Outubro Verde reforça combate à sífilis no Pará com ações de prevenção, diagnóstico e tratamento
Sespa intensifica orientações à população e destaca redução de casos de sífilis em gestantes e de sífilis congênita nos primeiros nove meses de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) reforça, neste sábado (17), Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da infecção. A mobilização integra a campanha Outubro Verde e busca conscientizar a população paraense sobre os cuidados necessários para evitar a transmissão sexual da doença e a transmissão vertical, que ocorre da mãe para o bebê durante a gestação.
Instituída pela Lei nº 13.430/2017, a data é celebrada anualmente no terceiro sábado de outubro e mobiliza gestores, profissionais de saúde e a população em torno do enfrentamento da sífilis. No Pará, diversos municípios promovem o Dia D de Combate à Sífilis, com oferta de testes rápidos, distribuição de preservativos internos e externos, materiais informativos e orientações sobre prevenção e tratamento.
A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. Sua principal forma de transmissão ocorre por contato sexual, mas a infecção também pode ser transmitida da gestante para o bebê, especialmente quando não há tratamento ou quando ele é realizado de maneira inadequada. A transmissão também pode ocorrer por contato com sangue contaminado.
Um dos primeiros sinais da doença é o aparecimento de uma ferida geralmente única e indolor, conhecida como cancro duro, que pode surgir na região genital ou anal, acompanhada de ínguas na virilha. No entanto, a infecção também pode permanecer sem sintomas, o que reforça a necessidade de testagem periódica.
O diagnóstico está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), por meio de testes rápidos que apresentam resultados em poucos minutos. A sífilis tem cura, e o tratamento com antibióticos, como a benzilpenicilina, também é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Redução de casos em gestantes e bebês – Dados da Sespa apontam redução nas notificações de sífilis em gestantes e de sífilis congênita no Pará, na comparação entre janeiro e setembro de 2025 e o mesmo período de 2026. Os casos em gestantes passaram de 4.194 para 3.810, uma queda de aproximadamente 9,2%. Já os registros de sífilis congênita diminuíram de 1.143 para 930, redução de 18,6%.
No mesmo período, os casos de sífilis adquirida passaram de 4.853, em 2025, para 5.249, em 2026. Ao longo de todo o ano de 2025, o Estado registrou 6.489 casos de sífilis adquirida, 5.556 em gestantes e 1.514 de sífilis congênita.
Segundo a farmacêutica-bioquímica da Coordenação Estadual de IST/Aids da Sespa, Charliana Damasceno, doutora em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários, a ampliação da oferta de testes rápidos nos últimos cinco anos tem contribuído para identificar mais casos, fortalecer a vigilância epidemiológica e garantir o encaminhamento dos pacientes e de suas parcerias sexuais para tratamento.
"A ampliação da testagem permite identificar os casos de sífilis adquirida e em gestantes, assegurar o tratamento adequado e orientar as parcerias sexuais. Esse trabalho é fundamental para o controle da sífilis congênita, porque prevenir e tratar a infecção na população também significa reduzir os riscos de transmissão durante a gestação", explicou Charliana Damasceno.
A especialista destacou que o aumento das notificações de sífilis congênita observado entre 2021 e 2025 também está relacionado à melhoria da identificação e do registro dos casos em municípios que anteriormente apresentavam silêncio epidemiológico, ou seja, ausência de notificações.
"Com o fortalecimento da vigilância, conseguimos conhecer melhor a realidade de cada região e direcionar intervenções mais efetivas. As notificações de sífilis adquirida permanecem elevadas, mas já observamos redução dos casos em gestantes e, consequentemente, de sífilis congênita. Esses resultados indicam avanços nas ações desenvolvidas em parceria com os municípios", ressaltou.
Fortalecimento da rede de atendimento – Desde 2021, o Governo do Pará, por meio da Sespa, desenvolve o Plano de Ação para o Controle e Eliminação da Transmissão Vertical da Sífilis. Inicialmente, a estratégia contemplou cinco municípios prioritários: Abaetetuba, Cametá, Castanhal, Tucuruí e São Félix do Xingu.
As ações envolveram a qualificação de profissionais da Atenção Primária à Saúde, maternidades, casas de parto, serviços laboratoriais, centrais de abastecimento farmacêutico, unidades especializadas e equipes de vigilância, com foco no manejo clínico, na notificação e na qualidade das informações epidemiológicas.
Em dezembro de 2022, a Resolução da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) nº 115 estabeleceu diretrizes para a implantação da Linha de Cuidado da Transmissão Vertical da Sífilis no Pará, incluindo a criação de Grupos de Trabalho (GTs) de Investigação da Transmissão Vertical nos 144 municípios.
