Santa Casa atinge meta de zero óbito materno no mês de maio

14/06/2019 16h56 - Atualizada em 14/06/2019 18h33
Por Helder Ribeiro (SANTA CASA)

Fundação ajustou protocolos assistenciais, processos de gestão e de trabalho, para alcançar marca
Realizando mais de 900 partos por mês, a Santa Casa do Pará é uma das maiores maternidades brasileiras, sendo referência para pacientes com gravidez de alto risco. Na área da maternidade do hospital, há um trabalho desafiador que é o combate ao óbito materno, número que foi zerado pela instituição no mês de maio.

Segundo a gerente da Tocoginecologia da Fundação Santa Casa, Marília Gabriela Queiroz, em 2013, foi iniciado um trabalho mais atuante, mas ainda imaturo, de análise dos óbitos, seguindo orientações do Ministério da Saúde (MS). "Nessa análise, não buscávamos culpados e sim os fatores predisponentes, ou seja, tudo que poderia ter sido feito para evitar o óbito daquela mulher. Depois, isso era passado para a equipe na forma de protocolos assistenciais, mudanças nos processos de gestão e de trabalho e, assim, a gente foi evoluindo nos processos", afirma a médica.

A gerente explica que, com o tempo, foi identificado que a maioria das mulheres que evoluía a óbito chegavam em um estado grave, com complicações que deveriam ter sido identificadas, tratadas ou prevenidas no pré-natal ou no hospital da sua cidade de origem. Para evitar situações como essas, a Fundação Santa Casa já está fazendo um trabalho extramuros em parceria com os gestores da rede básica de saúde de Belém (responsável pelo pré-natal), Ministério Público e Sespa, para que se consiga organizar a assistência a essas mulheres, desde as Unidades Básicas de Saúde (UBS), passando pelos acessos às Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) até chegar em um nível hospitalar de internação na Santa Casa.

Marília explica que os protocolos mais importantes são as três principais causas de óbito materno: infecção, hemorragia e pressão alta, que são os mais monitorados. "O sistema de informática que usamos permite identificar se a paciente tinha umas dessas doenças. Se for identificado à tempo, tentamos fazer com que toda a equipe aprenda com aquela situação e busque melhorar e dar resolutividade no atendimento ao paciente", destaca Marília.

Maria Isabel veio de Bujaru para ter bebê na Santa Casa, após complicações com pressão altaInterior - Maria Isabel do Socorro, 21, veio de Bujaru ter seu primeiro filho e gostou muito do atendimento que recebeu da portaria a enfermaria. "Fui muito bem atendida graças a Deus. É um ótimo trabalho que fazem aqui. A espera não demorou muito e isso foi importante, pois descobri a gravidez quando já estava com quatro meses de gestação. Me encaminharam para URE Materno Infantil, mas acabei não indo porque já estava com a pressão alta e fiquei fazendo o tratamento lá em Bujaru mesmo", conta.

"Quando começou a aumentar muito minha pressão, fui me consultar e a médica me encaminhou pra cá (Santa Casa), quando fui informada que já estava com 41 semanas, pronta para ter meu filho. A situação acabou complicando, eu já estava tendo convulsões, e acabei fazendo uma cesárea", lembra Isabel.

Segundo Marília Gabriela, a alta gestão foi fundamental para atingir zero óbito materno, com a aquisição de novos equipamentos e kits para cesáreas, curetagem, pós parto normal e de combate à hemorragia.