Hospital das Clínicas lança Cartilha de Saúde da Criança Cardiopata

Documento vai reunir informações sobre o paciente e sua doença, assim como orientar os profissionais envolvidos no seu tratamento

17/01/2020 11h24 - Atualizada em 17/01/2020 12h24
Por Melina Marcelino (HC)

Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, portadores de cardiopatia congênita encontram dificuldade em receber uma assistência especializada. Isso ocorre por vários fatores, como a complexidade do tratamento, os custos elevados, a manutenção de um centro de cardiologia e cirurgia cardíaca pediátrica, ou ainda pela falta de informação sobre os problemas cardiológicos do paciente.

A Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV), centro de referência em tratamento de crianças cardiopatas no Pará, observando essas dificuldades dos pacientes, criou uma Cartilha de Saúde desenvolvida pelos profissionais da Cardiologia Pediátrica da unidade.

A publicação tem o objetivo de ajudar a criança portadora de cardiopatia, assim como orientar os profissionais envolvidos no seu cuidado a ter o conhecimento dos principais aspectos relacionados à sua doença e reunir o maior número de informações possível para auxiliar o tratamento no Hospital de Clínicas ou em outra unidade de saúde.

“Muitas doenças do coração são complexas e de difícil entendimento sobre o seu comportamento, efeitos e limitações na vida da criança, e essa cartilha ajudará em situações que o paciente ou a família precisar procurar outros serviços de saúde, e o mesmo para profissionais da área médica”, explica a cardiopediatra e idealizadora do projeto, Denise Travessa.

Na cartilha, constam informações individualizadas da criança, como a sua identificação, descrição do problema cardiológico, cuidados e orientações aos pais e aos profissionais de saúde que estarão responsáveis pelo atendimento.

Na FHCGV, foram impressas mil cartilhas que serão entregues no mês de fevereiro para as crianças atendidas pelo serviço de Cardiologia Pediátrica, durante a internação hospitalar e submetidas a tratamento cirúrgico. A ideia é, posteriormente, ampliar a ação aos pacientes ambulatoriais.

“Acreditamos que será uma ferramenta importante para manter a continuidade do atendimento destas crianças e atuar de forma preventiva, reduzindo complicações e o número de internações hospitalares muitas vezes por desinformação”, acrescenta o cirurgião cardiovascular, Marco Travessa.