Consumo de peixe na Semana Santa reforça tradição e impulsiona cadeia produtiva no Pará
Nesse cenário, o tambaqui lidera com folga a produção estadual, representando 59,4% do total, com cerca de 9,9 mil toneladas produzidas em 2023
Durante a Semana Santa, o consumo de peixe ganha ainda mais força no Pará, unindo tradição religiosa e um dos hábitos alimentares mais marcantes da população amazônica. O período, considerado um dos mais importantes para o setor, também evidencia a relevância econômica da cadeia produtiva do pescado no Pará.
Dados do Boletim Agropecuário Paraense 2025, da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) mostram que o Pará vive um momento de expansão na produção aquícola. Em 2023, o Estado produziu cerca de 16,3 mil toneladas de pescado, resultado de um crescimento expressivo ao longo da última década, com taxa média anual de 14,6%, acima da média nacional.
Esse avanço contribui diretamente para atender à demanda elevada em períodos como a Semana Santa, quando o consumo de peixe aumenta devido à tradição cristã de substituição da carne vermelha, especialmente na Sexta-Feira Santa.
O boletim da Fapespa também revela que a cadeia do pescado no Pará é ampla e diversificada, envolvendo comércio, produção e indústria. Em 2024, o Estado registrou 391 estabelecimentos formais ligados à atividade pesqueira, com predominância do setor comercial, responsável por cerca de 63% desses empreendimentos. Belém lidera esse cenário, concentrando 35,3% dos estabelecimentos, o que reforça seu papel como principal centro de distribuição e comercialização de pescado no Estado.
A aglomeração de empresas é fundamental para garantir o abastecimento durante períodos de alta demanda, como a Semana Santa, quando feiras, mercados e supermercados registram aumento significativo no fluxo de consumidores.
“De acordo com o IBGE, o paraense possui um consumo médio anual de 11 kg por pessoa, e segundo informações do setor pesqueiro esse consumo tende a aumentar em até 30% impulsionado pela tradição católica de abstinência de carne vermelha no período de Semana Santa”, destaca o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac), Márcio Ponte.
Produção em alta e protagonismo do tambaqui
A aquicultura tem sido um dos principais motores desse crescimento. Nesse cenário, o tambaqui lidera com folga a produção estadual, representando 59,4% do total, com cerca de 9,9 mil toneladas produzidas em 2023.
Outras espécies, como tambacu/tambatinga e tilápia, também contribuem para diversificar a oferta, fortalecendo o mercado interno e garantindo variedade ao consumidor, especialmente em datas sazonais.
“Vale destacar que o Pará é um dos maiores consumidores de peixes do Brasil, que cresceu quase 15% em 2023, acima da média nacional. Portanto, o Boletim Agropecuário Paraense 2025 traz um panorama de todas as culturas, nas quais a produção aquícola está em destaque. Ademais, o estudo aponta caminhos para tomadas de decisão em políticas públicas e investimentos privados, sendo uma das mais importantes fontes de informação atualizadas sobre o setor agropecuário paraense, às vésperas da Semana Santa. Nós que vivemos no Pará temos um estado campeão na produção de peixes, e assim, não deve faltar o sagrado pescado na mesa da família paraense em 2026”, conclui o professor Márcio Ponte.
Produção - Municípios como Paragominas, Marabá e Altamira se destacam como polos produtivos aquícolas, ampliando a capacidade de oferta e ajudando a manter o abastecimento regular mesmo em períodos de pico de consumo.
No Pará, o consumo de peixe não é apenas sazonal, mas culturalmente enraizado. Ainda assim, a Semana Santa funciona como um catalisador desse hábito, intensificando as vendas e movimentando toda a cadeia produtiva, do produtor ao comerciante.
Com uma estrutura produtiva em expansão e forte tradição alimentar, o estado se consolida como um dos principais polos pesqueiros do país. Nesse contexto, a Semana Santa não apenas reafirma costumes religiosos, mas também evidencia o papel estratégico do pescado na economia e na cultura paraense.
“Esse estudo da Fapespa mostra claramente a força da cadeia produtiva da pesca e da arquicultura paraense, e nos mostra que precisamos de ainda mais infraestrutura e investimentos, coisa que o nosso governo vem fazendo ao longo dos últimos oito anos, buscando fortalecer ainda mais essa cadeia produtiva que emprega muitas pessoas e é especialmente importante para a população ribeirinha do nosso estado”, avalia o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.

