Hospital Octávio Lobo conquista 3º lugar em desafio nacional e se destaca na segurança do paciente
Sob consultoria do Hospital Albert Einstein, unidade foi a única representante do Norte a subir ao pódio do “Desafio da Copa Infecção Zero”, iniciativa que envolveu 47 hospitais
O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém, conquistou o 3º lugar no “Desafio da Copa Infecção Zero”, iniciativa nacional coordenada pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), em parceria com o Ministério da Saúde (MS), e que envolveu 47 hospitais brasileiros. O resultado foi anunciado durante a Sessão de Aprendizagem Presencial (SAP) do projeto “Saúde em Nossas Mãos”, realizada nos dias 24 e 25, em São Paulo. Na oportunidade, gestores da unidade paraense apresentaram os resultados obtidos.
O Hoiol foi destaque no enfrentamento das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), um dos principais desafios em ambientes hospitalares de alta complexidade. O Hospital Regional de Eunápolis e o Hospital Geral Clériston Andrade, ambos da Bahia, ficaram com o primeiro e o segundo lugar, respectivamente, completando o pódio da competição nacional.
À frente da metodologia no Hoiol, a coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), Adrielle Monteiro, explica que o desafio foi realizado ao longo de quatro semanas, com foco em medidas essenciais de prevenção. “A proposta foi promover, de forma leve e lúdica, a conscientização da equipe da Unidade de Terapia Intensiva. Alcançar o terceiro lugar em uma competição nacional é o reconhecimento da dedicação dos profissionais, mesmo diante de uma rotina de alta complexidade”, disse a especialista em gestão e controle de infecção hospitalar.
Um dos diferenciais da iniciativa foi o uso dos chamados “micromomentos educativos”, que substituem treinamentos longos por abordagens rápidas e aplicadas no próprio ambiente de trabalho. “Essa estratégia transformou nossa forma de conduzir treinamentos. Pequenas intervenções, feitas no dia a dia, mostraram um impacto muito maior na adesão às boas práticas”, destacou Adrielle.
Com dinâmicas inspiradas no universo esportivo para estimular a participação das equipes, notou-se o envolvimento de diferentes profissionais ao longo das semanas, além de interações em grupos e atividades em todos os turnos. Durante o período da dinâmica não foram registradas infecções de corrente sanguínea, pneumonia associada à ventilação mecânica ou infecções do trato urinário na unidade.
Para a enfermeira da UTI do Hoiol, Danielle Pontes, a experiência foi marcante. “É gratificante participar de iniciativas que estimulam a reflexão e fortalecem a prevenção de infecções”, afirmou. Já a técnica de enfermagem Luana Almeida destacou que o projeto também contribuiu para ampliar o sentimento de pertencimento entre os profissionais e fortalecer a adesão às práticas de segurança. “Foi uma experiência enriquecedora. As dinâmicas eram motivadoras e reforçaram a importância da colaboração. Um time só faz gol quando trabalha em conjunto”, disse.
Consultoria - Desde 2024 o Hoiol integra o projeto “Saúde em Nossas Mãos”, iniciativa nacional que busca reduzir em até 50% as IRAS em UTIs em cerca de 300 hospitais brasileiros. Na unidade paraense, as ações são acompanhadas por consultores do Einstein, com suporte contínuo por meio de visitas técnicas, atividades virtuais, entregas periódicas e encontros presenciais.
O projeto segue uma metodologia estruturada na ciência da melhoria, desenvolvida pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI), referência mundial em segurança do paciente. A proposta consiste em identificar práticas já consolidadas, analisar processos assistenciais e promover ajustes contínuos, com foco na qualificação do cuidado e na redução de riscos dentro do ambiente hospitalar.
