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EDUCAÇÃO E SAÚDE

Pesquisa destaca letramento em saúde ambiental entre ribeirinhos e fortalece formação de Enfermagem da Uepa

Instituição realizará a Semana de Enfermagem 2026, em alusão ao Dia Internacional da Enfermagem

Por Diane Maués (UEPA)
12/05/2026 08h28
Estudantes de enfermagem da Uepa desenvolveram pesquisa para trabalho de conclusão de curso sobre as práticas ribeirinhas

Práticas e experiências cotidianas entre ribeirinhos também constroem saber. A pesquisa Letramento em Saúde Ambiental entre Ribeirinhos da Amazônia Paraense, desenvolvida por estudantes do curso de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará (Uepa), analisou como o conhecimento sobre saúde ambiental repercute no dia a dia dessa população. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi feito pelas alunas Élida Fernanda Rêgo de Andrade e Sandy Isabelly Osório de Sousa, sob orientação da professora Laura Maria Vidal Nogueira, da Escola de Enfermagem Magalhães Barata (EEMB), campus IV da Uepa, e coorientação da enfermeira Ana Kedma Correa Pinheiro. 

Estudos como esse potencializam a produção científica e o papel da instituição, que promove, de 12 a 15 de maio, a Semana de Enfermagem 2026. O evento tem como objetivo fortalecer a formação acadêmica e incentivar a pesquisa, e traz como tema “Enfermagem em Movimento: Técnica, Ética e Política nas Lutas e Avanços”, marcando também o Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro, celebrado em 12 de maio. 

Além de fortalecer a formação acadêmica, o estudo trata do letramento em saúde ambiental (LSA) no cotidiano de ribeirinhos da Amazônia paraense, com foco na prevenção de doenças e proteção ambiental e contribuem para a compreensão de práticas em saúde mais sensíveis às realidades locais. Na Uepa, a pesquisa recebeu o primeiro lugar do Prêmio Melhor TCC 2024/2025 do curso de enfermagem. 

Moradores da Ilha de  Ilha de Cotijuba, em Belém, têm saberes herdados socioculturais que influenciam o cotidiano

As alunas desenvolveram um estudo descritivo e qualitativo realizado na Unidade Municipal de Saúde da Ilha de Cotijuba, em Belém, e os dados foram coletados por meio de entrevistas. Participaram 29 ribeirinhos, a maioria do sexo feminino (82,76%), com idade média de 46 anos e renda familiar de até um salário mínimo.

De acordo com o estudo, as populações ribeirinhas enfrentam inúmeras necessidades, mas mantêm um modo de vida próprio, junto à natureza e orientado pela herança de saberes socioculturais que influenciam o cotidiano, as relações e os cuidados em saúde. O Letramento em Saúde Ambiental refere-se à capacidade de compreender a relação entre ambiente e saúde e o uso desse conhecimento nas decisões cotidianas, como na identificação de mudanças na água, no solo e nos ciclos naturais, associando a impactos na saúde e ajustando práticas.

Além do acesso à informação, a prática ribeirinha envolve a interpretação e aplicação dos saberes no contexto sociocultural, fortalecendo o protagonismo social e a corresponsabilidade pela saúde individual e coletiva, explicou a aluna Élida Andrade. Esses conhecimentos articulam práticas e noções de saúde, influenciadas por crenças e experiências locais, que orientam a forma como os ribeirinhos reconhecem riscos e adotam estratégias de cuidado e prevenção.

Resultados - A pesquisa indica que os ribeirinhos associam saúde ambiental à limpeza e ao bem-estar, recorrendo à queima de lixo na ausência de coleta pública, apesar dos riscos à saúde. A preservação é vista como essencial ao sustento, enquanto a degradação ambiental é reconhecida como causa de doenças respiratórias e infecciosas, como leptospirose e dengue.

Os moradores também relataram abandono do poder público e impactos negativos do turismo, sobretudo pela poluição trazida à ilha. As práticas de prevenção entre os ribeirinhos incluem o cuidado com a higiene da água e a eliminação de criadouros de mosquitos, ao mesmo tempo em que apontam desigualdades no acesso à informação, onde parte da população utiliza internet e celular, enquanto outra enfrenta limitações por falta de recursos e infraestrutura. 

"Durante a pesquisa, observamos alguns desafios vivenciados por eles, como o acesso limitado aos serviços de saúde e educação, o que dificulta a circulação de informações qualificadas, além da vulnerabilidade socioeconômica e das desigualdades estruturais presentes nesses territórios. Também se observou que, em alguns momentos, essas comunidades são impactadas por ações de visitantes e turistas que, embora contribuam para a economia e a visibilidade local, foram associados ao descarte inadequado de lixo, com repercussões negativas para o ambiente e a qualidade de vida", disse a aluna Sandy Sousa.

O estudo ressaltou também o papel do enfermeiro como educador e a necessidade de ações e estratégias de educação em saúde culturalmente adaptadas para empoderar essas comunidades e fortalecer a proteção ambiental e a qualidade de vida. A pesquisa foi desenvolvida por meio de bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e também já foi publicada na Revista da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (REEUSP), e pode ser acessada aqui. A  revista é classificada como Qualis A, reconhecida pelo seu alto rigor científico e impacto na área.

Semana de Enfermagem 2026 - A Escola de Enfermagem Magalhães Barata realiza, de 12 a 15 de maio, a Semana de Enfermagem 2026 (SENF 2026). O evento tem o tema “Enfermagem em Movimento: Técnica, Ética e Política nas Lutas e Avanços”, e é promovido pela Coordenação do curso de enfermagem do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) e o Centro acadêmico (Caenf). A programação reúne atividades voltadas ao fortalecimento da formação acadêmica, ao incentivo da produção científica e à promoção de reflexões sobre a enfermagem na sociedade. 

A semana vai ter mesa redonda, mostra científica, oficinas e cursos intensivos preparatórios para residências multiprofissionais, apresentação cultural e palestras. A SENF 2026 se propõe como espaço de integração entre ensino, serviço e comunidade acadêmica para promover o aprimoramento técnico-científico e a troca de experiências. Outras informações, programação completa e inscrições disponíveis neste link

“A SENF 2026 reunirá estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais da comunidade acadêmica em torno da formação, da ciência e do fortalecimento da profissão. O tema convida à reflexão sobre os pilares da enfermagem contemporânea: excelência técnica, compromisso ético e protagonismo político”, destacou a professora e coordenadora do Campus IV, Maridalva Leite.

Para estimular a solidariedade, o evento também vai contar com uma campanha de doação de sangue no dia 13 de maio, das 9h às 16h, no campus IV, com direito à certificação para os participantes. O pré-cadastro pode ser feito nesta página e cada doação pode salvar até quatro vidas. Entre os parceiros da campanha de doação de sangue estão a Liga Acadêmica Multidisciplinar de Anatomia e Fisiologia ( LAMAF) e o Hemopa. A EEMB fica localizada na Avenida José Bonifácio 1289, bairro do Guamá, em Belém.