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Fundação Cultural lança Rede Estadual de Clubes de Leitura na Feira Pan-Amazônica do Livro

Sete municípios já integram a Rede: Abaetetuba, Augusto Corrêa, Benevides, Barcarena, Marapanim, Tomé-Açu e Viseu. A iniciativa da FCP visa estimular ações que aproximem a população das bibliotecas públicas.

Por Roberta Paraense (SECOM)
31/08/2026 20h00

A Fundação Cultural do Pará (FCP) lançou, nesta segunda-feira (31), durante a 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em Belém, a Rede Estadual de Clubes de Leitura. Desenvolvido pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP), o projeto visa fortalecer e ampliar os clubes de leitura existentes nos municípios paraenses, além de incentivar a criação de novos grupos em bibliotecas públicas em todo o Estado.

O lançamento reuniu representantes dos sete municípios que integram inicialmente a Rede: Abaetetuba, Augusto Corrêa, Benevides, Barcarena, Marapanim, Tomé-Açu e Viseu. A iniciativa busca promover a troca de experiências entre os clubes, oferecer orientações aos participantes e estimular ações que aproximem a população das bibliotecas públicas.

A Rede visa fortalecer e ampliar os clubes de leitura já existentes e incentivar a criação de novos grupos

De acordo com Lindalva Campos, gerente do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas da FCP, a criação da rede representa um novo momento para grupos que já desenvolvem atividades de leitura em vários municípios.

“O evento de hoje é muito especial. Todos que estão aqui já desenvolvem clubes dentro de seus espaços, de suas bibliotecas. A ideia de criar essa rede surgiu porque antes não tínhamos essa articulação. Os clubes trabalhavam de forma mais isolada e, a partir de hoje, teremos reuniões on-line, orientações e encontros mensais com esses grupos”, explicou a gerente.

Ampliação - Segundo Lindalva Campos, a expectativa é que a iniciativa contribua para a multiplicação dos clubes e alcance novos municípios. Além de fortalecer os grupos já existentes, a rede pretende ampliar a participação da comunidade nas bibliotecas.

“A tendência é a multiplicação desses clubes, procurando reproduzir essa ideia em mais bibliotecas de outros municípios e alcançar cada vez mais pessoas. O maior objetivo desse grupo é aproximar a comunidade da biblioteca. Temos clubes voltados para diferentes faixas etárias, mas a maioria é formada por crianças e adolescentes, que são públicos importantes para atrair para esses espaços”, destaca.

Protagonismo juvenil - Raissa Ferreira, coordenadora do Clube de Leitura da Casa de Cultura de Viseu (município do Nordeste paraense), disse que o projeto surgiu após a inauguração da Casa de Cultura e da Biblioteca Pública Professor Manoel Sousa Gonçalves. Segundo ela, o interesse de jovens e adolescentes pela nova biblioteca foi um dos principais fatores que motivaram a criação do clube.

“Percebemos um interesse crescente de jovens e adolescentes em conhecer a biblioteca recém-inaugurada. Com o objetivo de fomentar essa curiosidade e transformar o interesse inicial em algo mais substancial, decidimos criar um espaço dinâmico, participativo e criativo”, informou.

Raissa Ferreira explicou ainda que o clube surgiu da necessidade de proporcionar aos jovens uma experiência que fosse além da leitura dos livros. Os encontros passaram a incluir debates, dinâmicas e produções artísticas inspiradas nas obras lidas pelos participantes.

Atualmente, o grupo reúne cerca de 40 integrantes, com idades entre 11 e 17 anos. Os encontros são realizados duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras. Para a coordenadora, “é um desafio gratificante, especialmente porque os participantes demonstram um grande engajamento. Muitos estão conosco desde o ano passado e, mesmo ao atingirem a maioridade, desejam permanecer no grupo, integrando-se aos mais novos. A expectativa é que a demanda por novas vagas continue crescendo, o que fortalece a importância do projeto como um espaço de protagonismo. Acredito que a integração à rede de clubes da Fundação será fundamental para ampliar a voz desses jovens e proporcionar-lhes mais oportunidades em eventos culturais”.

Troca de experiências - O Clubinho de Benevides também integra a iniciativa. A coordenadora do grupo, Elizabete Silva, disse que, atualmente, o clube conta com cerca de 27 participantes, a partir de 15 anos, até a idade adulta.

Criado em março de 2024, o grupo busca estimular a leitura e a participação ativa dos integrantes em discussões sobre as obras escolhidas. Com a adesão à rede estadual, a expectativa é ampliar a visibilidade do projeto e fortalecer a articulação com outros clubes do Pará.

“Esperamos que, ao estarmos inseridos no Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, tenhamos maior visibilidade e promovamos um diálogo mais fluido entre os membros. Nosso intuito é desenvolver projetos conjuntos, visto que as bibliotecas públicas, por vezes, enfrentam um processo de invisibilidade”, destacou Elizabete Silva.

Para a coordenadora, a integração entre os municípios permitirá compartilhar experiências e adaptar iniciativas desenvolvidas em diferentes localidades às realidades de cada comunidade. “É fundamental que esses espaços sejam reativados e se tornem mais participativos. Acredito que, unidos em comunidade, conseguiremos estabelecer metas e articular ações estratégicas para movimentar nossos espaços. Ao conhecer as iniciativas realizadas em Barcarena, percebo que muitas delas podem ser adaptadas à nossa realidade”, afirmou.

Instrumento de transformação - Entre os participantes do Clubinho de Benevides está Thalison Nascimento, 22 anos. Frequentador do grupo desde o início de 2026, ele contou que a participação nas atividades contribuiu para ampliar seus conhecimentos e sua visão de mundo.

“Minha trajetória no Clube do Livro tem sido fundamental para o meu desenvolvimento pessoal e crítico. Quando ingressei, no início de 2026, deparei-me com participantes que possuíam uma bagagem literária mais vasta que a minha. Contudo, essa diferença me serviu de estímulo, e não de barreira. Dediquei-me a buscar o conhecimento necessário para acompanhar as leituras e participar ativamente das discussões”, relatou.

Segundo Thalison Nascimento, o contato com vários autores e obras também provocou mudanças na maneira como ele compreende as relações humanas. “Esse processo de aprofundamento transformou significativamente minha forma de pensar e agir. Ao entrar em contato com obras de autores como Machado de Assis e Freud (Sigmund Freud), adquiri ferramentas para compreender melhor as dinâmicas interpessoais e as motivações humanas, inclusive no âmbito familiar”, acrescentou.

Com a criação da Rede Estadual de Clubes de Leitura, a FCP pretende consolidar uma articulação permanente entre os grupos, fortalecendo no Pará as bibliotecas públicas como espaços de convivência, formação, debate e acesso democrático à literatura.

Texto: Mauricio Carvalho - Ascom/FCP