'Janeiro Branco' alerta para prevenção e cuidados com a doença mental

No Pará, população tem acesso a serviços gratuitos que promovem bem-estar físico, social e emocional

17/01/2020 20h25 - Atualizada em 18/01/2020 02h48
Por Roberta Vilanova (SESPA)

A Campanha Janeiro Branco, que conscientiza a sociedade sobre a promoção e proteção da Saúde Mental, é fundamental para que a população conheça o funcionamento da Rede de Atenção Psicossocial no Sistema Único de Saúde (SUS), para que possa buscar orientação e ajuda quando necessário, ressalta a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Inspirado no Outubro Rosa, voltada ao câncer de mama, o Janeiro Branco surgiu em 2014, por iniciativa de um grupo de psicólogos do município de mineiro de Uberlândia, com base em informação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o aumento significativo das doenças mentais, o que preocupa os profissionais de saúde.

A promoção da saúde mental, incentivada pela Sespa, é essencial para o bem-estar físico e socialO mês de janeiro foi escolhido para a campanha, por seus idealizadores, em função do grande movimento da maioria das pessoas em relação às expectativas e desejos para uma boa saúde e bem-estar com a chegada de um novo ano. O objetivo é que em janeiro as pessoas comecem a fortalecer os cuidados com a saúde mental, por meio de esclarecimentos e conscientização da promoção de bem-estar físico, social e mental, e prevenção das doenças mentais.

Objetivos - De acordo com o site janeirobranco.com.br, os cinco objetivos da campanha são: “fazer do mês de janeiro o marco temporal estratégico para que todas as pessoas e instituições sociais do mundo reflitam, debatam, conheçam, planejem e efetivem ações em prol da Saúde Mental e do combate ao adoecimento emocional dos indivíduos e das próprias instituições; chamar a atenção para os temas da Saúde Mental e da Saúde Emocional na vida das pessoas; aproveitar a simbologia do início de todo ano para incentivar as pessoas a pensarem a respeito das suas vidas, dos seus relacionamentos e do que andam fazendo para investir e garantir Saúde Mental e Saúde Emocional para si e ao seu redor; chamar a atenção das mídias e das instituições sociais, públicas e privadas, para a importância da promoção da Saúde Mental e do combate ao adoecimento emocional dos indivíduos, e contribuir, decisivamente, para a construção, o fortalecimento e a disseminação de uma “cultura da Saúde Mental” que favoreça, estimule e garanta a efetiva elaboração de políticas públicas em benefício da Saúde Mental dos indivíduos e das instituições”.

Para o sucesso da campanha, são necessários serviços especializados para receber e cuidar das pessoas doentes, que precisam de atendimento multidisciplinar. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza, por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), serviços em diversos níveis de atenção, começando pela Unidade Básica de Saúde, a porta de entrada para o Sistema.

A coordenadora Estadual de Saúde Mental, Kelly Albuquerque, informou que a Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas trabalha com a reorientação do modelo assistencial, voltado a uma rede diversificada de serviços de base comunitária e territorial. “A rede se caracteriza por diferentes ações e serviços, que devem garantir o acesso a cuidados em saúde mental de forma ampliada, complexa e com articulação intersetorial, tendo como principal foco a reinserção social”, disse Kelly Albuquerque.

Assim, a RAPS, instituída pelo Ministério da Saúde, por meio da Portaria 3.088/2011, prevê a criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou transtorno mental, e com necessidades decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas.

Essa Rede, cujas diretrizes e estratégias de atuação envolvem as três esferas de governo, é composta pela Atenção Básica de Saúde, Atenção Psicossocial, Atenção de Urgência e Emergência, Atenção Residencial de Caráter Transitório, Atenção Hospitalar e Estratégias de Reabilitação Psicossocial.

Acesso - A pessoa em sofrimento mental pode ir diretamente às Unidades Básicas de Saúde e aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPSs), onde a primeira etapa é o acolhimento. Porém, se estiver em crise, pode ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 h) ou levada a um serviço de emergência psiquiátrica, como o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna.

“O acolhimento dessas pessoas e familiares é uma estratégia de atenção fundamental para a identificação das necessidades assistenciais, alívio do sofrimento e planejamento de intervenções com medicamentos e terapêuticas, quando necessárias, conforme cada caso”, explicou Kelly Albuquerque.

Ela informou que os principais atendimentos em saúde mental são realizados nos CAPSs, onde o usuário é atendido próximo da família, com assistência multidisciplinar e cuidado terapêutico, de acordo com o quadro clínico.

Agenda - Segundo Kelly Albuquerque, no Pará a política de saúde mental está sendo implementada por meio de uma agenda comprometida com a promoção, a prevenção e o tratamento, na perspectiva da reinserção social e produção da autonomia das pessoas. A RAPS estadual foi pactuada na Comissão Intergestores Bipartite (CIB/PA), pela Resolução nº 259, de 10 de dezembro de 2013.

Há seis tipos de configurações de CAPS: CAPS I, para locais com até 15 mil habitantes; CAPS II, para locais com até 70 mil habitantes; CAPS i, para atendimento de crianças e adolescentes e locais com até 70 mil habitantes; CAPS ad Álcool e Drogas, também para locais com até 70 mil habitantes; CAPS III, com até cinco vagas para acolhimento noturno e observação, e locais com até 150 mil habitantes, e CAPS ad III Álcool e Drogas, com até 12 vagas para acolhimento noturno e observação, e locais com até 150 mil habitantes.

Kelly Albuquerque informou, por fim, que o CAPS de Santarém, no oeste paraense, realizará no próximo dia 24 de janeiro, às 18 h, na orla da cidade, a atividade educativa Blitz Janeiro Branco. No dia 29 de janeiro, a partir das 8 h, no auditório do 9º Centro Regional de Saúde, ocorrerá a I Roda de Conversa Intersetorial sobre Saúde Mental Infantojuvenil, com a temática “O Trabalho em Rede como Caminho Necessário para o Cuidado Integral da Saúde Mental Infantojuvenil em Santarém”, tendo como mediadora a equipe técnica do CAPS.

No Pará, além de diversos CAPS instalados em todos os municípios das 13 Regiões de Saúde, a população conta com seis CAPSs sob a gestão estadual, localizados em Belém e Santarém:

1 - CAPS Icoaraci (Caps I): Rua Monsenhor Azevedo, 237 (entre Passagem Maguari e Lopo de Castro), Campina de Icoaraci. Telefone: (91) 3227-9137. E-mail: capsicoaraci@ibete.com.br

2. CAPS Amazônia (CAPS I): Passagem Dalva, 377, Marambaia. Telefone: 3231-2599/ 3238-0511. E-mail: capsam.sespa@outlook.com

3. CAPS Renascer (CAPS III): Travessa Mauriti, 2179, entre avenidas Duque de Caxias e Visconde de Inhaúma, Pedreira. Telefone: (91) 3276-3448. E-mail: capsrenascer@yahoo.com.br

4. CAPS Grão Pará (Caps III): Rua dos Tamoios, 1840, Batista Campos. Telefone: (91) 3269-6732. E-mail: capsgraopara@yahoo.com.br

5. CAPS Marajoara (CAPS ad III): Conjunto Cohab, Gleba I, WE 2, 451- Nova Marambaia. Telefone: (91) 32360399. E-mail: capsmarajoara@gmail.com

6. CAPS Santarém (CAPS ad III): Travessa Dom Amando, Santa Clara, Santarém. Telefone: (93) 3523-1939.