Fundação Santa Casa do Pará realiza 41 transplantes hepáticos desde a sua implantação em 2023
A equipe de transplantes da instituição planeja aumentar o número de cirurgias com a parceria da Central Estadual de Transplantes
Elias Araújo Pinto, 64 anos, autônomo, morador de Belém, fez seu transplante no último sábado, 14. Ele foi o quadragésimo paciente transplantado de fígado, na Santa Casa. Elias diz que não tem palavras para agradecer a família do doador e a equipe da área de transplantes. “O ato dessa família ao doar não tem explicação, entendeu? Foi um ato que me devolveu praticamente a minha vida. Eu estava condenado, né? Esse gesto dessa família terá para sempre a minha gratidão. E o trabalho da equipe da Santa Casa foi excepcional. Minha recuperação está sendo excelente, graças à atenção dos profissionais que aqui atuam”.
“No sábado para o domingo eu estava na UTI, e hoje já estou aqui no apartamento sendo bem cuidado. Eu nunca imaginava que seria assim. Entendo agora a importância da doação de órgãos. E para quem está na fila do transplante é importante aquele pensamento positivo, jamais desistir da vida. E aqui faço um apelo para que as pessoas tenham em mente a importância do gesto da doação de órgãos”, enfatiza Elias Pinto.
Em 2025, a Santa Casa do Pará realizou 16 transplantes hepáticos em pacientes adultos e superou a marca de 30 transplantes realizados desde o início do serviço de transplante de fígado na instituição, consolidando a especialidade no Pará, conforme destaca o responsável técnico do Transplante Hepático da Santa Casa, Rafael Garcia. “Um marco importante estes transplantes e estamos realizando casos mais complexos, o que permite que a população seja atendida sem precisar se deslocar para outros Estados, o que sabemos ser uma barreira importante ao tratamento. Este ano já fizemos nove transplantes, o que totaliza até o momento 41 transplantes”, afirma o cirurgião.
Segundo informações da Central Estadual de Transplantes, a recusa de muitas famílias em doar os órgãos de seus entes falecidos é o principal entrave para o aumento do número de transplantes no Pará e, por isso, o Estado vem reforçando o investimento em campanhas de sensibilização da população e maior capacitação dos profissionais de saúde, como explica o coordenador estadual de Transplantes do Pará, Alfredo Abud.
“No Pará, a gente tem uma taxa de recusa de mais de 60 por cento, ou seja, de cada dez possíveis doadores, seis negam a doação. Para que isso diminua, a gente precisa, com certeza, levar ainda mais as campanhas para a população, mostrando a importância e que o momento do aceite na doação faz toda a diferença, o quanto isso pode ajudar as pessoas que estão em lista. Então esse, sem dúvida, é um desafio para 2026: sensibilizar a população e preparar melhor o profissional de saúde para que a gente possa ter melhores números e reduzir a taxa de recusa”, ressalta o coordenador.
Avanços - Mesmo com o desafio de aumentar a aceitação das doações, o ano de 2025 foi de muitos avanços para o cenário de transplantes no Estado, segundo Alfredo Abud. “Foi um ano em que a gente bateu recorde, principalmente em doação e transplante de órgãos sólidos, falando de fígado e rim para o Estado do Pará, e nós conseguimos realizar captações em hospitais do interior do Estado, que antes nunca tinha acontecido. Realizamos mais de 300 capacitações de médicos habilitados em realizar certificação de diagnóstico de morte encefálica. 2025 foi um ano com balanço bem positivo em relação ao cenário do transplante do Estado”, informa Abud.
Mariza Gemaque e Maria Anunciação foram transplantadas no final de 2025 e são acompanhadas na Santa Casa. Para elas, o transplante de fígado significou uma nova chance de vida, o que só foi possível com a doação de órgãos. “Graças a Deus, estou muito feliz. É o renascimento. Eu vivia com a barriga grande, não podia vestir minhas roupas e agora eu me sinto muito bem, graças a Deus, muito feliz, tanto de aparência como de saúde. E já estou aumentando de peso, porque fiquei muito magra”, conta Maria Anunciação, que aguardou por oito meses na fila de transplantes.
Yasmin Alves, universitária, que acompanha o restabelecimento de seu pai Elias Pinto, é só agradecimentos. “Agradeço muito a família doadora, a preparação da equipe é primordial. Todos muito cuidadosos, a gente ficou impressionada também porque realmente vê de perto todo o processo do que é um transplante, desse pós, que requer muito cuidado e também esse aparato profissional para orientar, para cuidar, e meu pai está sendo muito bem assistido aqui na Santa Casa”, declarou.
“Estou muito contente com o avanço na recuperação dele. Nos cuidados da equipe que está sendo muito prestativa, desde os cirurgiões que fizeram um trabalho assim excelente, até os técnicos de enfermagem, todos muito bem inseridos na causa, excelentes profissionais. Estamos muito gratos por ele estar sendo tratado dessa forma”, diz emocionada Yasmin.
Neste primeiro trimestre de 2026, a equipe de transplantes de fígado da Santa Casa já realizou nove transplantes. A expectativa é dobrar o número de transplantes em relação ao ano de 2025. “Gostaríamos de dobrar o número em relação a 2025, o que é plenamente factível, pois atualmente temos capacidade para realizar mais de 50 transplantes por ano. A nossa única limitação é a doação, que apesar dos avanços dos últimos dois anos, ainda é muito baixa”, informa o cirurgião Rafael Garcia.

