Adolescente lança livro sobre a luta contra o câncer

Publicação é sonho realizado de paciente do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo.

13/02/2020 18h33 - Atualizada em 13/02/2020 18h54
Por Dayane Baía (SECOM)

A trajetória de quase oito anos de luta contra a leucemia inspirou Jerllyson de Paula, 15, a escrever a obra ‘Minha História’, publicação que teve o trabalho voluntário do ilustrador Rosinaldo Pinheiro.

Em formato de quadrinhos, o livro, lançado nesta quinta-feira (13), conta como o então menino veio do Maranhão com destino à capital paraense para iniciar os cuidados no Hospital Ophir Loyola e depois no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, referência para o diagnóstico e tratamento especializado de crianças e adolescentes com câncer na região Norte. A história é mais do que uma biografia e trata de fé, generosidade e família. 

Ana Beatriz Cardoso, 8 anos, enfrentou a fila para receber seu exemplar autografado. “É uma história bem emocionante, uma luta bem grande que começou aos 8 anos. Ele está com 15, vivo, percorre feliz essa jornada toda”, disse a menina. 

Ana Beatriz Cardoso

Jerllyson foi diagnosticado com leucemia aos oito anos e ainda está em tratamento. Ele conta que a dor e as limitações fizeram parte da metade da vida dele, mas que nesse caminho conheceu pessoas que o apoiaram. 

O livro era um sonho de também contribuir e levar esperança a outras.

“Incentivar meus amigos para que eles não desistam do tratamento. Ler o livro é uma forma de eles não perderem a fé”, desejou o jovem. O texto original foi apresentado no aniversário do hospital, onde ele faz tratamento desde a fundação. 

A equipe da unidade articulou para transformar o texto em um livro de distribuição gratuita. “O projeto Fada Madrinha busca realizar pequenos desejos. A história dele foi um presente para o hospital, algo tão rico e exemplar que merecia ser compartilhado. O livro é uma história que perdura, motivação para que persistam em enfrentar o tratamento. Contamos com voluntários desde a impressão dos exemplares até a ilustração. À medida que as tiragens se esgotarem buscaremos mais parceiros para multiplicar e incentivar outras pessoas a manter a fé”, afirmou Alba Muniz, diretora do Oncológico. 

Thayná Campos Bessa, 7 anos, também faz tratamento na Unidade. “Fiquei muito grata por ele ter feito um livro, foi muito legal o sonho dele. Ainda não tenho uma parte do livro que gostei, nossos amigos vão gostar. Ele é meu melhor amigo”, disse Thayná.

Thayná Campos Bessa

O ilustrador Rosinaldo Pinheiro, natural de Igarapé-Miri, na região do Tocantins, já atuava como voluntário de oficinas de histórias em quadrinhos na Unidade e abraçou o projeto de Jerllyson. “Fiquei emocionado com a fé dele, contada no livro. Eu ministro oficinas nas escolas, levei para o hospital. Pensei como é importante para as crianças, elas passam por muitas dificuldades, até para se locomover. Eu me envolvi com esse processo de criação, tivemos muitos ajustes por questão de custos, fizemos reuniões, foi importante para mim”, afirmou Rosinaldo.

Jerllyson e o ilustrador Rosinaldo Pinheiro.

Família - A história em quadrinhos traz alguns episódios da vida do rapaz, como as datas comemorativas, os momentos em que a doença voltou e a importância do hospital e de organizações para a continuidade do tratamento. 

Um destaque especial é dado à família construída a partir da convivência no hospital. Filho de pais separados, Jerllyson contava apenas com o pai como acompanhante. Os dois conheceram outra família,  Cleudilene e a filha Eduarda, que enfrentava a doença. O menino foi acolhido, já que não tinha moradia em Belém e se tornou um filho do coração. “Eu tenho uma filha que tá fazendo quatro anos fora de tratamento. Nos conhecemos no hospital, eu já tinha o impacto da doença, mas para ele era mais difícil porque ele se mudou, saiu do meio familiar. Ele é muito alegre e sempre mostrou essa força e coragem para seguir em frente. Ele é muito especial, mas foi uma surpresa ver que apesar da dor, ele não se tornou egoísta e consegue pensar na dor do próximo, dos coleguinhas que estão iniciando o tratamento. É uma forma de incentivar”, afirmou Cleudilene.