Estado financia pesquisa da nova variedade de açaí desenvolvida pela Embrapa

A nova cultivar é produzida em terra firme, garantindo o produto na entressafra

01/12/2019 12h44 - Atualizada em 02/12/2019 15h06
Por Governo do Pará (SECOM)

O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), tem um importante papel na concretização da nova variedade de açaí lançada na sexta-feira (29) pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental). Graças ao repasse de R$ 519 mil, oriundos de convênio, foi possível ao órgão federal avançar com as pesquisas que resultaram na nova variedade de açaí, denominada BRS Pai d’Égua, que, diferentemente do fruto tradicional, é irrigado em terra firme.

O secretário adjunto da Sedap, Lucas Vieira - que juntamente com o responsável pelo setor de Fruticultura da Secretaria, Geraldo Tavares -, representou a Secretaria na programação, disse que o lançamento de uma nova cultivar (variedade de planta cultivada) é importante para o Estado, pois o Pará é um grande incentivador da cadeia produtiva do açaí. “Esse valor repassado pela Sedap foi importante, pois serviu para que a pesquisa fosse cada vez mais aprofundada e chegasse a essa cultivar de excelência. Em contrapartida, a Embrapa fornecia para a Sedap sementes de açaí”, informou.

Lucas Vieira explicou ainda que, no total, foram repassadas 36 toneladas de sementes de açaí, que viraram 20 milhões de mudas. “Elas serviram para fomentar a agricultura familiar e o pequeno agricultor, que realmente é quem precisa da ajuda do Estado”, disse o secretário adjunto, acrescentando que a nova cultivar vai permitir a produção do açaí mesmo na entressafra.

Qualidade - A Sedap realiza diversas ações que visam garantir não só a produção em larga escala do açaí, quanto melhorar, cada vez, mais a qualidade do produto. Uma dessas ações, informou o engenheiro agrônomo Geraldo Tavares, é voltada para a qualidade do processamento do açaí. “É para o produtor artesanal, que é a grande maioria dos que trabalham com o fruto. Somente na Região Metropolitana de Belém são 7 mil”, destacou.

Geraldo Tavares disse ainda que a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e as prefeituras são parceiros nesse trabalho com os batedores de açaí. A Sespa promove anualmente capacitação aos produtores. Em Belém funciona a Casa do Açaí, mantida pela parceria entre o governo do Estado e a Prefeitura. “Às terças e quintas-feiras há treinamentos gratuitos para os batedores de açaí da Região Metropolitana de Belém. Essa capacitação é muito importante”, ressaltou o secretário adjunto.

Outro programa citado pelo secretário adjunto é o Pró-Açaí, que incentiva a expansão do plantio, envolvendo a capacitação em conjunto com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater). “A partir de janeiro vamos ter capacitação e manejo de várzea em 24 municípios do Marajó e do Baixo Tocantins, que são as principais regiões produtoras do Estado, além da distribuição de sementes gratuitamente”, anunciou.

Parceria de décadas – A primeira parceria entre o Governo do Pará e a Embrapa para o desenvolvimento de pesquisa de qualificação da produção de açaí data dos anos 1990, viabilizada pela então Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri). De acordo com Geraldo Tavares, o convênio anterior teve como objetivo apoiar o desenvolvimento das pesquisas e a manutenção do campo de produção de sementes da Embrapa em Tomé-Açu, no nordeste paraense. “Em 2005, a Embrapa lançava a primeira cultivar de Açaí para Terra Firme, denominada BRS Pará”, lembrou.

O diretor-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri, ressaltou a importância da parceria que o órgão de pesquisa federal mantém com o governo do Estado, em especial com a Sedap. Ele garantiu que o recurso repassado foi fundamental para a pesquisa, e frisou a importância do trabalho realizado pela Secretaria de distribuição de sementes. Além da parceria voltada para o açaí, a Embrapa mantém um convênio na área de pesquisa e material genético do cupuaçu.

A Embrapa tem, no mínimo, 20 anos trabalhando na pesquisa do açaí. “Esse açaí vem complementar o mesmo material que lançamos na terra firme, que foi o BRS Pará. Agora, o BRS Pai d’Égua vem ser mais um material, e nós estamos deixando de ser apenas extrativistas na região amazônica, que é uma tradição da nossa população ribeirinha, principalmente, e estamos sendo produtores do açaí. É uma semente que vem para maior produtividade. É mais uma opção para o nosso produtor ter o açaí da Amazônia com alta tecnologia”, afirmou o gestor da Embrapa.