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DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Planetário do Pará abre exposição gratuita sobre a história da Terra e da Amazônia

Parceria entre Uepa e UFPA reúne paleontologia e arqueologia na mostra “A História Escrita nas Rochas” com réplicas da megafauna e registros rupestres da região

Por Monique Hadad (UEPA)
13/08/2026 14h33

Uma experiência que permite percorrer bilhões de anos da história, por meio de conhecimentos de arqueologia, geologia e paleontologia. Assim se configura a exposição “A História Escrita nas Rochas”, aberta na terça-feira (11), no espaço da Biologia do Centro de Ciências e Planetário do Pará (CCPPA). A nova mostra dá continuidade à exposição “O Mar Perdido de Pirabas”, ampliando o percurso científico para abordar diferentes períodos da história da Terra e sua relação com o passado da Amazônia.

A exposição ficará disponível durante a programação regular do CCPPA e poderá ser conferida nas visitas escolares, realizadas de terça a sexta-feira, e nas visitações abertas ao público, às quartas-feiras, das 14h30 às 17h30, com entrada gratuita, e aos sábados, das 8h30 às 11h30, com ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada), exceto em feriados.

Com proposta interativa e educativa, a mostra conduz os visitantes por uma viagem no tempo, que começa com a origem do Universo (há cerca de 13,8 bilhões de anos) e avança por diferentes períodos da história da Terra até chegar à megafauna da América do Sul. Entre os destaques está a representação de uma preguiça-gigante, um dos grandes mamíferos terrestres que habitaram o continente sul-americano. Herbívoro e dotado de grandes garras, o animal podia pesar até cinco toneladas e atingir cerca de cinco metros de altura, quando se apoiava sobre as patas traseiras.

Esta é a segunda exposição realizada por meio da parceria entre a Universidade do Estado do Pará (Uepa) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). Assim como a primeira mostra, “O Mar Perdido de Pirabas”, esta nova etapa foi desenvolvida por integrantes do projeto de extensão Paleoexploradores, dedicado ao estudo, à divulgação e à preservação do patrimônio paleontológico. A proposta é ampliar o conhecimento do público sobre a paleontologia e aproximar a sociedade desse campo científico por meio de ações acadêmicas, científicas e educativas.

Ciência ajuda a “ler” a história registrada nas rochas

De acordo com o professor da UFPA e um dos organizadores da exposição, Joelson Soares, o título “A História Escrita nas Rochas” traduz a proposta de integrar três áreas da ciência que, apesar de distintas, estão diretamente relacionadas à compreensão do passado da Amazônia. “A arqueologia, a geologia e a paleontologia têm uma forte ligação, principalmente para contar a história da nossa região. Grande parte da nossa história antiga, anterior à invenção da escrita, é contada por meio dos registros presentes nas rochas”, explica.

O professor destaca que cada uma dessas áreas contribui, a partir de diferentes vestígios, para a reconstrução do passado. “Na geologia, estudamos os minerais e as rochas para entender como o nosso planeta evoluiu. Na paleontologia, utilizamos os fósseis presentes nas rochas para compreender a evolução da vida ao longo do tempo geológico. Já a arqueologia trabalha com um passado mais recente, relacionado à nossa civilização, cujos registros também podem ser encontrados em rochas e sedimentos. De certa forma, arqueólogos, paleontólogos e geólogos aprendem a ‘ler’ esses registros para contar a história do passado do nosso planeta”, acrescenta Joelson Soares.

Durante o circuito da exposição, são explicadas temáticas como: a Terra primitiva, a origem dos minerais, o ciclo das rochas, a escala do tempo geológico, a árvore da evolução humana, a chegada dos seres humanos às Américas e os primeiros habitantes da Amazônia. Neste último tópico, é abordado o fato de a Amazônia possuir importantes registros arqueológicos da presença humana. Um dos locais destacados na exposição é a Caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre, no Pará, como explica a técnica em Biologia do CCPPA, Fernanda Barros.

“No Parque Estadual de Monte Alegre, são encontradas pinturas rupestres que são representadas por meio de ilustrações na exposição. Esses registros contribuem para a compreensão da presença humana na Amazônia há milhares de anos e ajudam a revelar aspectos da ancestralidade e da diversidade cultural que marcam o território até os dias atuais”, afirma Fernanda.

Para a pesquisadora Laura Rojas, uma das organizadoras da exposição, um dos objetivos da mostra é estabelecer a conexão entre os conhecimentos apresentados e o território amazônico, evidenciando a riqueza dos patrimônios geológico e arqueológico da região. “A gente quis trazer uma conexão maior com o nosso território, com a Amazônia, e trabalhar também a nossa ancestralidade, mostrando o que temos aqui das culturas ancestrais. A Amazônia possui uma riqueza muito grande de registros da presença humana e das culturas que se desenvolveram ao longo de milhares de anos”, destaca.

Segundo a pesquisadora, muitas dessas heranças permanecem presentes nas manifestações culturais da região. “Temos essas marcas no nosso território e um patrimônio geológico e arqueológico muito grande. Podemos perceber essa ancestralidade, por exemplo, nas pinturas e na arte marajoara, que carregam elementos de culturas que existem há centenas e milhares de anos”, complementa Laura.

Novo espaço amplia experiências de aprendizagem

Conforme o professor Antônio Sérgio Carvalho, coordenador do espaço da Biologia do CCPPA, a nova etapa da exposição representa a ressignificação de um ambiente importante para as atividades de divulgação científica desenvolvidas pelo Centro.

“A equipe do projeto Paleoexploradores trouxe mais vida para o espaço, tornando o ambiente mais interativo e proporcionando novas possibilidades para que os nossos visitantes possam aprender. Ficamos muito felizes com essa parceria. Os integrantes do projeto, com muita dedicação, desenvolveram um trabalho primoroso para o nosso Centro de Ciências, especialmente para o espaço da Biologia. Agradecemos imensamente por esse trabalho em conjunto”, ressalta o professor.