Empresários conhecem projeto de criação de pirarucu em tanque

10/10/2019 11h12 - Atualizada em 10/10/2019 12h16
Por Rodrigo Reis (EMATER)

Empresários rurais vindos de municípios da Ilha do Marajó e também de outros estados como Goiás e São Paulo, visitaram a propriedade do piscicultor Eduardo Arima, em Benevides, na Região Metropolitana de Belém (RMB). Eles conheceram o projeto de criação de pirarucu em tanque suspenso, projeto da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater). Atualmente, Arima possui 2,5 mil animais dentro de 10 tanques suspensos.

Eles conheceram o projeto de criação de pirarucu em tanque suspenso, projeto da EmaterA visita técnica surgiu com a proposta de promover conhecimento técnico para que novos adeptos se interessem em investir na cadeia produtiva e, com isso, gerar emprego, renda e investimentos em novas tecnologias. Outro desafio é produzir para vender o pirarucu fresco para o mercado de Belém. Com isso, futuramente, o piscicultor pretende focar na exportação do pirarucu fresco. Hoje, ele já atende alguns restaurantes de Belém e já enviou algumas amostras para os Emirados Árabes. O pirarucu de tanque leva, em média, um ano para chegar a 10 kg.

Na opinião de Tiago Catuxo, engenheiro de pesca da Emater e responsável pela implantação do projeto na propriedade de Arima, a visita vai ajudar a criar possibilidades para novos investimentos no setor. “Estamos trabalhando com parceiros para fechar uma cadeia produtiva, então, se os empresários gostarem do projeto será muito bom porque a prática precisa de adeptos para se expandir”.

A mesma visão tem o chefe local do escritório da Emater em Soure, no Marajó, Fernando Moura. Ele foi o responsável por trazer cerca de 20 empresários da Ilha para conhecer a criação do pirarucu em tanque suspenso. De acordo com Moura, houve muito interesse por parte dos empresários rurais em conhecer a prática porque a região tem vocação natural para a piscicultura. Ele conta que piscicultores que trabalham com criação de outros peixes em berçários naturais reclamam que, durante o período de estiagem, há mortandade significativa de pirarucu nos tanques naturais.

“Nesse sentido, a Emater resolver reunir agricultores, empresários e fazendeiros para prestar todo o suporte necessário para alavancar a piscicultura na região. É também uma troca de conhecimentos. Os participantes estão interessados em investir e vamos trabalhar em parceria com técnicos para que não haja desperdício nem comprometimento do meio ambiente e, com isso, garantir ao consumidor um produto de primeira qualidade”, disse Fernando.

O empresário Cloves Oliveira veio de Goiás, na região Centro-Oeste, para conhecer mais da criação de pirarucu em tanque e ficou entusiasmado com a possibilidade de investir na cadeia produtiva. Para ele, o próximo passo é estudar possibilidades para dar início ao projeto na sua propriedade em Cachoeira do Ariri, no Marajó.

“Vejo o Marajó com crescimento muito grande em termos de pescado, principalmente na linha do peixe amazônico como tambaqui e, principalmente, o pirarucu, que considero um boi d’água. E a demanda pela carne do pirarucu no mercado internacional é muito interessante”, comentou.

Políticas Públicas – Já há conversas para discutir a cadeia produtiva do pirarucu com a Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec). O objetivo é criar um protocolo de normas de comercialização da carne e couro tanto para o mercado regional, nacional e internacional. A Codec é responsável por fomentar políticas públicas de industrialização e desenvolvimento econômico do Estado do Pará, além de estimular os investimentos de infraestrutura produtiva, econômica e social no Estado. “O objetivo é produzir para vender e gerar desenvolvimento para o Estado”, afirma Tiago Catuxo, coordenador do projeto.

Legalização – O piscicultor Eduardo Arima é legalizado e segue uma série de normas para produzir e comercializar o pirarucu fresco. Quem quiser trabalhar com o projeto precisa de uma licença simplificada conforme resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e Cadastro Técnico Federal (CTF) emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Quem for exportar é necessário realizar cadastro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em relação à propriedade, precisa do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e outorga de água. Já a propriedade que irá fornecer os alevinos para produção deve estar legalizada junto às autoridades, inclusive com cadastro na Agência de Defesa Agropecuário do Estado do Pará (Adepará).

Demanda – Desde que começou a produção, o piscicultor Eduardo Arima atende o mercado local, mas também recebe demandas do mercado internacional. No último mês, por exemplo, algumas amostras da carne foram enviadas para os Emirados Árabes. E já há solicitação de mercados da Argentina e Uruguai, na América do Sul e Estados-Unidos, na América do Norte. “Hoje, o que produzo para o mercado local é mais que suficiente, além do que a ração e o alevino são oriundos do Estado e o couro também é processado aqui. Quero trabalhar também com o mercado chinês. Estou com projeto para implantar uma câmara frigorífica pensando na crescente demanda internacional”, comenta Arima.

O supervisor adjunto do escritório regional das Ilhas da Emater, Valdeides Lima, acompanhou a comitiva de empresários e se disse muito empolgado com frutos que o encontro poderá gerar. “A Emater trabalha no sentido de promover e criar espaços para que toda a sociedade seja beneficiada com políticas públicas de incentivo. E esse projeto do pirarucu não é diferente: potencializar para desenvolvimento e renda para o Pará”.

Além de técnicos da Emater, participaram também representante da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e Prefeitura Municipal de Benevides. Todos se colocaram à disposição para ajudar a desenvolver a cadeia produtiva do pirarucu em tanque suspenso.