O consultor de projetos no Escritório do Hospital Israelita Albert Einstein, Francisco Timbó de Paiva Neto, explicou que o “Copa de Infecção Zero” foi criado para os 47 hospitais que integram o Hub Einstein. “Durante quatro semanas, especialistas técnicos e consultores propuseram perguntas específicas, desafios e tarefas semanais sobre prevenção de infecções primárias da corrente sanguínea, infecção do trato urinário, pneumonia associada à ventilação mecânica e sobre higiene das mãos. Os hospitais discutiam os temas e compartilhavam as respostas, apontamentos e aprendizados”, explicou.
Segundo o consultor, a finalidade da dinâmica nacional foi promover a reflexão das equipes sobre os processos de prevenção de infecções e a adesão à higienização das mãos na rotina de trabalho. “Os desafios seguiam um cronograma semanal e cada hospital tinha autonomia para definir o melhor momento para que as equipes de UTI se reunissem, discutissem casos clínicos e respondessem às perguntas e atividades propostas. Dessa forma, a iniciativa também contribuiu para alinhar projetos, processos internos e outras ações já existentes, ressaltou.
A adoção da metodologia da ciência da melhoria trouxe ferramentas importantes para garantir a execução adequada das práticas, como o quadro GDSM, voltado à gestão diária, e o quadro Kamishibai, que permite monitorar os processos de trabalho e identificar, de forma visual, o que está sendo bem executado ou precisa de ajuste. Também houve avanços na adesão à higiene das mãos e na redução da densidade de infecções, refletindo diretamente na qualidade da assistência prestada.
“Em 2024, quando iniciamos o ‘Saúde em Nossas Mãos’ no Hoiol, observamos resultados positivos na unidade, como a redução na densidade de pneumonia associada à ventilação mecânica e avanços no controle das infecções do trato urinário. E seguimos empenhados na redução dos casos de infecção primária da corrente sanguínea. O Hospital Octávio Lobo possui uma equipe engajada, tecnicamente qualificada, que atua com autonomia e senso de humanidade, fatores essenciais para o fortalecimento do pertencimento e do compromisso com o projeto”, destacou o especialista do Hospital Israelista Albert Einstein.
Para Francisco Timbó, o impacto mais significativo está na melhoria do cuidado e, consequentemente, nas vidas salvas. “O projeto contribui para que as crianças e adolescentes permaneçam na UTI apenas pelo tempo necessário, com segurança e qualidade. Destaco ainda o forte engajamento da alta gestão do Hoiol, fundamental para o sucesso das ações, com apoio ativo das lideranças e de diferentes áreas da unidade, o que garantiu as implementações planejadas”, concluiu.
Aprovação - Além dos ganhos assistenciais, a segurança e o acolhimento das equipes são notadas por familiares dos usuários. Natural do município de Garrafão do Norte, o trabalhador rural Francisco de Sousa, de 39 anos, é pai do paciente Anthony, de 3 anos. Ele conta que, desde a entrada do filho na unidade, o acolhimento dos profissionais o surpreendeu. “Graças a Deus ele (Anthony) está reagindo bem ao tratamento. Não tenho do que reclamar. O atendimento do hospital sempre foi muito bom, a equipe é atenciosa com a gente. São pessoas muito legais”, disse.
A dona de casa Maísa Meireles, 36 anos, é moradora de Nova Esperança do Piriá, cidade do nordeste paraense. Ela acompanha o filho João Paulo, 10 anos, no tratamento contra a leucemia e elogia a presteza dos profissionais e o suporte recebido. “Quando eu cheguei aqui no hospital, já gostei porque as médicas e as enfermeiras me ajudaram, me ouviram, me orientaram. Eu gosto daqui e digo que tem um excelente atendimento, porque sempre cuidaram muito bem do meu filho. Passei 43 dias internada com ele aqui e sempre foram atenciosos. É bom saber que estamos em um local que se preocupa com a segurança do paciente”, disse Maísa ao saber do desempenho da unidade na dinâmica nacional.
Serviço - Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o Hoiol é referência na região Norte no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, na faixa etária de 0 a 19 anos.
Texto: Ascom/Hoiol

