Hospital Ophir Loyola alerta para o câncer de pulmão

Doença se tornou uma das principais causas de mortes evitáveis no Brasil

08/11/2019 12h46 - Atualizada em 08/11/2019 13h19
Por Lívia Soares (HOL)

A respiração é uma função vital para a sobrevivência humana e pode ser ameaçada pelo câncer de pulmão, um dos tumores malignos mais comuns no mundo todo, o primeiro em incidência e mortalidade. O mês de novembro é voltado para a saúde do homem e o hospital Ophir Loyola faz um alerta sobre esse tipo de câncer que mais mata homens no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer.

No final do século XX, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis. A taxa de incidência vem diminuindo desde meados da década de 1980, quando o hábito de fumar deixou de ser glamoroso e foi reconhecido como ameaçador à saúde. O fumo é a maior causa para o desenvolvimento da neoplasia maligna de pulmão, além do tabagismo passivo. Cerca de 90% dos casos estão associados ao consumo de derivados do tabaco.

Outros fatores de risco são a exposição a agentes químicos (como arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, urânio, níquel, cádmio, cloreto de vinila e éter de clorometil), presentes em determinados ambientes de trabalho; poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, deficiência e excesso de vitamina A e doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica). Os fatores genéticos e história familiar de câncer de pulmão também favorecem o seu aparecimento.

A estimativa do Inca, para o biênio 2018 - 2019 no Brasil, aponta mais de 30 mil novos casos, 18.740 em homens e 12.530 em mulheres. No Pará, estima-se que 230 homens adoeçam com câncer, além de 190 mulheres. Atualmente, 49 pacientes são atendidos no Hospital Ophir Loyola com esta neoplasia, sendo que a maioria inicia o tratamento com a doença em estágio avançado.

"Os sintomas do câncer de pulmão não aparecem até que o quadro esteja evoluído e, muitas vezes, são confundidos com os de outras doenças, por isso a dificuldade da detecção precoce", afirma o chefe do serviço de cirurgia torácica do HOL, Augusto César Sales.

De acordo com o especialista, é preciso ficar atento para alguns sintomas, como tosse e rouquidão persistente, dificuldade respiratória, dor torácica, fraqueza e perda de peso, além de escarro com sangue. “Geralmente, o câncer de pulmão aparece em pessoas com idade avançada, entre 50 e 70 anos. A investigação da doença pode ser feita através de exames clínicos, laboratoriais e de imagem em pessoas com sinais sugestivos”, explica o médico.

Após a confirmação do diagnóstico, realiza-se exames com a finalidade de identificar o estágio da doença, e se espalhou por meio da corrente sanguínea ou dos vasos linfáticos para outras partes do corpo, dando origem a novos tumores (metástase). A estratégia de tratamento depende da extensão, e pode ser cirurgia, quimioterapia e radioterapia, combinadas ou não.

As terapias podem causar efeitos colaterais, leves ou mais acentuados, dependendo de pessoa para pessoa e podem ser controlados com as indicações do médico. Em pacientes com tumores em fase inicial, as chances de cura com cirurgia são bastante altas, já em casos avançados, são utilizadas terapias combinadas.

"O ponto mais importante não é a descoberta precoce e sim a prevenção. É necessário conscientizar a população sobre os males do fumo. A prevenção é o fator mais importante quando falamos de câncer de pulmão. E se a pessoa fuma ou fumou por mais de 10 anos, deve fazer raios-X de pulmão ou uma tomografia a cada um ou dois anos", ressaltou Sales.