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Usuários do Cetea celebram avanços após conclusão de ciclos terapêuticos

Histórias de evolução marcam nova fase de autonomia e inclusão de pessoas com TEA

Por Ascom Sespa (SESPA)
16/03/2026 13h58

O Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cetea), que integra o complexo assistencial do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém, celebra a conclusão de ciclos terapêuticos de usuários atendidos pelo serviço. Durante o mês de março, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que alcançaram os objetivos definidos em seus planos terapêuticos estão recebendo o certificado de alta qualificada, documento simbólico que marca o encerramento de uma etapa importante dentro do processo de reabilitação, sobretudo, os avanços conquistados por crianças, adolescentes e adultos atendidos no serviço especializado, que oferece acompanhamento multiprofissional a esses usuários.

Transformação significativa

Mãe de Lucas Ribeiro Veríssimo, Betânia Ribeiro relata que o acompanhamento no Cetea representou uma transformação significativa na vida do filho

Mãe de Lucas Ribeiro Veríssimo, de 22 anos, Betânia Ribeiro relata que o acompanhamento no Cetea representou uma transformação significativa na vida do filho, principalmente no desenvolvimento das habilidades sociais.

“Foi uma mudança drástica mesmo. Antes ele tinha muita dificuldade de interagir com as pessoas. Hoje consegue se comunicar melhor, lidar com situações do dia a dia e até ter mais independência”, conta. Para ela, o certificado simboliza um marco importante na trajetória da família e no processo de amadurecimento do filho.

Segundo Betânia, a evolução também trouxe mais autonomia para o jovem. “Antes eu não conseguia deixar ele ir sozinho a alguns lugares. Hoje ele faz faculdade de Artes Visuais e treina artes marciais. Agora tem uma habilidade social que não tinha”, acrescenta.

Agnes Machado, de sete anos, usuária do Cetea, junto aos profissionais do centro

Outra história celebrada nesta semana é a de Agnes Machado, de sete anos. A mãe, Rafaella Pinto, lembra que o início do processo exigiu paciência e dedicação, mas os resultados trouxeram alegria para toda a família.

Segundo a mãe da usuária, Agnes iniciou as terapias em 2023, no Núcleo de Atendimento Transtorno do Espectro Autista (Natea), localizado no CIIR, e sempre foi muito bem assistida e acolhida pela equipe. “Quando mudamos para o Cetea, em 2024, fiquei receosa no início, com a logística e adaptação, mas desde sempre a equipe foi receptiva. Ao longo desses dois anos realizaram um excelente trabalho com minha filha, que visivelmente foi evoluindo e amadurecendo, alcançando marcos importantes dentro das suas especificidades”, relata.

Agnes possui diagnóstico de TEA suporte 1, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e altas habilidades. “Ter a oportunidade de realizar o tratamento dela no Cetea foi maravilhoso pela dedicação dos profissionais e pelo suporte parental oferecido nos treinos. Isso contribuiu muito para que hoje ela recebesse essa alta, pronta para novos desafios em sua vida”, afirma.

Segurança para as famílias

Sâmilly Batista, coordenadora assistencial do Cetea, explica que o processo de preparação para o encerramento dos ciclos é construído ao longo de todo o acompanhamento terapêutico

A coordenadora assistencial do Cetea, Sâmilly Batista, explica que o processo de preparação para a alta é construído ao longo de todo o acompanhamento terapêutico. A previsão é de que 45 usuários recebam a alta qualificada neste ciclo de avaliação.

“O planejamento terapêutico é constantemente avaliado pela equipe multiprofissional. À medida que os objetivos são alcançados, trabalhamos também a preparação das famílias para esse momento, garantindo segurança e previsibilidade ao processo”, explica.

Cada ciclo de intervenção tem duração média de seis meses e inclui estratégias terapêuticas individualizadas, além de orientações e treinos parentais voltados aos familiares.

Segundo a terapeuta ocupacional Taila Bastos, a entrega do certificado também representa o reconhecimento do esforço das famílias durante todo o processo. “Muitas vezes os responsáveis reorganizam toda a rotina para garantir a participação nas terapias. Ver os avanços alcançados e reconhecer esse percurso é algo muito significativo para todos os envolvidos”, afirma.

Taila Bastos, terapeuta ocupacional (segunda, da direita para esquerda na foto), a entrega do certificado também representa o reconhecimento do esforço das famílias durante todo o processo

Continuidade do cuidado

Sâmilly Batista também explica que o Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha o indivíduo ao longo da vida. “No contexto da reabilitação, o foco do cuidado está no desenvolvimento de habilidades, na promoção da autonomia e no fortalecimento das famílias, respeitando sempre as características e necessidades de cada pessoa”, detalha.

Nesse sentido, a alta terapêutica representa a conclusão de um ciclo de intervenção após o alcance dos objetivos estabelecidos no Plano Terapêutico Singular (PTS). “Esse momento indica que os ganhos planejados para aquela etapa foram atingidos, possibilitando a readequação das intensidades de acompanhamento conforme as necessidades de cada usuário”, continua a coordenadora.

A proposta de reconhecer publicamente esses avanços foi discutida e aprovada no âmbito do Conselho Consultivo de Usuários e Familiares do CIIR, espaço participativo que se reúne mensalmente e conta com representantes de usuários e familiares das diferentes linhas de reabilitação da instituição. Sâmilly ainda conta que a iniciativa surgiu a partir da escuta dessas famílias, “que destacaram a importância de valorizar as conquistas alcançadas ao longo do processo terapêutico”.

Além de marcar a conclusão de uma etapa importante, a entrega do certificado reforça o impacto do trabalho desenvolvido pela equipe multiprofissional do Cetea, que mantém índice médio de satisfação de 97,10% entre os usuários, segundo levantamento do Serviço de Atenção ao Usuário (SAU).

No CIIR, a alta terapêutica não representa o fim do cuidado, mas a conclusão de um ciclo dentro do processo de reabilitação. A partir desse momento, as famílias seguem orientadas quanto à manutenção das habilidades desenvolvidas e aos caminhos de continuidade do cuidado na rede de saúde, garantindo suporte e acompanhamento conforme as necessidades de cada usuário.

Referência – O CIIR é referência no Pará em assistência de média e alta complexidade às Pessoas com Deficiência (PcDs) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).

Serviço:

O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é um órgão do governo do Pará administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Funciona na Rodovia Arthur Bernardes nº 1000, em Belém. Já o Cetea funciona na Rua Presidente Pernambuco, nº 489, bairro Batista Campos, também em Belém.

Texto: Ascom/CIIR