Seduc reestrutura ensino para combater a evasão escolar

24/04/2015 15h56

Do começo do ano até esta sexta-feira, 24º dia letivo da greve dos professores, a rede pública estadual de ensino no Pará já perdeu 57 mil estudantes. O levantamento é da Secretaria de Educação (Seduc), que precisou alterar o calendário de aulas deste ano em virtude da greve da categoria em 2014, que empurrou o término do ano letivo para o começo de 2015. Apesar da paralização, 60% das escolas estaduais mantém o funcionamento normal. A evasão escolar, contudo, é um problema que vem sendo observado com preocupação ao longo dos últimos anos. E para reverter esse quadro, a Seduc vem desenvolvendo ações pedagógicas para fortalecer a relação ensino-aprendizagem nas 1.054 escolas da rede estadual, envolvendo cerca de 700 mil estudantes do Ensino Fundamental e Médio.  

“A nossa missão é garantir o funcionamento das unidades escolares e da própria sede. O governo tem avançado nesse sentido, mas precisamos atuar de forma mais direta e abrangente com todos os profissionais de educação, particularmente com os gestores das unidades administrativas (USEs e UREs) de Belém e interior do Estado, para tornar a escola mais atraente aos jovens, ou seja, para deter a evasão escolar verificada nos últimos anos, por meio de projetos e programas específicos já adotados pela Secretaria”, afirma o secretário de Educação, Helenilson Pontes.

Entre essas ações estratégicas destacam-se o Projeto Mundiar, destinado a combater a distorção idade-ano escolar; o Aprender Mais, de reforço escolar nas escolas estaduais desenvolvido em parceria com a Universidade do Estado do Pará (Uepa); o Jovem de Futuro, que potencializa os projetos em execução nas unidades para dinamizar o ensino e a permanência dos estudantes na escola; o Guia do Estudante, referência na preparação de estudantes para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem); e a nova proposta curricular do Ensino Médio, criada em sintonia com a matriz curricular do Enem e abrangendo a realização de avaliações unificadas bimensais para estudantes desse ciclo escolar ao longo do ano. Inclui-se, ainda, nesta frente a atuação de um grupo de professores na pesquisa e elaboração de ações voltadas para a rede estadual de ensino e o Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI) envolvendo as escolas no redesenho curricular do EM para melhor aproveitamento dos conteúdos ministrados aos alunos.

Essas ações começaram a ser colocadas em prática antes mesmo do início do ano letivo de 2015, mobilizando profissionais de educação em todas as regiões do Estado. O período oficial de aulas começou no dia 9 de março, mas foi interrompido no dia 25 por conta da deflagração da greve dos professores estaduais.

Sensibilização

"A permanência de 60% da rede estadual de ensino em plena atividade é um número significativo dentro da nossa estrutura de trabalho, até porque ao longo desses anos o Estado vem se organizando, melhorando as condições de trabalho. Mas nós sabemos que, na verdade, a família quer o aluno na escola, na sala de aula, quer também um calendário em conformidade com as avaliações nacionais. E como, infelizmente, nós temos sido atropelados pelas greves dos professores, o nosso calendário tem uma defasagem com relação às datas utilizadas nas redes privada e municipal. Isso faz com que os alunos deixem as escolas”, avalia a secretária adjunta de Ensino da Seduc, Ana Cláudia Hage.

Ela afirma que atualmente a Seduc vem se estruturando para retomar as aulas na rede estadual, mesmo com professores contratados, e que uma das prioridades para o período de matrícula de 2016 é trazer de volta os alunos que deixaram a rede. Em caráter mais imediato, a secretária adjunta de Ensino ressalta que o retorno dos professores concursados às salas de aula na próxima segunda-feira, 27, conclamado pela Seduc, contribuirá significativamente para deter o avanço dessa evasão. "É importante que os alunos estejam na escola, não apenas pela manutenção do calendário, mas pela necessidade de manter esse público estimulado, producente e em dia com a sua formação pessoal. Mas para isso precisamos que os professores se sensibilizem, pois eles são parte essencial desse processo", ressalta.

 

Por Redação - Agência PA (SECOM)