Paisagismo da Nova BR prevê plantação de 1.500 mudas de 26 espécies nativas

Obras executadas na via ocorrem por etapas, sendo uma delas a supressão vegetal, licenciada pelos órgãos ambientais

23/01/2020 16h12 - Atualizada em 24/01/2020 10h01
Por Michelle Daniel (NGTM)

Compensação ambiental será de quase quatro vezes maior em comparação à quantidade de árvores que serão retiradasOs primeiros 10,8 km da BR-316 ganharão novo paisagismo nos próximos meses dentro do projeto de requalificação da Nova BR, realizado pelo governo do Estado, por meio do Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano (NGTM). São 26 diferentes tipos de árvores e 1.594 mudas que serão plantadas ao longo do canteiro central e lateral da rodovia.

Entre as espécies que serão plantadas no corredor da BR estão cuiarana, chuva de ouro, ipê amarelo, jatobá e palmeira imperial, além da Ananin, que é nativa do município de Ananindeua – todas de médio e grande porte, nativas e protegidas.

"Temos uma previsão de compensação em relação à supressão de, para cada espécie retirada, vamos repor em torno de quatro, dependendo do tipo. É importante frisar que toda a supressão está licenciada e autorizada pelos órgãos ambientais, que é uma condicionante do projeto financiado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão [Jica]”, explica o engenheiro Eduardo Ribeiro, diretor-geral do NGTM.

O trabalho é necessário já que essas árvores estão no corredor das obras e interferirão diretamente na construção de estações de passageiros, faixas de via expressa e calçadas. A vegetação que não interfere será mantida.

Sociedade foi a primeira a tomar conhecimento da ação de mudanças das árvoresTransplante – O Governo desenvolveu um projeto específico para transplantar duas samaumeiras localizadas no canteiro central da rodovia. A ação é inovadora, neste porte, na Região Metropolitana de Belém, e busca preservar os indivíduos arbóreos no corredor de transporte. O transplante iniciará na próxima segunda-feira (27).

Os primeiros a tomarem conhecimento da ação foram representantes de algumas entidades ligadas à preservação do meio ambiente e que atuam na região.

Marcia PinheiroMárcia Pinheiro, da Associação Amigos de Belém, que tem entre suas frentes de atuação a questão ambiental, foi uma das presentes. “Sabemos que existem inúmeros projetos de transplantes de árvore de pequeno porte, mas no caso da samaumeira é um grande desafio. E deixar as entidades cientes faz com que a gente possa participar de forma positiva, contribuindo com o conhecimento que temos”.

Milton Fujioshi, gerente regional da Associação Brasil Soka Gakkay, que atua na educação ambiental em todo o Estado há 60 anos, também participou da reunião. Ele que acompanha o andamento das obras desde a projeção, avalia de forma positiva a medida do Governo para tentar salvar a espécie. “Ficamos felizes em ver um projeto com essa magnitude se tornar realidade. Estamos vendo o esforço do Estado em fazer o possível para transplantar as samaumeiras”. 

Milton Fujioshi, gerente regional da Associação Brasil Soka Gakkay

Projeto – Inicialmente, o projeto previa o corte com supressão vegetal das duas árvores localizadas na altura do km 3 da rodovia, porque elas estão na faixa de domínio das obras. Mas, o atual Governo, sensível à causa ambiental, decidiu pela manutenção das samaumeiras por meio do transplante. O novo destino delas será uma das pétalas do viaduto do Coqueiro, numa distância de aproximadamente 900 metros de onde estão. A medida está autorizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas). 

Outras três samaumeiras, duas delas localizadas na rodovia próximo ao viaduto do Coqueiro, e uma na área onde está sendo construído o prédio do Centro de Controle Operacional (CCO) – no complexo do Comando Geral da Polícia Militar, na Augusto Montenegro – também serão integralmente preservadas devido a uma readequação no projeto e não precisarão ser retiradas do local.

 O diretor-geral do NGTM, engenheiro Eduardo Ribeiro, explica que, pelo projeto anterior, não havia a possibilidade das árvores permanecerem por vários motivos. “Elas estão na faixa de domínio da obra, uma dentro de uma das estações de passageiros do BRT Metropolitano, outra na faixa expressa do BRT. Ainda que elas continuassem ali, não resistiriam aos impactos da construção. Então, procuramos uma empresa especializada e estamos fazendo o possível para salvá-las”, detalha. 

Transplante – A ação será executada por uma empresa especializada nesse tipo de atividade e terá duração de até cinco dias. O trabalho envolve várias etapas noite e dia com equipamentos manuais e pesados, e também contará com o apoio do Departamento de Trânsito do Estado (Detran), já que será necessário interromper o fluxo de veículos por alguns minutos durante o trabalho.

Amauri Chaves, engenheiro civil e agrônomo na empresa particular, conta a expectativa de sucesso da ação. “Estamos tomando todos os cuidados para que haja uma boa recuperação do vegetal. Toda a parte técnica e agronômica será utilizada para que haja a sobrevivência das árvores. Estatisticamente, as chances de sucesso são infinitamente superiores, de 98%”. 

Kleber Perotes, diretor de Desenvolvimento da Cadeia Florestal do Ideflor-Bio

Para compensar o transplante das samaumeiras, o Ideflor-bio fará a doação de 10 mudas da mesma espécie para o plantio no Parque do Utinga, área de conservação estadual. “O Instituto empresta seus perfis técnicos na orientação que vai desde a operação no transplantio e na manutenção da espécie no seu futuro espaço para que, tecnicamente, se estabeleça e se desenvolva, atendendo toda a expectativa da sociedade”, enfatiza Kleber Perotes, diretor de Desenvolvimento da Cadeia Florestal do Ideflor-Bio. 

Samauma ou Samaumeira – O nome científico é Ceiba Pentandra, planta de copa ampla, podendo atingir, em habitat nativo, cerca 60 m de altura. A árvore é típica da Amazônia e conhecida pelos indígenas como a árvore mãe. É volumosa, suas raízes são espalhadas, possui uma copa frondosa, aberta e horizontal. Pelo tamanho e estrutura, a samaumeira encanta quem a vê e se destaca onde estiver. 

Obras – Iniciadas em janeiro de 2019, a requalificação da BR-316 promoverá uma mudança radical naquela que é considerada a principal via de entrada e saída da capital paraense. 

Imagem do projeto de requalificação da Nova BR

Serão implantadas calçadas arborizadas e ciclovias em ambos os sentidos, além de 13 passarelas com acessibilidade, 13 conjuntos de estações de passageiros para os ônibus do BRT Metropolitano, dois terminais de integração (em Ananindeua e Marituba), quatro túneis (dois em cada terminal) de acesso dos ônibus do BRT para os terminais, o Centro de Controle Operacional que fará a operacionalização dos sistemas de BRT municipal e metropolitano – futuramente integrados -, e duas novas pistas em ambos os sentidos com faixa exclusiva no canteiro central.