Projeto “Cuidando de quem protege” auxilia PMs na prevenção e tratamento de lombalgia

09/10/2019 23h54 - Atualizada em 10/10/2019 12h31
Por Taiane Figueiredo (PM)

Há três meses, o Batalhão de Polícia de Choque (BPChoq) tem vivido uma experiência diferente da rotina operacional. Uma das tropas mais atuantes da Polícia Militar foi escolhida como público alvo do projeto piloto “Cuidando de quem protege”, iniciativa do Corpo Militar de Saúde, em parceria com a Universidade Federal do Pará, que leva tratamento fisioterapêutico aos policiais que atuam na unidade, visando a prevenção e tratamento de lombalgia. 

O desafio é grande, já que o uso de ferramentas pesadas como arma, capacete, colete e escudos balísticos são inevitáveis no dia a dia do policial “choqueano”. A saída, então, é buscar o fortalecimento da musculatura desse policial, que enfrenta crises que vão desde treinamentos interno até intervenções em casas penais. 

“Eu fiz um levantamento em todos os pelotões do Batalhão de Polícia de Choque. Entre eles, 96% dos militares apresentaram queixa de dor na coluna. Esse trabalho foi publicado no Congresso Internacional de Segurança Pública e a partir daí, comecei a pensar como nós iríamos atuar com a tropa”, explica a capitã Ilca Cardoso, que é fisioterapeuta da Polícia Militar e está à frente do projeto. 

Com dois encontros por semana e uma média de vinte participantes por sessão, os policiais fazem exercícios fisioterapêuticos, utilizando técnicas de fortalecimento do core (musculatura central das regiões do abdome, lombar e pélvica, que protegem a coluna). O trabalho de respiração, alongamento e o relaxamento progressivo de Jacobson também são usados para descanso e estabilização do corpo do militar.

“Toda vez que a gente conclui uma sessão de fisioterapia eu sinto um alívio muito grande nas dores e é algo que a gente pode tirar 15 minutos do nosso tempo em casa e praticar. Eu tenho feito e posso dizer que faz toda a diferença”, explica o soldado Daniel Soares, 35 anos, componente do 2º Pelotão do BPChoq. Quem também tem aproveitado as sessões é o soldado Renato do Carmo, 27 anos, que era um dos que vinham sofrendo com dores na coluna. “Todos gostamos. É de grande valia, tanto para relaxar, quanto para as dores”, relatou o policial que também é componente do 2º Pelotão.

Foi no ano passado que o Batalhão de Polícia de Choque começou a contar com uma profissional fisioterapeuta da Polícia Militar, o que facilitou o desenvolvimento do trabalho na unidade.

“Agora, nós queremos levar o projeto para todos os batalhões do Comando de Missões Especiais. Nos dias 21 e 29 de outubro nós vamos fazer ações com todos os batalhões do CME, nos tatames do Batalhão de Polícia de Choque e do Batalhão de Polícia Tática”, informou a coordenadora do projeto. Para dar conta de todo o efetivo desse comando, a capitã vai contar com o apoio do capitão Ricardo Braga, também fisioterapeuta da Polícia Militar, e a fisioterapeuta vinculada à UFPa, Leonilde Santos. 

“Promover o bem-estar do policial e fazer com que ele tenha um rendimento melhor no seu dia-dia de trabalho”. Para o subdiretor do Corpo Militar de Saúde, coronel Lísio Hermes, esse é o maior objetivo do projeto. Ele também explica que outras especialidades do CMS têm buscado fazer um acompanhamento da tropa na capital e no interior do estado, a exemplo do "Programa Medida Certa" e dos serviços disponibilizados pela Odontomóvel (parceria da Odontoclínica da PM com o Fundo de Assistência Social).  “A fisioterapia ajuda a diminuir as intempéries que a própria profissão policial militar impõe ao profissional, inevitavelmente”, conclui o coronel Lísio.