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Hospital Octávio Lobo promove ação de conscientização pelo Maio Laranja

Em parceria com o Parápaz, palestras educativas reforçaram o apoio à campanha nacional de prevenção e enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes

Por Ascom Sespa (SESPA)
21/05/2026 18h11

No Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém, a campanha nacional Maio Laranja ganhou espaço para diálogo, conscientização e proteção da infância. Nesta quarta-feira (21), colaboradores, acompanhantes e pacientes participaram de palestras educativas sobre o enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A ação reforçou o compromisso da unidade, especializada no atendimento oncológico pediátrico infantojuvenil, com a promoção do cuidado integral e da defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

A coordenadora do Centro Integrado de Atendimento à Criança e Adolescente Vítima e Testemunha de Violência, da  Polícia Científica, e assistente social, Vânia Henriques, destacou os sinais de alerta. “Os sinais são muito abrangentes. As crianças, por exemplo, se comportam de maneiras diversas. Algumas podem apresentar tristeza, enquanto outras demonstram sonolência durante o dia e tem uma queda no rendimento escolar. Isso porque a violência ocorre ou se concretiza durante a noite. Então, ela perde o sono e compensa dormindo de dia, na sala de aula. Tanto os profissionais que fazem parte da rede de proteção quanto os familiares devem ficar atentos a essas alterações de rotina e de humor”, enfatizou. 

“A criança pode apresentar irritabilidade e demonstrar que não quer se aproximar de certos familiares. Não a force a interagir, abraçar, sentar no colo ou ir à casa de parentes se ela não quiser. Muitas vezes, ela sinaliza que rejeita a aproximação de um avô, um tio ou uma tia e, por isso, não se deve obrigá-la. Respeite-a; não a exponha a riscos ou a situações de desconforto. Ouça a criança e dialogue sobre as partes íntimas e a prevenção, para que ela se conheça e, em uma eventual situação de risco ou tensão, consiga falar a respeito e pedir socorro”, completou. 

A programação utilizou elementos lúdicos, como o uso de bonecos e dinâmicas interativas para deixar a mensagem mais leve. O “Semáfaro do Toque” ajudou a sinalizar onde pode, não pode tocar e as áreas que requerem atenção, educando a família para o cuidado com os filhos. Outro tema discutido foi a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trouxe recomendações sobre uso de tecnologias como inteligência artificial, aplicativos que mudam a voz, e fazem parte do cotidiano do público-alvo da campanha. Uma das recomendações é que as redes sociais de crianças e adolescentes estejam vinculadas às contas dos respectivos responsáveis para mitigar os riscos.

Já para os colaboradores, o foco esteve voltado às políticas públicas de proteção e aos fluxos de encaminhamento e denúncia. “Conscientizar também é um dever nosso enquanto instituição de saúde. Não podemos fechar os olhos para um tema tão importante. Quanto mais informação e identificação de sinais de risco, maiores são as chances de proteger nossas crianças e adolescentes”, concluiu a coordenadora de Humanização do Hoiol, Natacha Cardoso.

Ela destacou ainda que abordar o tema dentro da unidade é um compromisso com a proteção da infância. Segundo a pedagoga, o debate precisa acontecer de forma aberta e responsável para fortalecer ações preventivas e ampliar a conscientização da sociedade. “Só conseguimos evitar situações de risco quando damos nome ao problema e entendemos como ele acontece. Falar sobre abuso e exploração sexual é de suma importância, principalmente em um hospital que atende exclusivamente o público infantojuvenil”, afirmou.

Para Natacha, promover debates sobre proteção infantil também faz parte da política de humanização hospitalar, que busca enxergar o paciente além do tratamento clínico. “Quando falamos de humanização, falamos também de contexto social, de garantia de direitos e de proteção integral. O abuso pode acontecer em qualquer lugar e, muitas vezes, dentro do próprio ambiente familiar, por isso, precisamos enfrentar essa realidade com informação e conscientização”, explicou.

Rede de proteção garante sigilo e acolhimento às vítimas

Equipe multidisciplinar do Hoiol foi orientada sobre políticas públicas de proteção e aos fluxos de encaminhamento e denúncia

Para combater o medo e a dificuldade de denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes, a sociedade e os profissionais contam com canais seguros e anônimos. O “Disque 100” atende em âmbito nacional, enquanto o “181” é o canal específico para o estado do Pará. Ambos garantem o sigilo absoluto de quem denuncia. Já para situações de flagrante, em que a violência está acontecendo no exato momento, o número indicado é o 190. Além disso, toda a rede de serviços, que engloba os setores de saúde, educação, assistência social e segurança, deve estar preparada para acolher as vítimas e registrar as denúncias.

Quando o caso chega ao Centro Integrado Parápaz, o atendimento ocorre de forma integrada e humanizada em um único espaço, conforme determina a Lei nº 13.431. “A vítima e a família recebem acolhimento psicossocial, passam por escuta especializada com profissionais capacitados e contam com a Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEACA) para o registro do boletim de ocorrência. O Centro também oferece exames com médicas peritas e ginecologistas da Polícia Científica, além de pediatras, garantindo que as famílias saiam com encaminhamentos e consultas agendadas para acompanhamento psicológico contínuo”, destacou.

A salgadeira Adriana Soares, de 43 anos, acompanha o filho em tratamento no Hoiol e  destacou a importância do diálogo entre pais e filhos sobre proteção, limites do corpo e segurança desde a infância. Para ela, a orientação familiar é fundamental para prevenir situações de violência e ajudar as crianças a reconhecerem comportamentos inadequados. “Hoje em dia, a violência é muito grande, então é importante passar segurança para nossas crianças e ensinar o que é certo e o que é errado, o que pode e o que não pode. Quando a criança entende que existem lugares do corpo que ninguém pode tocar, ela consegue identificar uma situação de risco e procurar ajuda. É importante avisar os pais, os avós ou qualquer pessoa de confiança para que isso seja denunciado”, afirmou.

“É fundamental conversar sobre os limites do corpo e inseguranças para ganhar a segurança e a confiança da criança, para que ela possa dividir coisas que têm dúvida ou que queira esclarecer. O acolhimento familiar é a chave para construir esse canal de comunicação. A gente precisa passar segurança para que nosso filho tenha a intimidade de relatar o que pode estar incomodando ou questões mais duvidosas. O segredo é ganhar essa confiança para que eles se sintam seguros para pedir ajuda", completou o Vigilante  Roger Paes, 48 anos, pai de uma criança de 8 anos.

Serviço:

Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o Hoiol é referência na região amazônica no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, na faixa etária entre zero e 19 anos. A unidade é gerenciada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Texto: Ascom Hoiol