Pesquisa inédita sobre vegetação do Cerrado é realizada no Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas
Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi visitaram a unidade de conservação, enquanto avançam no conhecimento sobre a vegetação local
O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) ofereceu as dependências do Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas para a implantação do projeto do Museu Paraense Emílio Goeldi que busca realizar diagnósticos da flora da unidade de conservação, envolvendo composição florística e estrutura vegetal.
O objetivo central da pesquisa é conhecer as espécies da região para interpretar suas particularidades mais específicas, já que a área da Serra das Andorinhas é caracterizada por ser uma transição entre os biomas Cerrado e Amazônia. O processo de catalogar as plantas é inédito, já que não há outros registros a respeito de vegetação específica local.
Ineditismo - O pesquisador Dário Dantas, do Museu Emílio Goeldi, um dos responsáveis pela pesquisa, disse que “estamos, neste projeto, realizando algo inédito de pesquisa no Parque Estadual da Serra dos Andorinhas/Martírios. Uma investigação de um tipo de vegetação que não existe registro de outros estudos anteriores. Trata-se do Cerrado do tipo Florestado. As informações anteriores, de artigos científicos, faziam referência ao Cerrado do tipo Parque”.
Os artigos científicos antigos, ao caracterizarem o Cerrado de forma errática, reduziram a diversidade possível de catalogação para futuros pesquisadores. Por isso, a pesquisa teve grande impacto no conhecimento científico do local.
O especialista também especificou o que esperava encontrar na área da unidade de conservação atualmente, sem os conceitos anteriores. “A expectativa é de registro de espécies que antes não haviam sido catalogadas para a região”, disse Dário Dantas.
As expectativas acabaram confirmadas quando pesquisadores foram capazes de encontrar três exemplares da planta ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus), que além de não ter sido catalogada na região da unidade de conservação anteriormente, enfrenta o risco de extinção.
Fundamental - A gerente da Região Administrativa do Araguaia do Ideflor-Bio, Laís Mercedes, explicou que pesquisas como esta são essenciais. “A pesquisa científica é, de fato, o pilar fundamental para a gestão eficiente de parques de espécies e unidades de conservação. Ela transforma áreas protegidas em 'laboratórios vivos', permitindo não apenas grandes descobertas, mas a base sólida para a tomada de decisão”, explicou Laís Mercedes.
A gerente reforçou, ainda, o papel do Instituto em apoiar inovações e futuros projetos semelhantes. “Para fortalecer este eixo, as gerências têm adotado medidas como a simplificação do processo de autorização de pesquisa, agendamento facilitado de visitas, disponibilização de alojamentos e apoio no monitoramento de campo”, acrescentou.
A pesquisa faz parte do Projeto INCT NEXUS, cujo objetivo é examinar a conexão entre perturbações antrópicas (causadas pela ação do homem) e novas trajetórias de regeneração florestal em diferentes contextos de uso da terra na Amazônia. A iniciativa é realizada por pesquisadores do Museu Emílio Goeldi, coordenado pelos professores Ima Vieira e Marcelo Tabarelli.
Além dos projetos de pesquisa, o INCT NEXUS tem mais de 20 metas ecológicas, acadêmicas e de biopreservação para os próximos cinco anos.
Texto: Lui Sousa, com a supervisão de Vinícius Leal - Ascom/Ideflor-Bio

