Hospital de Clínicas reúne famílias de crianças com doenças cardíacas para rodas de conversa e apoio
Projeto "Café com Cuidado na Pediatria" desmistifica dúvidas sobre lazer e atividades físicas na infância, além de fortalecer a saúde mental dos cuidadores
O Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), em Belém, realizou, nesta quarta-feira (29), mais uma edição do projeto “Café com Cuidado na Pediatria”, iniciativa que promove educação em saúde e fortalece o cuidado integral de crianças com cardiopatia congênita por meio de rodas de conversa entre profissionais de diferentes áreas e familiares. A atividade reuniu acompanhantes da Clínica Pediátrica, da UTI Neonatal e da UTI Pediátrica em um momento de acolhimento, orientação e troca de experiências.
Realizado quinzenalmente desde fevereiro deste ano, o projeto integra a linha de cuidado da Pediatria e busca ampliar a comunicação entre a equipe multiprofissional e as famílias, abordando a cardiopatia congênita sob diferentes perspectivas e incentivando a participação ativa dos acompanhantes no tratamento das crianças.
A terapeuta ocupacional Geice Cordeiro, explica que a iniciativa também fortalece o trabalho interprofissional dentro do hospital. “Cada encontro reúne profissionais de diferentes áreas para mostrar como cada especialidade contribui para o cuidado da criança com cardiopatia. Participam profissionais da Nutrição, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Educação Física, Medicina e residentes, promovendo um diálogo direto com os acompanhantes e fortalecendo a comunicação efetiva entre equipe e famílias”, destacou.
Segundo Geice, os encontros também têm resultado na produção de materiais educativos. Um deles é uma cartilha que apresenta, de forma ilustrada e didática, a rotina da Clínica Pediátrica e orienta os acompanhantes sobre o funcionamento da unidade. Outro material reúne informações sobre as cardiopatias congênitas e os principais cuidados que devem ser adotados pelas famílias. Ambos estão em fase de aprovação para serem distribuídos aos usuários.
Nesta edição, o tema da roda de conversa foi a importância do lazer e da atividade física para a qualidade de vida e a saúde mental de crianças com cardiopatia congênita. A escolha surgiu a partir de relatos das equipes médicas e de enfermagem sobre dúvidas frequentes apresentadas pelos familiares durante os atendimentos ambulatoriais.
O residente em Saúde Mental da Psiquiatria do HC, Elder Delgado, explicou que a proposta foi desmistificar a ideia de que toda criança cardiopata deve ser privada de atividades recreativas ou esportivas. “Muitas famílias acreditam que essas crianças não podem brincar ou praticar atividades físicas. Nosso objetivo foi mostrar que, quando há orientação da equipe de saúde e avaliação individualizada, muitas delas podem desenvolver atividades importantes para o bem-estar físico, emocional e social. Também reforçamos que cuidar do coração passa pelo cuidado com a saúde mental de toda a família”, afirmou.
Durante o encontro, pais e responsáveis compartilharam experiências e esclareceram dúvidas entre si, fortalecendo uma rede de apoio construída a partir das vivências de quem acompanha diariamente o tratamento das crianças.
Uma das participantes foi Ádria Daiana Santos dos Anjos, de 36 anos, moradora do bairro do Tapanã, em Belém. Mãe de cinco filhas, ela acompanha há doze anos o tratamento da filha Kerolly, que possui paralisia cerebral e cardiopatia congênita. Após passar por uma cirurgia cardíaca aos sete anos, a menina voltou a ser internada no Hospital de Clínicas para avaliação de uma nova intervenção, após exames apontarem a necessidade de substituição da válvula cardíaca implantada anteriormente.
Para Ádria, as rodas de conversa representam um importante espaço de aprendizado e acolhimento. “Eu sempre procuro entender tudo sobre a condição da minha filha. Esses encontros são muito esclarecedores porque aprendemos com os profissionais e também ouvimos a experiência de outros pais. Como já vivemos essa realidade há muitos anos, também conseguimos compartilhar nossa história e ajudar outras famílias”, contou.
Ela destaca que, apesar das limitações impostas pela doença, a filha é incentivada a viver uma infância ativa e participar das atividades que gosta, sempre respeitando as orientações médicas. “Em casa, ela vive como qualquer outra criança. A cardiopatia e a deficiência são apenas uma característica dela. Procuramos oferecer uma infância feliz, incentivando que participe das atividades que gosta, sempre com os cuidados necessários”, frisou.
Texto: Ascom HCGV

