Especialistas debatem impacto das mudanças climáticas

Alterações nos recursos hídricos foi o foco principal

06/06/2019 20h50 - Atualizada em 07/06/2019 11h11
Por Ronan Frias (SEMAS)

Mudanças climáticas e influências nas águas esteve entre os temas debatidos nesta quinta-feira (06), no auditório do Centro de Excelência e Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon), na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, no segundo dia da programação alusiva à Semana do Meio Ambiente, organizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), junto com a UFPA e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio).

As bacias hidrográficas como instrumento de planejamento na gestão hídrica e Desafios e estratégias de implementação dos planos de recursos hídricos foram outros assuntos definidos para os debates na Semana do Meio Ambiente 2019.

A secretária adjunta de Recursos Hídricos e Clima da Semas, Lilian Haber, avaliou que a Amazônia, por não ser um local de clima homogêneo, precisa de um trabalho conjunto. "Um estado forte é feito pela coletividade, poder público e sociedade. Não é uma questão só da Semas. Passa por várias áreas, pelo valor econômico, agricultura, indústrias e outras atividades produtivas. Pretendemos acordos multilaterais", ressaltou Lilian Haber.

Os desafios para adaptação e mitigação às mudanças climáticas nos recursos hídricos e florestas do Pará foi o tema exposto pelo diretor de Meteorologia, Hidrologia e Mudanças Climáticas da Semas, Saulo Carvalho. Ele fez um histórico da Política Nacional de Mudança Climáticas, desde a implantação em 2009, e do Plano Nacional de Adaptações Climáticas. "Entre as principais premissas da mudança climática no Pará ainda está a concentração na questão do desmatamento, no uso das florestas, nas pastagens e agricultura, na emissão de CO2", informou.

Entre as ações citadas pelo diretor estão a Força-Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas (GCF), que engloba 38 estados e províncias em 10 países que têm florestas tropicais - Brasil, Colômbia, Costa do Marfim, Equador, Indonésia, México, Nigéria, Peru, Espanha e Estados Unidos; o Plano de Prevenção, Controle e Alternativas ao Desmatamento (PPCAD); ICMS Verde, Programa Municípios Verdes, Programa de Regularização Ambiental (PRA), Redução de Emissões de Desmatamento, Plano de Agricultura de Baixo Carbono, Comando e Controle: operações de fiscalização, e compensação financeira para manutenção da floresta, pagamento de serviços ambientais, retribuição por práticas conservacionistas: água e biodiversidade.

Embate - Ao abordar as mudanças climáticas, o geólogo Norbert Fenzl, professor da UFPA, demonstrou o embate atual entre a ciência, a política e os interesses econômicos. Ele explicou que a comunidade científica, hoje, está dividida entre os que acreditam que o carbono (CO2) é o principal responsável pelas mudanças climáticas e os que concordam que há mudança climática, mas duvidam desse impacto do carbono.

"Mais de 2 bilhões de pessoas são atingidas por inundações, secas, ciclones, tsunamis e deslizamento de terras, que causam prejuízos econômicos e sociais incalculáveis. Mas quem é o responsável? O clima? O sistema econômico? Há voracidade em cima dos recursos naturais para satisfazer o consumo, e os gastos prioritários no mundo não priorizam os investimentos sociais. As pessoas estão fugindo das guerras no planeta, não de mudanças climáticas", concluiu Norbert Fenzi.

Também professor da UFPA, o meteorologista Glauber Cirino falou sobre Caracterização físico-química de partículas atmosféricas: potenciais efeitos para o clima e ecossistemas, destacando os aerossóis de componentes biogênicos (naturais), pirogênicos (queimadas) e de emissões urbanas. Segundo ele, "essas partículas misturam-se na atmosfera e as consequências na população e a extensão do alcance dessas misturas ainda estão em estudos", resumiu.

Plano Estadual - À tarde, a engenheira sanitarista da Semas, Verônica Bittencourt, abordou o tema Planos de recursos hídricos: desafios e estratégias de implementação, assegurando que o Plano Estadual de Recursos Hídricos está em andamento, buscando contribuições até maio de 2020.

O diagnóstico para contribuir com a elaboração do Plano Estadual foi realizado com informações ambientais, sociais, econômicas, legais, políticas e institucionais, fornecidas por especialistas hidrológicos e da sociedade em geral, em quatro consultas públicas realizadas este ano nos municípios de Altamira, no oeste paraense, com atenção voltada a 19 municípios englobados pela Macrorregião Hidrográfica do Xingu; em Santarém, reunindo as macrorregiões do Tapajós, Calha Norte e do Baixo Amazonas, que abrangem 26 municípios; em Marabá, no sudeste, com a Macrorregião Tocantins-Araguaia, que tem 32 municípios, e em Belém, na Região Metropolitana, atendendo a 66 municípios das regiões hidrográficas da Costa Atlântica Nordeste e Portel-Marajó.

Após segunda rodada de consultas públicas serão realizadas no segundo semestre, com ênfase nos prognósticos.