Hospital Abelardo Santos reforça importância da prevenção e controle da hipertensão
HRAS destaca novas diretrizes e orienta como evitar a doença que atinge cerca de 30% dos brasileiros
O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), localizado em Icoaraci, no distrito de Belém, faz um alerta à população sobre o crescimento silencioso da hipertensão arterial. A doença hoje atinge quase 30% dos adultos brasileiros, segundo dados recentes do Ministério da Saúde. Referência em atendimentos de média e alta complexidade em obstetrícia, pediatria e povos indígenas, a unidade aproveita a proximidade do Dia Nacional de Combate à Hipertensão, neste domingo (26), para reforçar que a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo os melhores aliados contra complicações fatais ou incapacitantes.
Perfil em mudança e o risco silencioso
A nova compreensão médica sobre a doença, consolidada nas diretrizes de 2025 e 2026, traz um destaque: o popular "12 por 8" deixou de ser apenas a meta ideal e passou a ser o limite máximo de segurança. O que antes era visto como pressão normal, na faixa de 13 por 8, agora é classificado como pré-hipertensão, um estágio onde o corpo já começa a sofrer danos ocultos. Essa mudança de visão ocorre porque a medicina entendeu que a pressão alta funciona como um jato de água forte demais dentro de um sistema delicado: mesmo elevações leves, se constantes, agridem os vasos e "machucam" os filtros dos rins de forma irreversível.
Para quem já convive com a condição, a ordem agora é ser mais rigoroso, buscando manter os níveis sempre abaixo de 130/80 mmHg. Além do controle do sal, os especialistas dão o mesmo peso à qualidade do sono e ao manejo do estresse, reconhecidos oficialmente como vilões que impedem o controle da pressão. Segundo os médicos do HRAS, o grande desafio é que a hipertensão raramente apresenta sintomas iniciais.
"Na prática, percebemos que muitos pacientes chegam ao hospital já com o diagnóstico, mas frequentemente com controle inadequado e outras condições associadas, como sobrepeso, diabetes e sedentarismo", explica o cardiologista Roberto Castro. Ele detalha ainda que o perfil de atendimento está mudando. Embora continue comum em idosos, a hipertensão tem aparecido cada vez mais cedo em adultos jovens, impulsionada por alimentação inadequada, estresse e falta de atividade física.
Falsa sensação de cura e abandono do tratamento
Um dos pontos mais críticos é a interrupção da medicação motivada por um engano perigoso. O cardiologista Felipe Pacheco alerta que muitos pacientes abandonam o tratamento devido à falsa sensação de cura. "Como a hipertensão costuma ser silenciosa, eles deixam de sentir sintomas e acreditam que o problema 'passou'. O risco real é alto. A pressão volta a subir e aumenta a chance de complicações graves", afirma.
Nesse contexto, o suporte oferecido pelo Abelardo Santos é fundamental para reverter a evasão. O monitoramento constante e o entendimento da doença pelo paciente são essenciais para reduzir os abandonos e garantir um controle sustentado, já que a condição exige seguimento contínuo e não apenas consultas isoladas.
Orientações e prevenção
Baseado nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o HRAS tem integrado o cuidado com a saúde mental e o sono ao protocolo clínico. Como pauta de serviço, o hospital enfatiza pilares da Organização Mundial da Saúde (OMS), como a redução do sal para até 5g diários e a prática de 150 minutos de atividade física semanal.
Castro e Pacheco apontam que o diagnóstico não significa perda de qualidade de vida. Contudo, o hospital orienta que, diante de sintomas como dores de cabeça intensas, dor no peito, falta de ar, visão embaçada, confusão mental, fraqueza em um lado do corpo ou mal-estar súbito, o cidadão deve procurar atendimento médico imediato, pois esses sinais podem indicar uma urgência ou emergência hipertensiva.
Referência em atendimento
O HRAS é a maior unidade pública do governo do Pará, sob gestão da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). É referência no atendimento à mulher, à criança e a populações indígenas, contabilizando mais de um milhão de atendimentos somente em 2025.
A estrutura conta com pronto-socorro pediátrico, ginecológico e obstétrico 24 horas, além de 360 leitos, distribuídos entre emergência, cirurgia, internação clínica, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidades de Cuidados Intermediários (UCIn). O hospital também é uma das principais maternidades do Estado, realizando mais de 5 mil partos anuais, e conta com um centro de terapia renal.
Texto: Ascom/HRAS

