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SAÚDE E PESQUISA

Marabá sedia I Congresso Amazônico de Hanseníase com destaque para atuação do ambulatório da Uepa

Evento reúne especialistas e pesquisadores para discutir diagnósticos, tratamentos e avanços no enfrentamento da doença na região

Por Marília Jardim (UEPA)
27/08/2026 16h35

Marabá será sede do I Congresso Amazônico de Hanseníase, realizado de 27 a 29 de agosto, reunindo especialistas, pesquisadores, profissionais de saúde e estudantes para discutir diagnóstico, tratamento, pesquisa, vigilância e enfrentamento da doença na Amazônia. A programação começa nesta quinta-feira (27), com capacitações técnico-científicas e oficinas práticas na Universidade do Estado do Pará (Uepa). Nos dias 28 e 29, as atividades serão realizadas no Carajás Centro de Convenções – Leonildo Borges Rocha.

O evento é uma realização do Ambulatório de Dermatologia e Hanseníase da Amazônia (ADHAM), em parceria com a Liga Marabaense de Dermatologia (LIMDERM) e o Programa de Pós-Graduação Profissional em Cirurgia e Pesquisa Experimental da Uepa, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa busca fortalecer a assistência, o ensino e a pesquisa sobre hanseníase na região.

Para a médica dermatologista e hansenóloga Diana Melks, o congresso representa um importante momento para a Amazônia e evidencia o trabalho desenvolvido por diferentes profissionais e instituições em prol da saúde da população. “Esse congresso tem uma importância muito grande para a nossa região e para a Uepa em Marabá. Ele mostra o trabalho de estudantes, gestores e profissionais que estão unidos com o objetivo de fazer ciência, desenvolver pesquisas, atender a população e dar um retorno à sociedade por meio de tudo aquilo que nos é proporcionado pela Universidade”, destaca.

Localizado no Campus VIII da Uepa, em Marabá, o ADHAM foi criado para ampliar o acesso da população aos serviços especializados em dermatologia e hanseníase e, ao mesmo tempo, proporcionar um espaço de formação prática para estudantes e profissionais da saúde.

O ambulatório integra assistência, ensino, pesquisa e extensão, atuando no diagnóstico precoce, acompanhamento clínico, tratamento e monitoramento de pacientes. Desde sua criação, já foram realizados mais de 110 atendimentos especializados. O serviço funciona em parceria com instituições de ensino, pesquisa e gestão pública, contribuindo para o fortalecimento da rede de atenção à saúde na região.

Para Luzzana Nascimento Barros, técnica de laboratório da Uepa, a atuação do ambulatório também representa um avanço para a formação dos estudantes e para o atendimento à população. “É de grande importância para a nossa região e para o curso de Medicina da Uepa, pioneiro em Marabá. O ambulatório contribui para a formação dos alunos e dos profissionais que atuam no serviço e, principalmente, oferece um grande apoio aos pacientes com hanseníase”, ressalta. 

Segundo Luzzana, a criação do ambulatório possibilitou o acompanhamento de pacientes com quadros mais graves e reações hansênicas. Por meio da articulação entre a Uepa e a Secretaria Municipal de Saúde de Marabá, os pacientes podem ser encaminhados para iniciar ou dar continuidade ao tratamento e permanecer em acompanhamento especializado.

“Com a criação do ambulatório, chegaram até nós muitos pacientes com quadros graves, principalmente em decorrência das reações hansênicas. Eles fazem todo o acompanhamento por aqui e estão cada vez melhores. A parceria entre a Uepa e a Secretaria de Saúde também possibilita os encaminhamentos para que possam iniciar ou prosseguir com o tratamento”, explica.

A demanda pelo serviço evidencia ainda a abrangência regional do atendimento. Além de moradores de Marabá, o ambulatório recebe pacientes de municípios do entorno, como Eldorado dos Carajás e São Domingos do Araguaia, além de pessoas que vivem na zona rural.

“Tem muita incidência nessa região. Chegam pacientes de Eldorado, São Domingos do Araguaia e de outras cidades do entorno, além de pacientes da zona rural e de Marabá. Inclusive, neste segundo semestre, novos pacientes já procuraram atendimento”, relata Luzzana.

A experiência desenvolvida pelo ADHAM também contribuiu para a realização do I Congresso Amazônico de Hanseníase, que pretende se consolidar como um espaço de atualização científica, intercâmbio de experiências e fortalecimento da pesquisa e da assistência à população. A expectativa é que o evento seja realizado a cada dois anos.

Serviço:

O Ambulatório de Dermatologia e Hanseníase da Amazônia (ADHAM) funciona às quartas-feiras, das 8h às 13h30, no Campus VIII da Uepa, localizado na Avenida Hiléia, s/n, bairro Amapá, em Marabá.

São disponibilizadas seis vagas por atendimento: quatro destinadas a pacientes encaminhados pela regulação municipal de saúde e duas reservadas a servidores e estudantes da Uepa. Além dos casos de hanseníase, o ambulatório também acompanha pacientes com outras doenças dermatológicas, como lúpus e psoríase. O serviço atende crianças, adultos e idosos e realiza, em média, 30 atendimentos por mês.