Crianças de Prainha recebem merenda escolar produzida no campo

Famílias são as responsáveis pela produção

14/01/2020 10h43 - Atualizada em 14/01/2020 11h07
Por Aline Miranda (EMATER)

Pela primeira vez na história de Prainha, cidade no Baixo Amazonas, alunos do ensino fundamental da rede pública estão recebendo merenda escolar com alimentos produzidos nas comunidades onde vivem. Desde o ano passado, 12 famílias do Distrito de Santa Maria do Uruará, às margens do rio Uruará, fornecem hortaliças, frutas e farinha por meio da parceria entre o escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) e a Prefeitura.

O acesso às comunidades é exclusivo por via fluvial: a viagem de barco até a sede do município chega a durar quatro horas. Com a logística dos contratos com a Prefeitura, todos intermediados pela Emater, os agricultores entregam os alimentos diretamente nas escolas.

Por mês, cada família abastece com mais de 500 toneladas de laranja, limão, farinha de tapioca, farinha de mandioca, entre outros, recebendo por isso em torno de R$ 1,5 mil. Outras oito famílias da mesma região já se preparam para iniciar o fluxo.

“É uma transformação socioeconômica e cultural em Prainha. As crianças deixaram de comer coisas industrializadas para se alimentar de produtos saudáveis, naturais, que são parte da identidade regional. É uma valorização da qualidade agregada ao processo de ensino e também do trabalho histórico das próprias famílias das crianças”, diz o chefe do escritório local da Emater em Prainha, o engenheiro agrônomo Sérgio Mieli de Miranda.

De acordo com Miranda, ainda este ano, 12 famílias extrativistas devem começar a participar fornecendo alimentos como açaí, com o apoio de uma cooperativa de Santarém, município-pólo do oeste paraense.

Prainha - O município completou 139 anos no último 7 de janeiro. Localiza-se à beira do rio Amazonas e possui cerca de 30 mil habitantes. Fundado há 35 anos, atualmente o escritório local da Emater atende com regularidade mais de 140 famílias, que trabalham principalmente com a mandiocultura, pesca artesanal (incluindo camarão) e pecuária de corte e de leite.

Uma das metas para este ano é ampliar o acesso ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e explorar o mercado governamental do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).