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Hospital Ophir Loyola leva atendimento multiprofissional à casa de pacientes que precisam da medicina paliativa

Serviço do Centro de Cuidados Paliativos oferece acompanhamento médico, de enfermagem, psicologia e assistência social, além de atendimento especializado

Por Lázaro Magalhães (SECOM)
08/10/2026 13h05

O cuidado em saúde também pode ser oferecido dentro de casa. Para pacientes que enfrentam doenças graves e, devido a limitações clínicas ou de mobilidade, já não conseguem se deslocar até uma unidade de saúde, o Centro de Cuidados Paliativos do Hospital Ophir Loyola (HOL), em Belém, oferece acompanhamento domiciliar multiprofissional, levando assistência, orientação e segurança ao paciente e a seus familiares.

A visita domiciliar integra a assistência oferecida pelo Centro de Cuidados Paliativos a pacientes que necessitam desse tipo de acompanhamento e residem em Belém, mas não têm condições de utilizar o atendimento ambulatorial.

A coordenadora do Centro de Cuidados Paliativos, médica geriatra Daia Hausseler, explica que ainda existe uma percepção equivocada de que os cuidados paliativos são destinados exclusivamente a pacientes em condições irreversíveis.

“Na verdade, o cuidado ao fim da vida faz parte do cuidado paliativo, mas não é a única forma de abordagem. O momento ideal para iniciar a abordagem de cuidados paliativos é por ocasião do diagnóstico, e a oferta do cuidado vai se tornando crescente à medida que a doença avança, finalizando com o cuidado de fim de vida”, explica.

Segundo a médica, o cuidado paliativo é uma abordagem voltada ao paciente e aos familiares que enfrentam uma doença sem perspectiva de cura, com ênfase na qualidade de vida, no alívio do desconforto e no suporte integral. O acompanhamento também pode se estender aos familiares após o falecimento do paciente, por meio do apoio ao luto.

Cuidado levado para dentro de casa

A visita domiciliar permite que a equipe acompanhe o paciente no ambiente em que ele vive, especialmente quando o deslocamento até o hospital é inviável.

“É uma forma de trazer segurança para aquele paciente que já tem uma dificuldade de locomoção. O cuidado é trazido para dentro do domicílio, trazendo segurança para o paciente e a família, porque existe uma equipe de suporte com quem contar”, destaca a coordenadora.

Durante as visitas, o paciente é avaliado de forma integral. Orientações, prescrições e procedimentos necessários são realizados no próprio domicílio.

Atualmente, o serviço realiza até 10 atendimentos multiprofissionais por semana. Além da equipe que acompanha regularmente os pacientes, na sexta-feira há atendimentos especializados com profissionais de fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional, conforme as necessidades identificadas.

Atendimento começa no hospital

Antes de chegar à assistência domiciliar, o paciente passa por avaliação da equipe. De acordo com a médica Beatriz Lassance, integrante do Centro de Cuidados Paliativos, é feita uma triagem diária no Hospital Ophir Loyola para identificar pacientes que podem ser acompanhados pela equipe de cuidados paliativos e aqueles que apresentam indicação para a modalidade domiciliar.

“Depois, aqueles pacientes que estão internados no nosso hospital, no momento da alta, e que residem em Belém e não têm condições de fazer um seguimento via ambulatorial, são encaminhados para o serviço domiciliar”, informa Beatriz Lassance.

Entre os critérios estão situações como acamamento, déficit importante de mobilidade ou condições clínicas que dificultem o deslocamento até o hospital.

Após o encaminhamento, é realizado o acolhimento do familiar e a admissão do paciente no serviço. Em seguida, é marcada a primeira visita de uma equipe multidisciplinar.

Atualmente, fazem parte da equipe profissionais de medicina, enfermagem, psicologia e serviço social. O trabalho conjunto permite que, além das necessidades clínicas do paciente, sejam identificadas demandas emocionais e sociais da família.

“O cuidado paliativo abraça muito a importância da equipe multidisciplinar. A gente não atende somente o paciente, mas também identifica demandas dos próprios familiares”, ressalta a médica.

Acesso a procedimentos

Um dos pacientes acompanhados pelo serviço já recebe a assistência domiciliar há cerca de sete anos, após uma internação prolongada no HOL.

A esposa desse paciente, Nazaré do Socorro, conta que ele foi internado para passar por cirurgia na próstata e permaneceu por cerca de seis meses no hospital, após sofrer uma parada cardiorrespiratória no terceiro dia do procedimento.

Na alta médica, ele já foi encaminhado ao acompanhamento domiciliar. Desde então, a equipe passou a atendê-lo na residência.

Para Nazaré, a assistência representa uma mudança significativa na rotina. O marido tem limitações de mobilidade e precisa de cuidados específicos. “Para levar ele ao hospital é muito difícil, porque ele não senta. Precisa de ambulância. É complicado”, relata.

Com a visita domiciliar, o paciente tem acesso a vários procedimentos, como troca de sondas, curativos, orientações e avaliação de outras necessidades.

“Eles vêm, veem tudo que está precisando, me dão a receita e fazem a troca das sondas. É uma ajuda muito grande”, acrescenta Nazaré do Socorro.

Apoio garantido para quem cuida

O cuidado oferecido pelo Centro de Cuidados Paliativos não se limita ao paciente. A equipe também acompanha as condições emocionais e sociais de quem exerce o papel de cuidador.

Nazaré ressalta o suporte oferecido pela psicóloga durante as visitas. “Ela pergunta como eu estou, se estou bem, se estou precisando de ajuda. Se estiver precisando, a gente conversa”, informa.

Para a família, a presença da equipe proporciona segurança e reduz a necessidade de deslocamentos. “É um acompanhamento muito bom. Tem muitas pessoas que não têm condição de estar indo para o hospital ou ao posto. Essa visita que eles fazem é muito importante”, enfatiza Nazaré, resumindo em uma palavra o significado do acompanhamento domiciliar: “Gratidão”.

A experiência traduz o propósito da assistência domiciliar em cuidados paliativos: garantir que o paciente seja cuidado de forma integral, respeitando suas necessidades, sua condição clínica e seu ambiente familiar, por uma equipe preparada para oferecer suporte também a quem está ao seu lado nessa trajetória.

Texto: Ascom/HOL