Mostra artística do Centro Integrado de Reabilitação celebra evolução dos usuários
Apresentações marcam o encerramento do ciclo trimestral das oficinas e evidenciam avanços alcançados por meio da arte
A manhã desta sexta-feira (27) foi marcada por emoção, superação e alegria no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém. A mostra artística das oficinas de Arte e Cultura reuniu usuários, familiares e profissionais para celebrar o encerramento de mais um ciclo trimestral de atividades em artes visuais, dança, teatro e música.
Resultado de três meses de aprendizado, as apresentações evidenciaram não apenas habilidades artísticas, mas também avanços significativos no desenvolvimento pessoal e social dos participantes. A iniciativa integra o cuidado ofertado pelo CIIR, aliando reabilitação e expressão cultural em um ambiente inclusivo e acolhedor.
Incentivo - Entre os relatos que traduzem o impacto das oficinas está o de Edinei Gomes da Silva, mãe de Edinalda Silva, 18 anos, usuária do CIIR desde os 12. Emocionada, ela falou sobre as mudanças na vida da filha. “Ela está mais sociável, mais feliz. Ainda tem um pouco de rejeição, mas demonstra que gosta do que está fazendo. Eu fico muito contente com isso, por ela ser engajada, por abraçar essa causa. Eu fico muito contente”, disse Edinei.
A mãe também destacou o papel dos profissionais no processo. “A professora de Teatro, Paula Barros, é uma pessoa muito carismática com eles, muito incentivadora. Se fosse por ela, minha filha não iria querer, mas a Paula incentiva e consegue. Tem um jeitinho que consegue tirar o que a Edinalda pode dar”, acrescentou.
A evolução surpreendeu a própria família. “Eu fico admirada, porque a Edinalda não fala em público. É admirável mesmo. Fico até emocionada. Quem olha assim não imagina que ela tem capacidade de fazer aquilo. Não imaginava que ela ia conseguir narrar algo, e ela está mostrando que consegue”, disse a mãe.
As atividades têm impacto também na vida de Edinei, que passou a participar das oficinas. “Estou fazendo a oficina de dança. Consegui ter coragem, porque também sou uma pessoa muito fechada. E ainda este ano quero fazer teatro, também”, informou.
Evolução - História semelhante foi narrada por Iracema Bezerra da Costa, mãe de Ryan Sanches Peres, 23 anos, integrante do grupo musical Diversom e usuário do CIIR há cerca de cinco anos. Para ela, a música foi determinante no desenvolvimento do filho. “Foi um progresso muito grande na vida dele. Ele tem vontade de vir, coisa que não tinha para outras atividades. Aqui ele está sempre preparado para participar”, contou.
Segundo Iracema, “ele ficou mais sociável, porque ficava só dentro de casa e não gostava de nada. Aqui, foi evoluindo cada vez mais. Para mim, foi uma evolução muito grande. Eu não sabia que ele tinha esse talento todo”.
Ela também passou a integrar as atividades, e reforça o reflexo positivo em toda a família. “Para mim, está sendo maravilhoso. Interajo com ele, com os colegas. Quero aprender outros instrumentos. Em breve, vamos tentar”, afirmou.
Terapia e expressão - Para a supervisora do Setor de Arte e Cultura do CIIR, Denise Morais, o evento vai além de uma apresentação. “A mostra das oficinas desempenha um papel fundamental ao transformar a percepção social sobre a deficiência, unindo tratamento terapêutico e expressão cultural. O evento é a culminância de processos que utilizam a arte como dispositivo de humanização e inclusão social. A apresentação fortalece o acesso à cultura e rompe barreiras sociais, permitindo que a comunidade e familiares testemunhem a evolução e o potencial criativo dos reabilitandos”, destacou.
A mostra artística reafirma o compromisso do CIIR com um modelo de cuidado que valoriza potencialidades, promove autonomia e amplia o acesso à cultura. Mais do que apresentações, o evento revela histórias de transformação e reforça o papel da arte como ferramenta de inclusão e desenvolvimento humano.
Referência - O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é referência no Pará em assistência de média e alta complexidade à Pessoa com Deficiência (PcD) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).
Serviço: O CIIR é um órgão do Governo do Pará, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Funciona na Rodovia Arthur Bernardes, nº 1000, Bairro Val-de-Cans, em Belém.
Texto: Ascom/CIIR

