Unidades de Ensino Especial da Seduc aprovam alunos no vestibular

25/01/2015 20h34
Por Redação - Agência PA (SECOM)

Ingressar na universidade é sempre uma conquista. Uma emoção redobrada diante dos obstáculos superados, mesmo aqueles que já nascem com o candidato. A Unidade de Ensino Especial Professor Astério de Campos, da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), conseguiu aprovar seis alunos surdos no vestibular 2015. “Passei de primeira e senti muita emoção. Minha mãe também ficou muito emocionada. Até agora é difícil falar disso”, afirma Igor Daivid Santos, 19 anos, surdo, e agora calouro do curso de Educação Física de uma universidade particular em Belém. “Até os 13 anos eu não queria estudar. Meus pais me botaram para fazer esporte, e comecei a gostar. Então estudei e passei. Não sei explicar as dificuldades porque o significado das palavras é diferente, mas consegui”, conta o estudante, auxiliado pela professora Maria José Gomes, que traduz, pela Lingua Brasileira de Sinais (Libras) cada parte da história vitoriosa de seus muitos alunos.

A Unidade Astério de Campos atende 236 alunos, todos com surdez, surdez e cegueira, e outras deficiências associadas a problemas auditivos. Todos são matriculados no ensino regular, e na Unidade têm o reforço educacional. “A maior dificuldade desses alunos é o acesso à comunicação. Eles trabalham com outra língua. A Libras é outro idioma, não tem as mesmas palavras que o português, e às vezes é complicado traduzir. São inúmeras as barreiras. Na hora de enfrentar um processo seletivo para a universidade há mais dificuldades, porque o tempo deles não é o suficiente”, relata a professora Maria José Gomes, especialista em Educação Especial.

A maioria dos alunos da escola que sonha com o ensino superior opta por cursos de licenciatura, Pedagogia ou Letras-Libras. “Quero fazer Pedagogia na UFPA (Universidade Federal do Pará) para aprender essa capacidade que o professor tem de incentivar”, ressalta Mellkys dos Santos, 26 anos, aluno do curso preparatório pré-vestibular da Unidade.

Preparação – A instituição criou um cursinho pré-vestibular noturno para os alunos surdos receberem o preparo especializado. “Nosso maior desafio é o uso da língua, porque eles não têm as necessidades atendidas na maioria dos processos seletivos. Então criamos um cursinho para eles. Usamos vídeos e muitas imagens para que eles consigam se familiarizar melhor com o conteúdo cobrado pelas universidades, de uma forma compreensível”, explica Kátia Lima, diretora da Unidade Astério de Campos.

Ainda que as dificuldades sejam muitas, os alunos não desanimam. “É aqui no curso de vestibular que eu consigo estudar, e está dando certo. Fiz Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e minha redação foi muito boa”, conta a estudante Camila Bahia Rodrigues, 17 anos.

Para a professora Maria José Gomes, o Enem ainda não está preparado para atender os surdos. “O Enem é excludente para eles. Os processos só dificultam. A redação, por exemplo, não é adaptada. São palavras rebuscadas, difíceis para que o tradutor passe em Libras para eles. Eles têm de escrever uma redação em outro idioma. O Português não é a língua deles”, reitera.

O desejo de se superar é maior que qualquer nível de dificuldade. Ana Clara Maciel, 18 anos, cega, é caloura da Universidade do Estado do Pará (Uepa), aprovada para o curso de Música. Ela pretende se profissionalizar em violino, instrumento que já toca há cinco anos. Ana estudava em uma escola particular, mas sentiu que a preparação não era suficiente e procurou a Unidade de Ensino Especializado José Álvares de Azevedo, também vinculada à Seduc, que atende deficientes visuais.

“A dificuldade fica no ensino regular, por isso resolvi ir para o ‘Álvares de Azevedo’, para ter aulas de complemento. Hoje sei que a aprovação é uma vitória minha, da minha família, dos meus professores e da equipe que me atendeu lá”, assegura.

Serviço: Estudantes com dificuldades semelhantes podem procurar as secretarias das Unidades de Ensino Especializado para requerer reforço escolar. A Unidade Astério de Campos fica na Avenida Almirante Barroso, 2.800, no bairro do Souza. Contato: (91) 3276-2744. A Unidade José Álvares de Azevedo fica na Travessa Presidente Pernambuco, 487, em Batista Campos. Contato: (91) 3222-5930. (Texto: Gabriela Azevedo/Secom).