Hospital da Mulher do Pará realiza primeira cirurgia para tratamento de disfunção em nervo facial
Procedimento amplia a linha de cuidado em neurocirurgia da unidade e oferece nova alternativa terapêutica para pacientes com dor facial crônica incapacitante
O Hospital da Mulher do Pará (HMPA), em Belém, realizou, pela primeira vez, um procedimento cirúrgico para tratamento da neuralgia do trigêmeo, doença que acomete o nervo trigêmeo, principal responsável pela sensibilidade no rosto. A cirurgia representa mais um destaque na ampliação da assistência especializada em neurocirurgia oferecida pela unidade às mulheres.
O procedimento foi conduzido pela equipe de neurocirurgia, coordenada pelo neurocirurgião Nelson Lima, atendendo uma paciente que apresentava dores intensas na face, sem resposta satisfatória ao tratamento medicamentoso. Segundo o especialista, a neuralgia do trigêmeo, também conhecida como trigeminalgia, é uma doença caracterizada por crises de dor facial de forte intensidade, capazes de comprometer significativamente a qualidade de vida e, em muitos casos, limitar as atividades diárias de pacientes.
“No caso específico dessa paciente, que já não apresentava controle adequado da dor com o uso de medicamentos, e preenchia os critérios para tratamento cirúrgico, optamos pela realização da rizotomia por balão. O procedimento consiste na introdução de uma agulha até a saída do nervo na base do crânio, onde um pequeno balão é insuflado para comprimir o nervo, reduzindo a transmissão dos estímulos dolorosos”, explicou Nelson Lima.
De acordo com o neurocirurgião, entre as principais vantagens da técnica estão o baixo risco cirúrgico, o curto tempo de internação e a rápida recuperação. “Na maioria dos casos, o paciente recebe alta hospitalar no dia seguinte ao procedimento, podendo retomar gradativamente suas atividades, sempre com acompanhamento médico”, destacou.
Acompanhamento - O especialista ressalta, no entanto, que a neuralgia do trigêmeo exige acompanhamento contínuo. “Nesse tipo de doença, dificilmente falamos em cura definitiva. As alternativas cirúrgicas funcionam como importantes aliadas do tratamento clínico, proporcionando melhor controle da dor com doses menores de medicamentos”, acrescentou.
Para a diretora-geral do Hospital da Mulher do Pará, médica intensivista Nelma Machado, a realização desse primeiro procedimento reafirma o compromisso da instituição com a ampliação da assistência especializada e a oferta de tratamentos cada vez mais resolutivos para a população.
“Este é um marco importante para o Hospital da Mulher do Pará. Já realizamos mais de 270 neurocirurgias na unidade, e seguimos fortalecendo nossa linha de cuidado voltada ao tratamento de doenças neurológicas e da dor crônica, como a neuralgia do trigêmeo. A incorporação desse procedimento amplia o acesso da população a terapias especializadas, reduz a necessidade de deslocamento para outros serviços e reafirma o compromisso em oferecer uma assistência segura, humanizada e de alta complexidade, sempre com foco na qualidade de vida das pacientes”, destacou a diretora-geral.

