Governadora Hana Ghassan anuncia votação de Política de Educação Escolar Indígena no encerramento da Semana dos Povos Indígenas
Evento reuniu cerca de 900 indígenas com programação cultural, esportiva e de debates até este domingo (19)
A programação da 3 edição da Semana dos Povos Indígenas encerrou neste domingo,19, Dia Nacional dos Povos Indígenas, no Parque da Cidade, em Belém. A governadora Hana Ghassan, anunciou que o Projeto de Lei que institui a Política Estadual de Educação Escolar Indígena será votado ainda neste mês na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). A semana dos povos indígenas iniciou no dia 16 de abril e reuniu cerca de 900 indígenas das oito etnorregiões do Pará, em uma programação que integrou cultura, esporte, debates e valorização dos saberes ancestrais. A iniciativa é promovida pelo Governo do Pará, através da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), em parceria com a Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI).
Durante o encerramento, a governadora reforçou o compromisso com a pauta educacional indígena.
“Ainda nesse mês de abril será votado na Assembleia Legislativa a Lei da Política Educacional Indígena e eu, como governadora desse estado, terei enorme honra de sancionar essa lei”, afirmou a governadora.
A proposta prevê a garantia de uma educação diferenciada, bilíngue, com valorização dos saberes tradicionais. Proposta pelo governo do Estado, a lei inédita é resultado de um processo de escuta ativa e diálogo com as comunidades indígenas, com consultas livres, prévias e informadas realizadas nas oito etnorregiões do Pará. A construção coletiva envolveu professores, lideranças, organizações representativas e representantes do poder público.
Ao longo do último dia de programação, o público acompanhou apresentações culturais de diferentes povos indígenas, com danças, cânticos e expressões tradicionais que marcaram o encerramento da semana. A governadora Hana foi recebida de forma calorosa pelas mulheres indígenas, participou de danças e cânticos e, ao final, recebeu presentes de artesanato de diferentes povos, como Tembé e Kaxuyana.
Para a secretária interina da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), Roseli Pantoja, o balanço da terceira edição reforça o avanço da iniciativa. “ A cada edição a semana dos povos indígenas se consolida como um amplo espaço de valorização e celebração cultural” destaca.
Celebração cultural e ancestralidade
O encerramento foi marcado com o “Cortejo pela Ancestralidade Viva”, conduzido pelo Arraial do Pavulagem, que reuniu o público em um momento simbólico de celebração das culturas originárias. Após o cortejo, o grupo seguiu com apresentação no palco principal, animando o público com referências da cultura popular amazônica. A programação contou ainda com a participação do cantor Cássio Costa, ampliando o caráter festivo do último dia.
A Feira de Etnobioeconomia e Gastronomia Ancestral também movimentou visitantes ao longo do domingo, reunindo expositores de diferentes etnorregiões do Pará. Para a artesã Ivanilda Munduruku, a experiência foi positiva e fortalece o trabalho nas comunidades. “A gente veio com muita expectativa, que deu positivo, e a gente retorna novamente com a resposta positiva do que a gente queria. Isso fortalece a gente e incentiva outras mulheres e artesãs nas aldeias”, afirmou.
Esporte, debates e integração
No campo esportivo, a final do torneio indígena marcou o encerramento das competições, com a entrega de medalhas para todos os participantes e troféus para os dois primeiros colocados, reconhecendo o espírito esportivo e o intercâmbio entre as etnias.
Também chegou ao fim a programação do Sistema Jurisdicional de REDD+ do Pará (SJREDD+), que ao longo dos dias reuniu especialistas, lideranças e representantes institucionais para debater temas estratégicos, como gestão territorial, mudanças climáticas e políticas públicas voltadas aos povos indígenas.
Para o coordenador executivo da Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa), Ronaldo Amanayé, o evento reforça a importância do diálogo e da construção coletiva. “É muito importante para a gente estar aqui, ter esse intercâmbio de culturas, línguas e danças. A gente não veio só para vender artesanato, mas também para discutir políticas públicas”, concluiu.

