Laboratório do PCT Guamá desenvolve soluções de IA para programa nacional de redes móveis abertas
Lasse contribui para iniciativas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com foco em tecnologias 5G e redes 6G no país
O Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, Automação e Eletrônica, o Lasse, residente do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá e vinculado à Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, participou do programa OpenRAN@Brasil com o desenvolvimento e a aplicação de inteligência artificial para aprimorar o gerenciamento de redes Open RAN.
O Open RAN é um modelo de rede móvel que utiliza conexões abertas e padronizadas, permitindo que equipamentos e soluções de diferentes fabricantes funcionem juntos, ampliando a inovação e a competitividade no setor.
O OpenRAN@Brasil é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) voltada ao fortalecimento do desenvolvimento de redes móveis abertas, 5G e futuras tecnologias 6G no país. Coordenado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), o programa é desenvolvido em parceria com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), o Instituto de Pesquisas Eldorado e o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel).
Contribuição do ecossistema paraense
No âmbito do programa, o laboratório instalado no PCT Guamá desenvolveu soluções baseadas em inteligência artificial capazes de tornar mais eficiente a operação das redes, com distribuição dinâmica e inteligente de recursos em tempo real. Os pesquisadores também criaram demonstrações para validar o funcionamento dessas soluções e orientar sua implementação em cenários reais.
A contribuição do Lasse, que envolveu inteligência artificial e engenharia de telecomunicações, colaborou para a entrega de métodos de IA para distribuição dinâmica e inteligente de recursos em redes Open RAN, que em conjunto com a Unidade de Rádio Aberta, equipamento protótipo desenvolvido no projeto, demonstraram a capacidade de otimização de recursos e a eficiência das redes.
Os pesquisadores Aldebaro Klautau, Cleverson Nahum, Raíssa Costa e Andrey Adailso representaram o ecossistema paraense na reunião de apresentação dos resultados, realizada em 24 de junho, com representantes das instituições parceiras.
Agora, o protótipo seguirá para uma nova fase de testes em ambientes que realizam redes reais, em outras regiões do país. “Nosso trabalho agora não será mais apenas simular, mas sim aplicar a alocação dinâmica de recursos e as decisões automatizadas em um ambiente real, ajustando os modelos de IA, conforme necessário para garantir que a rede aberta entregue todo o seu potencial de eficiência e flexibilidade, especialmente em situações que exigem respostas rápidas”, explica o pesquisador Cleverson Nahum.
Além das entregas técnicas, o Lasse lidera a criação de um portfólio para demonstrar o potencial das redes móveis abertas e estimular o interesse da indústria brasileira pelas oportunidades de negócios e inovação proporcionadas por esse modelo.
Laboratório para testes no PCT Guamá
Como desdobramento da participação no programa, a UFPA e o PCT Guamá vão receber uma ilha OpenRAN@Brasil, com a instalação de antenas externas e internas que formarão um laboratório para testes de aplicações reais, como monitoramento ambiental e vigilância do campus em tempo real.
“Vamos ter duas antenas externas na reitoria e prédio do ITEC, e duas antenas internas no PCT Guamá. Todas as ilhas Open RAN do Brasil estarão interconectadas, o que permitirá que os grupos de pesquisa participantes troquem experiências e colaborem no desenvolvimento de aplicações e soluções para todo o ecossistema”, detalha o pesquisador Cleverson. O projeto de instalação das antenas deve começar nos próximos meses, com previsão de entrada em operação no primeiro semestre de 2027.
Para o Lasse, a implantação dessa infraestrutura representa uma oportunidade de desenvolver e validar novas tecnologias em ambientes reais, aproximando as soluções produzidas pelo ecossistema paraense do mercado, ampliando a colaboração com empresas e fortalecendo a produção científica do laboratório.
A instalação das antenas também permitirá a realização de experimentos que antes dependiam da infraestrutura de operadoras de telefonia. Além disso, a integração das ilhas Open RAN em diferentes regiões do país criará uma rede nacional de pesquisa, ampliando a cooperação entre universidades e indústria e fortalecendo o desenvolvimento de soluções brasileiras para redes 5G e futuras gerações de telecomunicações.

