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Banco de Olhos do Ophir Loyola transforma doações em esperança para pacientes no Pará

Com 90 doações registradas em 2026, serviço já viabilizou cerca de 180 córneas e reforça a importância da solidariedade para devolver a visão a pacientes no Estado

Por Brenna Godot (HOL)
24/04/2026 13h48

Com 90 doações registradas somente em 2026, o Banco de Olhos do Hospital Ophir Loyola já viabilizou a captação de aproximadamente 180 córneas no Pará. O resultado reforça o avanço do serviço no Estado, e mostra como a união entre trabalho especializado, o acolhimento às famílias e estrutura hospitalar tem ajudado a devolver a visão a pacientes que aguardam pelo transplante.

Responsável pela coordenação do serviço, o médico Allan Costa explica que todo o processo começa ainda na identificação de um possível doador, e envolve uma equipe multiprofissional preparada para atuar com segurança em cada etapa.

“A partir da identificação de um possível doador, a equipe avalia as condições clínicas, realiza o acolhimento da família e, após a autorização, todo o material passa por análise laboratorial antes de ser disponibilizado para a Central Estadual de Transplantes, que direciona a córnea ao paciente que está na fila”, explicou.

Nos últimos anos, o Banco de Olhos passou por uma reestruturação que ampliou o número de captações e reduziu o tempo de espera para pacientes paraenses. Segundo o coordenador, o serviço hoje consegue atender tanto casos de urgência quanto pacientes que aguardam por tecidos com características específicas.

“Hoje conseguimos atender tanto os casos de urgência quanto os pacientes eletivos. Esse avanço é resultado de um esforço coletivo e de parcerias importantes que vêm fortalecendo o serviço no Estado”, destacou Allan.

Uma nova oportunidade de enxergar

Maria Clara recebeu a córnea e realizou o transplante em 2025

Entre os pacientes beneficiados está Maria Clara Mendes, que relembra com emoção o momento em que recebeu a notícia de que havia uma córnea compatível para o transplante.

“Foi um momento muito emocionante quando recebi a notícia de que havia uma córnea compatível e que a cirurgia já poderia ser marcada. A equipe de transplante sempre esteve presente, acompanhando cada etapa com atenção e cuidado”, relatou.

Para ela, o procedimento representou mais do que a melhora da visão. “O transplante de córnea representa uma melhora significativa na qualidade de vida e, principalmente, o alívio da dor que eu sentia. Foi uma mudança que trouxe mais conforto e esperança para a minha rotina”, contou.

Maria Clara também destacou a importância da doação como um gesto capaz de transformar vidas. “Quando a empatia e a generosidade se transformam em atitude, elas podem salvar vidas e aliviar o sofrimento de muitas pessoas. A doação é um gesto que transforma quem recebe e também quem decide doar”, afirmou.

A decisão que transforma vidas

Por trás de cada transplante existe também a decisão de famílias que, mesmo em meio ao luto, escolhem autorizar a doação.

Foi o que viveu Shirley dos Anjos, familiar de um doador de córneas. “O processo aconteceu de forma tranquila. Depois da conversa com a equipe, ficou ainda mais fácil transformar em realidade um desejo que já era do meu esposo”, disse.

Segundo ela, o acolhimento recebido foi fundamental para que a família se sentisse segura durante a decisão. “A doação transforma vidas e oferece a outras pessoas a chance de viver com mais dignidade. Não deixem que o medo ou a falta de informação impeçam um gesto capaz de levar esperança a quem está esperando”, destacou.

Quem pode doar córneas

A doação de córneas pode ser realizada por pessoas entre 2 e 72 anos, após a confirmação do óbito. Os tecidos oculares podem ser retirados em até seis horas após a morte e, depois de preservados, permanecem aptos para transplante por até 14 dias.

Existem critérios específicos de exclusão, como em casos de pacientes portadores de HIV ou de doenças infecciosas como hepatites B e C. Para que a doação seja realizada, a autorização da família é indispensável e pode ser feita diretamente junto ao Banco de Tecido Ocular.

Conscientização e trabalho coletivo

Apesar dos avanços, Allan reforça que a conscientização da população continua sendo essencial para manter o serviço e ampliar o número de pessoas beneficiadas.

“Doar córneas é doar vida. É oferecer a possibilidade de alguém voltar a enxergar. Nosso trabalho é feito com seriedade, respeito e responsabilidade em cada etapa do processo”, concluiu.

Os resultados alcançados pelo Banco de Olhos também refletem o apoio da diretoria do Hospital Ophir Loyola, que tem contribuído para o fortalecimento do serviço e para a continuidade de um trabalho que vem devolvendo esperança a pacientes de diferentes regiões do Pará.