Palestras levam informações a adolescentes custodiadas pelo Estado

20/09/2019 16h18 - Atualizada em 20/09/2019 18h42
Por Alberto Passos (FASEPA)

Programação no espaço foi voltada aos cuidados com a saúde e a conscientização de algumas doenças com as jovens custodiadas.O Centro de Internação Feminino Provisório (Cefip), localizado em Ananindeua, na Grande Belém, realizou, ao longo dessa semana, uma extensa programação voltada aos cuidados com a saúde e a conscientização de algumas doenças com as jovens custodiadas no espaço. Além disso, a unidade socioeducativa também abraçou a campanha ‘Setembro Amarelo’, que traz um alerta sobre a prevenção do suicídio.

A iniciativa ‘Semana de Saúde do Adolescente’ consiste em um conjunto de ações educativas inclusivas que visa levar informações que contribuam para o processo reflexivo. A idéia é que as jovens desenvolvam hábitos e comportamentos saudáveis. Além da palestra sobre Suicídio na Adolescência, uma roda de conversa sobre HIV e Doenças Sexualmente Transmissíveis será realizada na tarde desta sexta (20), fechando mais um ciclo de encontros com temas diversos.

Aprendizado – “É legal ter essas informações, nós aprendemos várias coisas boas. Eu achei interessante conhecer todos esses assuntos sobre o suicídio, porque hoje em dia muitos jovens estão ‘tirando a própria vida’”, comentou uma das oito adolescentes que estão no espaço. Ela revelou ainda que tais informações a fizeram compreender e refletir sobre uma pessoa do seu ciclo de amizade que cometeu suicídio.

O Cefip é administrado pela Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) e conta, em seu planejamento, com o apoio da rede pública intersetorial parceira da socioeducação, como a Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua, Corpo de Bombeiros Militar do Pará, e instituições de desdrogadição e psicossocial, entre outros.

”Infelizmente, é cada vez maior o número de jovens que cometem suicídio e nós precisamos avaliar e discutir de forma ampla esse assunto. 90% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais”, revelou em tom de preocupação a psicóloga e palestrante, Joelma Martins.

Entre os fatores externos que contribuem para o aumento no número dos casos de suicídio estão “as relações afetivas desestruturadas, a ausência de vínculos sociais e familiares, a necessidade de adquirir bens, consumismo, a ausência dos pais e a maneira equivocada que os mesmos buscam compensar a ausência por um presente”, pontou.

Joelma seguiu, dizendo em seu discurso, que da mesma forma que as pessoas fazem um check-up da saúde clínica, deveriam dar mais atenção a questões de ordem emocional e buscarem informação na prevenção da doença.

Saúde pública – No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, 10 de setembro, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para este grave problema de saúde pública, responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo. Segundo a entidade, poucos países incluíram a prevenção ao suicídio entre suas prioridades de saúde e só 28 relatam possuir uma estratégia nacional para cuidar dos casos registrados.

A atividade envolveu os servidores da Fasepa, os professores da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e as adolescentes que ajudaram a ornar o espaço com cartazes coloridos com informes alusivos aos assuntos abordados durante essa semana. “As ações fazem parte de um projeto voltado à saúde e bem estar das adolescentes que nós realizamos a cada três meses. Apesar de elas ficarem conosco por um período de até 45 dias, elas trazem uma demanda, principalmente relacionada à saúde, que precisamos atender”, destacou a gestora do Cefip, Joaceli Viteli.

Ainda segundo ela, “o intuito é proporcionar um pouco de conhecimento em relação à saúde, para que elas se cuidem, repassem esse conhecimento para os seus familiares, se valorizem e tenham cuidado com a autoimagem, haja vista que muitas não têm um acompanhamento da própria família em relação à saúde”, revelou Viteli.

ECA – Em seu Art. 4º, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.