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Estudantes de Abaetetuba aprendem sobre sustentabilidade a partir do próprio território

Projeto desenvolvido pelo Sistema Moddular de Ensino promove a educação ambiental, a cultura e a Agenda 2030 em comunidades ribeirinhas e envolve alunos em atividades de preservação

Por Lázaro Magalhães (SECOM)
08/10/2026 12h28

Nos rios, nas escolas, nas olarias e nas áreas de floresta, estudantes do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), em Abaetetuba, no Baixo Tocantins, encontraram diferentes formas de aprender sobre sustentabilidade. Em seis comunidades do município, conteúdos trabalhados em sala de aula foram relacionados aos saberes locais, às características ambientais da região e aos desafios vivenciados pela população ribeirinha.

A experiência integra o projeto “Entre Rios e Redes: Educação, Cultura e Sustentabilidade na Amazônia”, desenvolvido com apoio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), por meio da Coordenadoria de Educação Ambiental (CEAM), da Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Abaetetuba e da gestão escolar.

As atividades foram realizadas nos territórios do Rio Paramajó, Maúba Estrada, Rio Urubuéua, Rio Maúba, Rio Piquiarana e Rio Maracapucu Santa Maria. Em cada comunidade, os estudantes participaram de ações relacionadas à realidade local, envolvendo Educação Ambiental, preservação dos ecossistemas, valorização cultural, produção de conhecimento e participação social.

A experiência também se insere na política estadual de Educação Ambiental. O Pará foi o primeiro estado brasileiro a estabelecer a Educação Ambiental, Sustentabilidade e Clima como componente curricular obrigatório na rede pública estadual. Prevista na Lei Estadual nº 9.981/2023, a medida passou a ser implementada a partir de 2024 e alcançou mais de 500 mil estudantes da Educação Básica.

De acordo com a Seduc, a política considera as diferentes realidades do território paraense e, no caso das comunidades ribeirinhas, permite aproximar os conteúdos escolares dos modos de vida, dos saberes tradicionais e dos desafios ambientais vivenciados pelos estudantes. Em Abaetetuba, essa proposta ganhou forma a partir das características de cada comunidade.

“O 'Entre Rios e Redes, Educação, Cultura e Sustentabilidade na Amazônia' tem como objetivo principal promover uma educação ambiental crítica, contextualizada e transformadora, que reconhece e valoriza a identidade ribeirinha, os saberes tradicionais e as experiências dos estudantes em seu território”, explica a professora Meriam Abreu, responsável pelo projeto.

A professora explica que o território é o ponto de partida para a aprendizagem. “A escola aprende com o território. Os rios, as comunidades, os modos de vida, a cultura, o trabalho, os saberes e as relações estabelecidas entre a comunidade e o meio ambiente são elementos essenciais para a construção do conhecimento. O aluno deixa de ser um mero receptor de conhecimento e passa a ser um protagonista da sua própria história.”

Cada território, uma experiência de aprendizagem

A proposta foi adaptada às características de cada comunidade. No Rio Paramajó, os estudantes participaram da Olimpíada Restaura Brasil de Restauração dos Ecossistemas 2025 e desenvolveram atividades práticas de recuperação ambiental. 
A experiência também deu origem à Nossa COP Ribeirinha, com oficinas, exposições, debates, apresentações culturais e ações de restauração de um ecossistema de várzea no entorno da escola.

No Rio Urubuéua, as mudanças climáticas e a COP30 foram o ponto de partida para a realização da Central da COP, em parceria com o Observatório do Clima. Em Maúba Estrada, os alunos trabalharam a importância da floresta, os resíduos sólidos e a cartografia social, além de participarem da implantação do Bosque Agroecológico Domingos Moraes Ribeiro.

Já no Rio Maúba, o projeto aproximou o conhecimento escolar dos saberes e fazeres tradicionais da comunidade. Pesca, resíduos sólidos e produção cultural estiveram entre os temas trabalhados. Os estudantes também deram continuidade ao documentário “Borqueio: uma alegoria de saberes” e participaram da Mostra Cine Pará 2026: Dos Rios e Igarapés ao Oceano.

“Em cada comunidade, que a nossa equipe do SOME vem trabalhando, nós vamos adequando esse projeto à realidade local. No Paramajó, trabalhamos no contexto da restauração dos ecossistemas. No Rio Urubuéua, trabalhamos no contexto da COP30. Na estrada Maúba, a importância da floresta, os resíduos sólidos e a cartografia social. No Rio Maúba, partimos para a pesca, para a produção de paneiros e para a carpintaria naval”, disse a professora Meriam Abreu.

Nos rios Piquiarana e Maracapucu Santa Maria, o foco se voltou para a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os estudantes participaram de atividades de campo e produziram cartilhas que relacionam as metas globais às características das próprias comunidades.

Entre os materiais estão “Do Global ao Ribeirinho: A Agenda 2030 no Rio Piquiarana, Abaetetuba-PA”, “O Mapa da Minha Jornada: Construindo Meu Projeto de Vida”, “Unidos Hoje, Preparados para o Amanhã” e “Território, Identidade e Sustentabilidade: os ODS no Rio Maracapucu, Abaetetuba-PA”. As produções foram apresentadas na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes 2026.

No Rio Maracapucu, a discussão dos ODS também foi relacionada à produção cultural. Os estudantes visitaram olarias e participaram de uma oficina de pintura de potes de cerâmica, utilizando uma atividade tradicional da comunidade como ponto de partida para o trabalho pedagógico.

Ao longo do projeto, temas como aquecimento global, mudanças climáticas, resíduos sólidos e Agenda 2030 foram trabalhados a partir de situações conhecidas pelos estudantes. A intenção foi aproximar conceitos globais da realidade das comunidades.

Meriam Abreu acrescentou: “Nós debatemos aquecimento global, resíduos sólidos e outros alertas ambientais partindo da comunidade. Transformamos a teoria em algo prático. Discutimos a Agenda 2030 dentro do território ribeirinho. Trabalhamos os ODS, suas metas e a aplicabilidade dentro dessas comunidades”.

A proposta também levou os estudantes a observar como políticas públicas relacionadas à sustentabilidade são aplicadas no território. Ao discutir as metas da Agenda 2030, eles analisaram sua relação com o Brasil, o Pará e Abaetetuba e produziram materiais próprios para registrar os conhecimentos construídos durante o percurso.

Para a professora, essa aproximação entre escola, comunidade e território também contribui para valorizar a identidade amazônica. “Nosso projeto busca essa valorização da cultura local, da história, da memória, dos saberes e das pessoas que vivem no território. Estamos construindo pontes entre escola e comunidade, entre conhecimento científico e saber tradicional, entre local e global”, afirma.

O projeto desenvolvido pelo SOME em Abaetetuba mostra, no cotidiano escolar, como a política estadual de Educação Ambiental pode ser trabalhada a partir das características de cada território. Ao pesquisar os próprios espaços de vida, os estudantes participam da construção do conhecimento e relacionam os conteúdos escolares a questões presentes na comunidade.

Para a rede estadual, experiências como essa ampliam as possibilidades de desenvolver a Educação Ambiental em diferentes contextos do Pará, aproximando sustentabilidade, clima e preservação ambiental da vida dos estudantes.

Em Abaetetuba, rios, florestas, atividades produtivas, manifestações culturais e questões ambientais passaram a fazer parte do percurso de aprendizagem. O território, além de cenário, tornou-se fonte de conhecimento e ponto de partida para que os estudantes compreendam os desafios do presente e pensem sobre o futuro das comunidades onde vivem.

Texto de Amanda Castro - Ascom / Seduc