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ECONOMIA CRIATIVA

Arte ancestral de Carajás é valorizada na Casa do Artesão do Espaço São José Liberto, em Belém

Mais de 220 empreendedores de todo o Pará, entre eles, 16 cooperativas, expõe peças que expressam a cultura, a identidade e os costumes de seus territórios

Por Governo do Pará (SECOM)
20/10/2026 12h52

No Espaço São José Liberto (ESJL), o artesanato desempenha um papel importante no fortalecimento da economia criativa ao transformar cultura, tradições e saberes em valor econômico e social. Na Casa do Artesão, localizada dentro do ESJL, são comercializadas peças produzidas por artesãos de diversas Regiões de Integração do Pará, que expressam a cultura, a identidade e os costumes de seus territórios. O espaço reúne mais de 220 empreendedores, entre eles 16 cooperativas.

Uma dessas organizações é a Cooperativa dos Artesãos da Região de Carajás Mulheres de Barro, sediada no município de Parauapebas, no sudeste paraense. A cooperativa é formada por 18 mulheres e quatro homens que atuam na produção artesanal em cerâmica.

A cerâmica produzida pelos integrantes do grupo os conecta a uma história milenar, com mais de 6 mil anos de tradição. Todas as peças são confeccionadas manualmente, desde a modelagem à ornamentação. As formas e grafismos são inspirados em vestígios arqueológicos encontrados em sítios localizados na Serra dos Carajás, na Floresta Nacional Tapirapé-Aquiri (Flonata), reforçando a ligação entre a produção artesanal contemporânea e o patrimônio cultural da região.

A pintura das peças utiliza pigmentos naturais extraídos de minerais encontrados no território, como minério de ferro, manganês e argilas coloridas. O resultado são obras com traços precisos e marcantes, que traduzem a riqueza histórica, cultural e ancestral de Carajás.

Para a presidente da cooperativa, Sandra Santos, a entidade é mais do que uma fonte de trabalho e geração de renda, ela é um espaço de valorização pessoal, fortalecimento da autoestima e promoção da autonomia financeira das mulheres. Além disso, contribui para a preservação e o desenvolvimento de bens culturais materiais inspirados em referências arqueológicas, por meio da produção da cerâmica Tapirapé Aquirí, no município de Parauapebas.

Sandra também destaca que a cooperativa fortalece a arte e a cultura na região ao promover a multiplicação de conhecimentos, por meio de ações de formação em educação patrimonial, artesanato cerâmico, artes visuais, incentivo à leitura, difusão cultural e gestão cultural no território de Carajás.

Entre as principais mudanças proporcionadas pela cooperativa às suas integrantes e famílias, Sandra ressalta a qualificação profissional em artesanato cerâmico com identidade arqueológica, a capacitação para atuar como instrutoras de arte e ofício e o empoderamento financeiro das participantes, possibilitado pelas oportunidades de trabalho e geração de renda.

Sobre o Mulheres de Barro

A história do grupo Mulheres de Barro começou durante os programas de prospecção e salvamento arqueológico realizados na área do Projeto Salobo, entre 2005 e 2011. Em oficinas de educação patrimonial, mulheres da comunidade conheceram a história ancestral da região e aprenderam técnicas de cerâmica, transformando o conhecimento adquirido em peças que preservam a memória arqueológica da região.

Serviço

O Espaço São José Liberto, situado na Praça Amazonas, no bairro do Jurunas, em Belém, é uma referência cultural, turística e do patrimônio arquitetônico da cidade. O local abriga o Jardim da Liberdade, a cela Memorial Cinzeiro, lojas de comercialização de joias artesanais, a Casa do Artesão, o anfiteatro Coliseu das Artes e o Museu de Gemas do Pará.

A unidade é mantida pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme). A visita é gratuita, aberta ao público de terça a sábado, das 10h às 18h, e aos domingos e feriados de 10h às 14h. 

Texto: Aldirene Gama / Ascom Sedeme