Obras do projeto-escola de panificação da Susipe entram na fase final

20/01/2015 19h11
Por Redação - Agência PA (SECOM)

Com 70% das obras concluídas, o projeto-escola de Padaria e Panificação do Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, já iniciou nesta semana a instalação dos novos equipamentos. A previsão é que, no primeiro trimestre deste ano, 25 internas em três turnos recebam capacitação profissional nas áreas de panificação e confeitaria.

A formação faz parte de convênio entre o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), que visa à implantação de oficinas permanentes em estabelecimentos penais e oferta de cursos contínuos para pessoas em cumprimento de pena por meio do Projeto de Capacitação Profissional (Procap).

Em 2013, foram disponibilizados recursos no valor de R$ 6 milhões para financiamento e apoio técnico a projetos de trabalho e geração de renda, voltados à reinserção social de detentos, em 19 Estados. O Pará foi beneficiado com mais de R$ 360 mil, R$ 30 mil do governo estadual e R$ 330 mil do governo federal.

Além do CRF, a Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel (CPASI) também será beneficiada com o projeto. A instalação de uma panificadora na unidade prisional está prevista para o fim desse ano. As duas novas padarias vão aumentar a produção diária já existente, de mais de oito mil pães, feita por internos da Susipe em outras duas padarias que funcionam no Centro de Recuperação Penitenciário do Pará I (CRPPI) e no Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), que atendem 14 unidades penais da Região Metropolitana de Belém, além dos batalhões da Polícia Militar que ficam próximos às penitenciárias. Mais de dez internos trabalham na produção de pães. O trabalho da panificação é feito pelos próprios internos, que são capacitados para exercer a profissão de padeiro.

Com o objetivo de buscar a ressocialização, a Divisão de Educação Prisional da Susipe está ampliando o leque de cursos oferecidos aos detentos e planeja parcerias para criar mais linhas de produção dentro de outras unidades. “Esse projeto é um ganho muito importante para a educação prisional, principalmente para o ensino profissionalizante, este que cada vez mais vem crescendo e garantindo a empregabilidade por meio da qualificação. É uma forma de dar autonomia profissional às internas, garantindo qualificação e uma vaga no mercado de trabalho durante a saída delas. A meta de 2015 é alavancar novos cursos. Alguns já estão em tramitação, aguardando apenas recursos, mas o nosso intuito é profissionalizar mais do que o ano passado, que chegou a 200 cursos oferecidos”, diz a gerente da divisão, Aline Mesquita.

Curso terá aulas teóricas e práticas

Para o curso de panificação, que será ministrado pelos serviços nacionais de Aprendizagem Comercial (Senac) e Industrial (Senai), um espaço dentro do CRF foi totalmente reformado para receber o projeto-escola, no qual as detentas poderão praticar todas as atividades oferecidas, tanto em aulas teóricas quanto práticas. Cerca de 50 internas já estão em processo de seleção para participar da primeira turma do projeto. Para integrar as aulas, elas terão de passar por algumas exigências, como estar com a documentação em dia, ter bom comportamento, aptidão para o serviço e fazer parte do regime fechado.

As internas não aprenderão somente a cozinhar. Fazem parte do treinamento disciplinas como segurança alimentar, higiene dos manipuladores, higienização dos equipamentos, estocagem de pães, prazo de validade, qualidade dos produtos, receitas de pão, croissant, folhados, bolo comum e biscoito.

Segundo a diretora do CRF, Carmen Botelho, a expectativa é que o projeto forme mão de obra qualificada para o mercado de trabalho e permita a geração de renda para as próprias internas. “A capacitação das internas vai ao encontro de uma das principais metas da Susipe, que é assegurar a humanização e ressocialização na assistência a esse público. Trabalhamos no sentido de contribuir para que todas tenham um oficio ao deixar a unidade, e por meio desse projeto futuramente elas poderão vender a produção em uma lanchonete que será construída no prédio. Já vamos começar a buscar parcerias com lojas de conveniência e supermercados também”, garante a diretora.

O curso tem capacitação com carga de 160 horas e terá seis meses de duração. O projeto deve manter-se em atividade contínua dentro da unidade prisional. Após a formação da primeira turma, as internas capacitadas passarão a ser monitoras e trabalharão na orientação de novas turmas.

Segundo o superintendente da Susipe, André Cunha, um dos maiores ganhos com este projeto será a redução da reincidência criminal. “A partir do momento em que devolvemos o preso com qualificação para a sociedade ele irá em busca de uma vida melhor e dificilmente voltará a cometer algum crime, e o programa visa fornecer educação profissional de qualidade, dando ênfase àquela que pode ser a mola propulsora de desenvolvimento do Estado. É importante abrir caminho para que esses internos mudem de perspectiva de vida pessoal e profissional com estudo”, assegura.