Semas debate economia circular e inclusão produtiva durante a Fipa 2026, em Belém
Secretaria apresentou estratégias para fortalecer a gestão de resíduos sólidos, ampliar a logística reversa e apoiar cooperativas de catadores no Pará
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) participou, em Belém, de dois painéis voltados à economia circular durante a XVII Feira da Indústria do Pará (Fipa 2026). A programação reuniu representantes do poder público, setor produtivo, instituições parceiras e especialistas para discutir soluções capazes de fortalecer a gestão de resíduos sólidos, promover a circularidade de matérias-primas e ampliar a inclusão produtiva de cooperativas de catadores de materiais recicláveis.
O secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, representou a Secretaria nos painéis “Juruti e Economia Circular: parcerias que impulsionam o desenvolvimento sustentável” e “Geração Circular: menos desperdício, mais futuro na nova indústria amazônica”. Também participaram dos debates a coordenadora do Núcleo de Políticas Estratégicas e de Transição Justa da Semas, Adriana Nunes; Rafael Rodrigues, do Instituto Recicleiros; e Lucila Ribeiro, diretora de Relações Governamentais da Alcoa no Brasil, responsável pela mediação de uma das mesas.
Gestão de resíduos e desenvolvimento sustentável
O painel sobre Juruti destacou experiências de parcerias voltadas ao fortalecimento da gestão de resíduos sólidos no município, com apoio à estruturação de aterro sanitário, diagnóstico territorial, articulação de atores locais e valorização dos resíduos. A iniciativa foi apresentada como exemplo de construção integrada entre setor privado, poder público, organizações sociais e cooperativas, com foco em soluções práticas para uma economia circular justa no Pará.
Rodolpho Zahluth Bastos ressaltou que a Semas tem avançado na articulação de políticas públicas que unem regularidade ambiental, responsabilidade compartilhada e inclusão social. Segundo ele, a atuação da Secretaria evoluiu para além do licenciamento ambiental e da educação ambiental, passando a construir estratégias voltadas à preparação do Estado, dos municípios e das cooperativas para a gestão de resíduos com base nos princípios da economia circular.
“Quando falamos de economia circular, não estamos tratando apenas do destino final do resíduo. Estamos falando de uma mudança de lógica, que começa na produção, passa pelo consumo, pela coleta, pela triagem e chega à valorização desses materiais. O Pará precisa construir esse caminho com os municípios, com as cooperativas, com o setor produtivo e com instrumentos públicos capazes de transformar resíduos em oportunidade, trabalho e renda”, afirmou Rodolpho Zahluth Bastos.
Estratégias para fortalecer cooperativas
A atuação da Semas nessa agenda foi fortalecida a partir da reestruturação da Secretaria, em maio de 2025, com a criação do Núcleo de Políticas Estratégicas e de Transição Justa. A unidade atua na formulação de instrumentos normativos e não normativos voltados à economia circular, logística reversa, articulação de parcerias e fortalecimento das cooperativas de catadores.
Adriana Nunes destacou que a transição justa passa pelo reconhecimento do papel histórico dos catadores na cadeia da reciclagem. Segundo ela, o desafio é garantir condições qualificadas de participação, com estrutura, capacitação, equipamentos, galpões e acesso a contratos e serviços.
“Os catadores sempre estiveram inseridos na reciclagem. Na prática, a reciclagem no Brasil só acontece porque essas pessoas realizam grande parte do trabalho dessa cadeia. O que buscamos agora é uma inclusão produtiva qualificada, para que as cooperativas tenham condições de atuar com mais estrutura, segurança e valorização, tanto na coleta seletiva e triagem quanto na transformação dos resíduos em novos produtos e oportunidades econômicas”, ressaltou Adriana Nunes.
A coordenadora também reforçou que o avanço da agenda depende da atuação em rede. Segundo ela, a Semas, por meio da Secretaria Adjunta de Gestão e Regularidade Ambiental e do Núcleo de Políticas Estratégicas e de Transição Justa, vem articulando instituições, empresas, organizações e municípios para construir soluções viáveis diante dos desafios relacionados à presença de lixões e à necessidade de ampliar aterros sanitários e sistemas municipais de coleta seletiva.
Novas estratégias e polos regionais
Entre os instrumentos em construção estão a Estratégia Estadual de Economia Circular, o decreto de logística reversa e a inserção de variáveis relacionadas a resíduos no ICMS Verde. A Semas também trabalha na celebração de acordos de cooperação e adesão com empresas, além de ações ligadas às agendas ESG e condicionantes ambientais para apoiar cooperativas, identificar demandas em campo e viabilizar equipamentos e melhorias estruturais.
Um dos caminhos debatidos foi a criação de polos e hubs regionais de resíduos. O município de Igarapé-Açu foi citado como exemplo de território com potencial para consolidar um hub de vidro, por já receber resíduos desse tipo oriundos de cerca de oito municípios. A proposta é ampliar estudos de cadeias específicas de resíduos no Estado e fortalecer parcerias regionais.
No painel “Geração Circular: menos desperdício, mais futuro na nova indústria amazônica”, Rodolpho Zahluth Bastos voltou a defender a economia circular como estratégia de desenvolvimento para a Amazônia, conectando inovação, redução de impactos ambientais, responsabilidade empresarial e inclusão social, incluindo a contratação de cooperativas para prestação de serviços públicos pelos municípios.
“A indústria amazônica do futuro precisa produzir mais valor com menos desperdício. Isso exige inovação, mas também compromisso com o território e com as pessoas que já fazem parte dessa cadeia. A economia circular é uma oportunidade para o Pará organizar melhor seus resíduos, fortalecer cooperativas, atrair investimentos e construir um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável”, concluiu Rodolpho Zahluth Bastos.
Além do secretário adjunto, participaram do painel Débora Baía, presidente da Concaves; Junimara Chaves, da Sinobras; Eloisio Araújo, da Vale; e Deryck Martins, do Conselho de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa).