Atualmente, o Estado conta com 96 grupos de trabalho ou comitês de investigação, que atuam na análise dos casos, identificação de fragilidades na assistência, qualificação dos registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e capacitação das equipes municipais.
"A Sespa realiza o monitoramento presencial dos serviços que integram a linha de cuidado da sífilis, identificando necessidades de ajustes e orientando os municípios conforme as diretrizes estaduais e nacionais. Também acompanhamos os indicadores epidemiológicos e a qualidade das informações, para fortalecer a assistência e a vigilância em todo o Estado", detalhou Charliana.
Outra iniciativa é a Oficina de Avaliação e Manejo Clínico, Laboratorial e de Tratamento da Sífilis, estruturada em seis blocos e desenvolvida em parceria com o Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems). O conteúdo está disponível no canal do Cosems no YouTube e serve como instrumento de qualificação para os profissionais da rede municipal.
Reconhecimento das boas práticas – Os resultados das ações desenvolvidas em parceria com os municípios também têm contribuído para o reconhecimento de avanços no enfrentamento da sífilis congênita.
Em 2023, Castanhal recebeu o Selo de Boas Práticas Bronze rumo à eliminação da sífilis congênita. Em 2025, o município avançou para o Selo Prata, após demonstrar melhorias nos processos assistenciais e no cumprimento dos indicadores estabelecidos.
Neste ano, Abaetetuba também pleiteia o Selo Prata, após alcançar as metas exigidas e avançar para a etapa de avaliação presencial da Equipe Nacional de Validação. "Os resultados de Castanhal demonstram que a organização da rede de atendimento e o aperfeiçoamento dos processos podem contribuir para o alcance das metas. Agora, Abaetetuba também avança nesse caminho, com indicadores que permitiram chegar à etapa de validação nacional, quando será verificado o funcionamento dos serviços e dos fluxos de atendimento no município", informou Charliana.
Acesso ao tratamento – Entre os avanços recentes, a Sespa também destaca a publicação da Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, que estabelece o fluxo de atendimento e dispensação de medicamentos antimicrobianos para pessoas com sífilis adquirida, gestantes e suas parcerias sexuais na Atenção Primária à Saúde.
A medida busca garantir o acesso oportuno ao tratamento, especialmente nos serviços que não dispõem de assistência presencial de um profissional farmacêutico, evitando atrasos no início da terapia e fortalecendo a prevenção da transmissão vertical.
Programação do Outubro Verde – Como parte das ações de conscientização e qualificação profissional, a Sespa realizará, nos dias 22 e 23 de outubro, uma oficina sobre a Linha de Cuidado da Sífilis na Unidade de Referência Materno-Infantil e Adolescente (Uremia) e na Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Uredipe).
O encontro ocorrerá no auditório do Nível Central da Sespa e abordará a atualização e implantação de fluxos de atendimento, notificação e manejo clínico dos casos.
A Secretaria também participou, no dia 14 de outubro, em Marabá, do Workshop Regional sobre Sífilis Gestacional e Congênita: da Decisão à Ação, reforçando a articulação entre Estado e municípios no enfrentamento da infecção.
Prevenção e diagnóstico precoce – A Sespa orienta que a prevenção da sífilis adquirida envolve o uso de preservativos internos ou externos durante as relações sexuais e a realização periódica de testes rápidos, especialmente entre pessoas sexualmente ativas.
A testagem é fundamental porque a doença pode permanecer assintomática por longos períodos. Sem diagnóstico e tratamento, a infecção pode evoluir para formas graves, comprometendo órgãos como coração e cérebro, além de ossos e outros tecidos, podendo levar à morte.
Para prevenir a sífilis congênita, a principal recomendação é iniciar o pré-natal precocemente e realizar a testagem para sífilis durante o acompanhamento da gestação, incluindo o primeiro, segundo e terceiro trimestres, conforme os protocolos de saúde.
Quando a infecção é identificada, a gestante deve realizar o tratamento completo prescrito pelo profissional de saúde, além do acompanhamento mensal com exame VDRL, conforme orientação assistencial. A avaliação e o tratamento das parcerias sexuais também são fundamentais para evitar novas infecções.
Serviço: A população pode procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) para realizar gratuitamente o teste rápido de sífilis e receber orientações sobre prevenção e tratamento pelo SUS. As gestantes devem manter o acompanhamento pré-natal e realizar os exames recomendados pelos profissionais de saúde.
Texto: Roberta Villa Nova

