Turismo comunitário é alternativa de renda na comunidade do Santo Amaro

No local, o turista pode conhecer um pouco da floresta amazônica, sua biodiversidade e as comidas típicas da região.

07/11/2019 14h31 - Atualizada em 07/11/2019 16h15
Por Pryscila Margarido (IDEFLOR-BIO)

Navegando pelas águas do Rio Guamá, exatos 30 quilômetros separam a capital paraense da comunidade ribeirinha do Santo Amaro, onde vivem 12 famílias. No local, a natureza reserva aos visitantes um cenário exuberante, formado pelos encantos da fauna e flora da região. A comunidade está localizada a oito quilômetros da Alça Viária, às margens do igarapé Taiassuí, afluente do Rio Guamá, em Benevides. A área faz parte do território do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Metrópole da Amazônia, uma das 26 Unidades de Conservação (UC) estaduais geridas pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), que garante apoio técnico nas áreas para implantar o Projeto AgroVárzea e promover o Turismo de Base Comunitária – TBC.

Há um ano, o casal de agricultores Rosinaldo Furtado da Silva e Eliana Reis da Cruz abraçou a ideia de desenvolver o roteiro turístico na comunidade e hoje abrem as portas de sua residência, onde vivem juntos há quase 20 anos, para receber os visitantes. Chegando cedo, é possível desfrutar de um café da manhã especial. Quase todos os alimentos são preparados a partir de ingredientes cultivados na terra, como o bolo de milho, o de chocolate da plantação de cacau do casal, sucos de frutas como goiaba, cupuaçu e cacau, além do chocolate quente. Já o cardápio do almoço é tipicamente paraense, com peixe frito, sucos e o açaí colhido e batido na hora.

Ainda pouco explorada pelos turistas, a comunidade abriga um pedaço da floresta preservada. Os aventureiros têm a opção de fazer a "Trilha da Paxiúba", de quase um quilômetro de extensão – considerada nível intermediário, onde foram catalogadas 36 espécies da flora. Uma delas dá nome à trilha, a Paxiúba (Socratea exorrhiza), a famosa árvore que “anda”. 

“Ela procura o sol e a água. A cada ano ela muda de posição”, explicou Rosinaldo da Silva, que tem um vasto conhecimento sobre a dinâmica da natureza local.

Floresta em pé – Na trilha, existe também a espécie Apuí (Ficus numphaeifolia L.), um tipo de cipó que, para sobreviver, curiosamente “abraça” e mata uma árvore, ocupando o lugar do vegetal onde cresceu. Do outro lado do igarapé Taiassuí, a floresta guarda ainda uma bela surpresa aos visitantes, uma frondosa Samaumeira (Ceiba pentandra). O exemplar da espécie possui uma sapopema (raízes que formam divisões tabulares em torno da base do tronco) com mais de 20 metros de comprimento.

“As unidades de conservação existem para serem a grande salvação do planeta. Se uma área como essa comunidade não fosse preservada, não teríamos mais o rio, os animais e a floresta em si”, pontuou a diretora de Gestão de Unidades de Conservação (DGMUC) do Ideflor-bio, Socorro Almeida.

O banho no igarapé é outra opção de lazer na comunidade. Além disso, a área também é propícia para a observação de aves.

Projeto AgroVárzea – Assim como nas demais comunidades das quatro Unidades de Conservação (UC) administradas pela Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB), o AgroVárzea promove, desde 2016, a assistência técnica, capacitações e suporte aos comunitários dessas áreas, a fim de fornecer conhecimentos e novas oportunidades de desenvolvimento social e econômico, sobretudo, pensando na cadeia de produção aliada ao turismo comunitário. Há cerca de três anos, o casal Eliane e Rosinaldo foi incluído no projeto e hoje, literalmente, colhem os frutos dessa iniciativa.

Alternativa de renda - Presidente do Ideflor-bio, Karla Bengtson ressaltou que o Instituto aposta no desenvolvimento do turismo comunitário e no incentivo à produção da agricultura familiar com o objetivo de manter a floresta em pé, promovendo a geração de emprego, renda e a valorização dessas comunidades “A gente faz esse acompanhamento garantindo o apoio técnico. E, mais que isso, eles aprendem a agregar valor à produção. Do cacau vem o chocolate, das frutas os doces, as compotas. Há ainda as biojoias e o artesanato. Tudo isso demonstra o potencial que aquela comunidade pode desenvolver”, ponderou a gestora.

Utilizando técnicas de plantio em Sistema Agroflorestal (SAF), o casal cultiva espécies frutíferas como o açaí, o cacau, o cupuaçu e a banana. “É uma outra forma que aprendemos de preservar a natureza. Trabalhar com turismo comunitário nos deu um outro olhar. Fiz curso de manipulação de alimentos no Ideflor-bio”, explicou Eliana, que hoje produz brigadeiro, nibs de cacau e o chocolate em pó para comercializar. “Melhorou bastante a nossa produção. Estamos aprendendo cada vez mais. A gente comercializa o açaí para os feirantes de Benevides e, na entressafra, o turismo comunitário nos dá uma renda extra”, comemora Rosinaldo.

Como chegar: Saindo de Belém, pelo rio Guamá, a viagem tem duração de cerca de uma hora. Há também a possibilidade de acessar à comunidade seguindo pela Alça Viária, antes da primeira ponte, ou pela comunidade do Maravilha, no município de Benevides, Região Metropolitana de Belém.