pela Uepa são fundamentais para o preparo do álcool 70%, pois o produto deve estar na concentração adequada. Caso contrário, poderá diminuir a ação contra o vírus ou evaporar muito rápido, sem conseguir agir na eliminação do agente infeccioso.

A iniciativa também contou com o apoio do estudante do 7º semestre de Licenciatura em Química Kaio Barra, bolsista da Uepa e um dos monitores do Laboratório de Química do Campus. Ele atuou na separação dos materiais. “O sentimento é de solidariedade, pois ajudar o próximo é o mínimo que deve ser feito neste momento. E sabemos que o álcool é um dos produtos fundamentais para frear a propagação da Covid -19. E, caso seja necessária a produção de mais álcool 70°, estaremos disponíveis para prepará-lo nas dependências de nosso laboratório”, disse o aluno.

Proteção - Com todos os materiais, a produção do álcool é feita em apenas um dia, graças ao esforço de vários profissionais, como o químico Iago Tavares e os agentes da Vigilância Sanitária e do Laboratório. “De imediato, a gente conseguiu suprir a demanda do município para disponibilizar o álcool para as equipes de saúde, e em curto prazo minimizou a carência da oferta de álcool no mercado. Além disso, o álcool 70 é o ideal para usar no ambiente hospitalar. Então, a gente acaba conseguindo proteger o profissional, e a população como um todo. Isso também reduz a chance de termos profissionais infectados, que tenham que sair do serviço para ficar em quarentena”, ressaltou Tobias Gonçalves.

Como ex-aluno da Uepa, o enfermeiro acredita que a formação na Universidade vai além da técnica, dado o compromisso com o social. “Nesse momento é como se eu tivesse buscando apoio de um familiar. Quando eu ligo e consigo suprir a demanda, e a Uepa atende ao nosso pedido, a gente se sente realmente uma família, a Família Uepa. A gente fica feliz com o acolhimento e consegue ver que vem de uma universidade que é humana, parceira, que pensa além dos muros”, acrescentou.