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Governadora Hana Ghassan entrega primeira ‘Praça da Inclusão’ voltada para crianças com transtorno do espectro autista

Com áreas verdes, parque infantil e brinquedos que auxiliam na estimulação sensorial, espaço vira modelo a ser replicado em todo o Estado

Por Ingo Müller (SESPA)
29/04/2026 19h35
Governadora Hana Ghassan na Praça da Inclusão, encerrando a programação alusiva ao mês de conscientização sobre o autismo

A governadora do Pará, Hana Ghassan, entregou nesta quarta-feira (29) a primeira Praça da Inclusão do Estado do Pará. O espaço, projetado especialmente por arquitetos da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (CEPA), da Secretaria de Saúde do Governo do Pará (SESPA), conta com aparelhos voltados para crianças incluídas no espectro do autismo.

“Nós estamos encerrando o mês de abril, que é o mês da conscientização sobre o autismo, e é muito bacana poder fazer essa entrega concreta para a comunidade do Guamá. Desde 2019, quando fui a primeira coordenadora dessa pauta aqui no Estado, em 2019, como Secretária de Planejamento e Administração, pude ver o quanto a gente já avançou em políticas concretas para o autismo”, avaliou a governadora.

Modelo será replicado por todo Pará

De acordo com a governadora, o projeto da Praça da Inclusão deve ser reproduzido em diversos municípios do Pará. “Este modelo que vocês estão vendo aqui é um modelo que vai ser replicado em muitos locais no Estado, porque a gente sabe que não apenas a capital, mas diversos municípios pedem por um espaço como esse. Então, esse é um projeto piloto, que foi pensado com muito carinho para atender às famílias, e que já está sendo aproveitado pelas crianças do bairro”, comemorou Hana Ghassan.

“Pensar em um espaço onde as famílias atípicas possam brincar e interagir é uma maneira de valorizar as relações familiares e promover a inclusão. Com a entrega desta praça, o governo do Pará busca fomentar a conscientização e o respeito das pessoas com autismo e seus familiares, para que o Pará se torne cada vez mais uma referência nas políticas voltadas a este público”, afirmou a coordenadora da Cepa, Flávia Marçal.

O espaço foi bem recebido pelos moradores do bairro. Andréia Souza é mãe de Ágatha Pyetra, uma criança atípica com seis anos de idade que ficou muito feliz com a Inauguração da praça. “É um espaço muito aconchegante, um sonho realizado. Nunca imaginei que o nosso bairro fosse ser privilegiado com um espaço desse, que vai fazer muita diferença na vida dessas crianças atípicas e as crianças que não são atípicas também. Tenho certeza que a Ágatha vai aproveitar muito essa praça”, frisou.

A praça foi projetada por arquitetos da Cepa, priorizando a coordenação motora e a integração sensorial

Atrações inclusivas

A Praça da Inclusão é dotada de parque infantil com equipamentos inclusivos, academia, caminho sensorial, horta sensorial, quadra coberta e uma área de regulação. São equipamentos e atrações que favorecem a coordenação motora, integração sensorial, atenção e concentração, comunicação através da interação lúdica e a interação social.

“A Praça da Inclusão da Mundurucus foi pensada com muito cuidado, para atender às necessidades de crianças com Transtorno do Espectro Autista e de suas famílias, promovendo acolhimento, acessibilidade e desenvolvimento. Cada ambiente foi planejado para proporcionar experiências estruturadas e significativas, estimulando a exploração ativa, o engajamento funcional e a convivência social”, destaca a arquiteta da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo, Mayara Carvalho.

Quadra para incentivar a prática de esportes

Um novo olhar para os espaços públicos

A Praça da Inclusão é a primeira praça construída para atender o público com transtorno do espectro do autismo no Estado do Pará. Os equipamentos favorecem experiências estruturadas importantes para crianças com TEA, além de estimular a exploração ativa e o engajamento funcional.

De acordo com a arquiteta da Secretaria de Obras Públicas (Seop), Naira Carvalho, já havia um projeto de construção de uma praça no local que, a pedido da Cepa, foi trabalhado de forma a adequar os seus padrões para um projeto inclusivo. Segundo Naira, este tipo de obra demandou um olhar especial por parte das equipes envolvidas no projeto.

“Esta obra nos proporcionou a oportunidade de nos aprofundarmos mais no assunto, sensibilizando a equipe de campo, que estava habituada com outros padrões de obras, a desenvolver um olhar mais cuidadoso com pequenas coisas que por vezes eram despercebidas. Posso dizer que este projeto nos oportunizou exercitarmos o respeito à diversidade, buscando criar mais igualdade de direitos ao acesso universal aos espaços públicos”, ponderou Naira.  

“Esta é a primeira iniciativa deste porte no Estado, especialmente por reunir em um único espaço estrutura inclusiva, brinquedos adaptados e ambientes sensoriais planejados especificamente para favorecer o desenvolvimento e a inclusão de crianças com TEA. A Praça da Inclusão representa um avanço importante nas políticas públicas voltadas à acessibilidade e inclusão, ao acolhimento e à promoção da qualidade de vida das crianças e de suas famílias”, explicou Mayara.

“Que seja o primeiro de muitos e que cada vez mais possamos criar espaços adequados, planejados e pensados na população e sua diversidade, com respeito às especificidades, permitindo maior equidade no acesso aos espaços públicos com sensibilização social”, destaca a arquiteta Naira Carvalho.

“Com esta praça, nós buscamos dar um passo importante para que a cidade de Belém se torne uma cidade mais inclusiva. Nós já temos uma estrutura de atendimento, com os Natea e Cetea [Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista], para a população que está no espectro do autismo. Agora, porém, nosso desafio é avançar para que toda a cidade, e posteriormente o Estado inteiro, possam ter estes espaços de inclusão junto às comunidades. Praças como esta podem ser usadas em momentos de lazer e até como apoio terapêutico por profissionais qualificados”, comentou a coordenadora da Cepa, Flávia Marçal.

Comunicação e cidadania

Entre os equipamentos presentes na praça há uma Prancha de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Este instrumento é uma ferramenta importante de acessibilidade e inclusão social, porque permite que pessoas com dificuldade de fala, como autistas não verbais, possam se expressar, interagir e participar ativamente do espaço público.

“A presença dessa prancha na praça amplia as possibilidades de comunicação funcional no ambiente, promovendo autonomia, pertencimento e interação entre crianças, famílias e toda a comunidade. Além disso, ela também sensibiliza a sociedade para a diversidade comunicativa, contribuindo para uma cultura mais inclusiva”, destacou a fonoaudióloga Cleiciane Monteiro, que elaborou a prancha de comunicação.

Hana Ghassan e profissionais da Cepa

“O processo de elaboração do material foi cuidadosamente planejado, considerando princípios técnicos da Comunicação Aumentativa e Alternativa. Foram selecionados pictogramas de fácil compreensão, organizados de forma visualmente acessível, com vocabulário funcional relacionado ao contexto da praça - como brincar, pedir ajuda, entre outros”, detalha a fonoaudióloga.

“Também levamos em conta aspectos como contraste de cores, tamanho das imagens e durabilidade do material para uso em ambiente externo. Essa iniciativa reforça o compromisso com a inclusão e demonstra que a comunicação é um direito de todos, devendo estar presente em todos os espaços sociais”, avalia.