Sespa realiza fórum do Agosto Dourado e destaca avanço do Pará nos índices de amamentação exclusiva
Evento em Belém debateu ações de apoio ao aleitamento materno e apresentou dados que mostram o Estado superando a meta global da OMS
Com o tema “Amamentação: a base da vida. Uma rede que se conecta para nutrir o futuro: cada elo importa, cada gota vale ouro”, a campanha “Agosto Dourado” de 2026, organizada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e parceiros, prossegue com seminários e ações que elevam a importância da amamentação exclusiva durante os seis primeiros meses de vida da criança.
Nesta segunda-feira (24), ocorreu no auditório da Sespa, em Belém, o primeiro fórum científico da campanha, com o tema “Infâncias que florecem: amamentação, equidade e cuidado na primeira infância”, que renderam três painéis e conferências, cujo denominador comum foi a conscientização sobre a importância da amamentação e o aperfeiçoamento da rede de apoio às mães.
“É notório que o aleitamento materno repercute na boa saúde das crianças, que passam a adoecer menos, reduzindo custos com medicações para as famílias e para o sistema de saúde, com a diminuição de internações. Sem falar que a amamentação é uma prática sustentável, que não gera resíduos, não depende de cadeias industriais poluentes e contribui para a segurança alimentar e nutricional”, destacou o secretário-adjunto de Políticas de Saúde da Sespa, Ivison Carvalho, durante a abertura do fórum, que contou com a participação de cerca de 200 pessoas, entre profissionais e estudantes de vários segmentos de saúde, além da apresentação do Coral da Santa Casa.
Ainda na mesa de abertura, o presidente da Santa Casa de Misericórdia do Pará, Bruno Carmona, enalteceu a presença de todos os órgãos que atuam em prol do incentivo à amamentação como política de Estado e assegurou que a meta de captação de 300 litros de leite por mês prossegue mantida pelo Banco de Leite do hospital, que é referência estadual em saúde materno-infantil. “Com essa união de forças ainda podemos avançar”, disse.
Segundo a coordenadora estadual de Saúde da Criança, Ana Cristina Guzzo, o leite materno é considerado o alimento mais completo para o bebê. Nele, estão contidos todos os nutrientes necessários para o melhor desenvolvimento da criança, diminuindo a ocorrência de diarreias e infecções, causas importantes de morte das crianças menores de cinco anos, ao mesmo tempo em que traz inúmeros benefícios à saúde da mulher, como a redução das chances de desenvolver câncer de mama e de útero.
A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde é que os bebês recebam exclusivamente leite da mãe durante os primeiros seis meses de vida. Estima-se que o aleitamento materno seja capaz de diminuir em até 13% a morte de crianças menores de 5 anos em todo o mundo por causas preveníveis. Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças nessa faixa etária.
No Pará, a amamentação exclusiva entre bebês de 0 a seis meses acompanhados pela Atenção Primária (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 75% de cobertura em 2025. Os números representam um avanço histórico, repercutindo em toda a Região Norte, com o Pará superando a meta global da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estipula 60% de aleitamento exclusivo até 2030.
Os dados foram apresentados pela coordenadora de Saúde da Família da Sespa, Sâmela Galvão, durante a palestra “Atenção primária à saúde e cadeia calorosa de apoio: fortalecimento de políticas por meio do monitoramento dos indicadores de aleitamento materno e desenvolvimento infantil”.
Segundo Sâmela, as estatísticas são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) que, desde 2015, passou a disponibilizar de forma padronizada e contínua os marcadores de consumo alimentar. Este índice indica proporção dos bebês de 0 a seis meses que são acompanhados pela APS e estão em aleitamento materno exclusivo, ou seja, recebem somente leite materno, sem a oferta de água, chás, sucos, outros líquidos ou alimentos. “Isso tem indicado que estamos no caminho certo, ainda que os desafios ainda constem nas mães adolescentes, em parte resistentes à prática do aleitamento”, disse.
Ela também reforçou que a Atenção Primária à Saúde continua tendo um papel fundamental na proteção, promoção e apoio à amamentação. “É nas UBS que as famílias encontram profissionais que acompanham a gestação, o pós-parto e o crescimento da criança, oferecendo escuta, orientação e suporte diante dos desafios que podem surgir ao longo desse percurso. Fortalecer esse cuidado próximo e contínuo é essencial para que mais mulheres se sintam apoiadas e tenham condições de amamentar”, explicou Sâmela.
A estudante de Enfermagem, Samira Caldas, foi uma das participantes do Fórum e já pensa em se especializar na área quando concluir a graduação. Para ela, o tema já a atrai há alguns anos devido à experiência familiar enquanto integrante da rede de apoio às irmãs que já engravidaram. “É o primeiro evento do tipo que participo e estou começando a ter noções sobre os conhecimentos práticos e teóricos sobre a amamentação, compreendendo melhor o manejo clínico da lactação, o acolhimento às mães e a importância da rede de apoio no cuidado materno-infantil. Além desse, ainda participarei de outros eventos do tipo até ao final do mês”, disse.
Texto: Mozart Lira (Ascom/Sespa)

