"Mulheres Marajoaras" apresenta indicadores sociais sobre as mulheres de Bagre

Ação de cidadania que ocorreu paralelamente emitiu 250 RGs, 100 carteiras de trabalho e 100 certidões

12/12/2019 13h45 - Atualizada em 12/12/2019 16h20
Por Claudiane Santiago (SEJUDH)

"Eu era aprisionada psicologicamente, meu marido era ciumento e não me deixava estudar ou falar com as pessoas. O projeto abriu meu coração e minha mente, tomei uma atitude e falei com ele: ou mudava ou a gente separava. Tá mudando, voltei a estudar e ter contato com as pessoas", declarou contente a jovem Paula Silva, de 23 anos após sete anos de casamento.

Paula é uma das mulheres atendidas pelo projeto "Rede de Cidadania: Mulheres Marajoaras, com elas e por elas" da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), que desembarcou, nesta quinta-feira (12), no município de Bagre para apresentar os resultados da iniciativa realizada na localidade no mês de novembro. As atividades no município fecham a programação desta semana do projeto, que fomenta a cidadania e a autonomia à população feminina do Arquipélago do Marajó.

Na próxima semana, o "Mulheres Marajoaras" chegará as localidades de Curralinho e São Sebastião da Boa Vista, para mostrar que às mulheres podem caminhar com as próprias pernas. "Ações como essa permitem incluir as mulheres pescadoras, agricultoras, as quilombolas... A falta de conhecimento nos deixa a mercê dos outros, o projeto despertou para os nossos direitos e para nossa vocação profissional", disse Socorro Formigosa, 41 anos, dona de casa que descobriu a vocação para o empreendedorismo e está em busca de novas oportunidades a partir da venda de cosméticos.

No evento, será realizado um seminário para mostrar o perfil feminino local como base para ser utilizado pelos órgãos executores de políticas públicas no município. A mulher de Bagre atendida pelo "Mulheres Majoaras" é jovem, com ensino médio completo, mas que ainda desconhece os seus direitos, demonstrou o relatório exibido pela técnica da Sejudh, Odilene Andrade.

Também mostrou as propostas apresentadas pelas próprias mulheres do projeto. Para elas, o poder público local precisa ofertar mais oportunidades de emprego e ampliar os serviços de apoio à mulher, como a implementação da Delegacia da Mulher, reativação do Conselho Municipal da Mulher e um espaço para produção e venda do artesanato produzido pelas mulheres.

A proposta do relatório é dar subsidio ao poder público local para implementar ações de fortalecimento da rede de assistência ao segmento. "Feliz em ser parceiro de um projeto tão grandioso, que mostra como podemos avançar a cada dia, vamos dar continuidade para ampliar os serviços, para que elas saibam que não nascemos para ser só dona de casa e mãe, nós nascemos para ser o que quiser", enfatizou a vice-prefeita, Aracy Santa Maria, que também é secretária Municipal da Mulher e da Assistência Social.

Cidadania -  Paralelamente, foi realizada a ação de cidadania, com a emissão das Carteiras de Identidade, de Trabalho, e as retificações das certidões de nascimento e casamento. Mais de 400 pessoas passaram pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras), de Bagre, onde foram atendidas pela equipe técnica da Sejudh.

Foram emitidas 250 RGs, 100 CTPS e 100 certidões, entre casamento e nascimento. "Mais uma ação para atender uma população que tanto precisa. Estamos aqui para levar acesso a documentação básica a essas pessoas, mulheres, homens, crianças, idosos e todos os demais", frisou o coordenador de Cidadania e Direitos Humanos da Sejudh, Bruno Melo.