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Piano histórico da Fundação Cultural do Pará volta à atividade no Margarida Schivasappa 

Instrumento Steinway modelo D, fabricado na Alemanha na década de 1960, foi restaurado e volta a integrar a programação do teatro no prédio da FCP em Belém

Por Aycha Nunes (FCP)
13/03/2026 08h00

Um dos instrumentos mais emblemáticos do acervo da Fundação Cultural do Pará (FCP) volta à atividade após passar por um processo completo de restauração que durou cerca de nove meses. Trata-se de um piano de cauda Steinway modelo D, fabricado em Hamburgo, na Alemanha, na década de 1960, considerado um dos modelos mais prestigiados do mundo para concertos. 

De volta a Belém, o piano será apresentado na noite da próxima sexta-feira, 13, no teatro Margarida Schivasappa, durante programação especial que celebra o aniversário de 40 anos da FCP com apresentações de pianistas paraenses e show do cantor e pianista Flávio Venturini.

“Este piano que volta para Belém é um instrumento valiosíssimo para a FCP e não merece ficar apenas em exposição. Restaurado, ele vai abrilhantar as atividades do nosso Teatro Margarida Schivasappa, e continuará fazendo história no lugar que ele merece que é o palco. Por isso, preparamos essa programação especial que é um presente para artistas e para o público paraense”, comentou o presidente da FCP, Thiago Miranda. 

 O trabalho de restauração do piano foi conduzido pelo técnico restaurador de pianos, Rogério Resende, fundador da Casa do Piano e do Museu Nacional do Piano, em Brasília (DF), sem  ônus para o Estado, uma vez que a FCP realizou a doação de um piano acústico Yamaha considerado inservível, ou seja, sem possibilidade de restauração para uso adequado. 

Sobre o piano doado, Thiago Miranda ressalta a finalidade social do ato “A doação, além da finalidade social, vai ao encontro do interesse público, já que o instrumento doado passou a compor o acervo do Museu do Piano, preservando assim a sua história e com possibilidade de visita da comunidade”, destaca o presidente da FCP, Thiago Miranda. 

Para o diretor do Teatro Margarida Schivasappa, Olivar Barreto, a recuperação do instrumento representa um ganho importante para a programação cultural do espaço. “O piano estava no quarto andar, bonito para as pessoas verem, mas sem uso. Um instrumento desse porte parado acaba sendo um desperdício para o Estado. Com um piano desse nível, a gente aumenta a qualidade artística da casa e tem capacidade de realizar espetáculos ainda mais qualificados. É uma satisfação ver um bem público restaurado e disponível para os artistas e para a população. É um legado que fica”, destacou.

Restauro - Para realizar a restauração, o piano foi transportado para a oficina de Rogério Resende, em Brasília, onde foi totalmente desmontado. O instrumento tem cerca de 12 mil peças, todas analisadas durante o processo.

Segundo o restaurador, o trabalho exigiu dedicação intensa e um olhar técnico cuidadoso para recuperar a estrutura e a sonoridade original do instrumento. “Eu faço uma analogia com uma gestação humana. O ser humano nasce, o piano renasce. Foram nove meses de trabalho para que ele voltasse à sua melhor condição”, afirmou.

Entre os principais elementos restaurados, estão a tábua harmônica, considerada a “alma do piano”, além de cordas, martelos, cravelhas, bordões e outros mecanismos internos responsáveis pela produção sonora. O quadro metálico do instrumento, estrutura responsável por sustentar a tensão das cordas, que pode chegar a cerca de 22 toneladas de pressão, também recebeu atenção especial durante o processo.

Algumas peças foram importadas da Alemanha para preservar as características originais do instrumento, enquanto outras foram fabricadas manualmente pelo próprio restaurador, sob medida.

Outro cuidado durante o restauro foi manter o máximo possível das peças originais do piano. O teclado, por exemplo, foi recuperado e polido, mesmo apresentando desgaste e coloração amarelada ao longo do tempo. “Restaurar é preservar aquilo que pode ser preservado. Se fosse apenas trocar todas as peças, não seria uma restauração. O mais importante para mim é vê-lo novamente em funcionamento e participando da vida cultural”, concluiu Rogério Resende.

O acabamento externo também foi renovado com aplicação de uma laca especial conhecida como “preto Cadillac”, utilizada em pianos de alto padrão.

A pianista e professora Glória Caputo tem uma relação histórica com o instrumento. Segundo ela, o piano chegou ao Pará em 1967 e foi inicialmente destinado ao Teatro da Paz. Na época, Glória Caputo foi convidada para participar da primeira apresentação no instrumento, ao lado da pianista paraense Luísa Camargo. “Quando fiquei sabendo da possibilidade de recuperação desse piano, fiquei muito empolgada, porque ele tem uma história comigo. Eu fui chamada para tocar na inauguração dele, quando chegou da Alemanha”, relembrou.

Glória Caputo recordou que a apresentação ocorreu de modo informal, antes da inauguração oficial, que posteriormente contou com a presença do pianista Arthur Moreira Lima. Para a musicista, ver o instrumento restaurado representa a preservação de uma importante parte da história musical paraense. “O futuro dele poderia ser a lixeira. Hoje é um prazer enorme ver este piano recuperado”, destacou.

Com a restauração concluída, o piano volta a ser utilizado em apresentações musicais e atividades culturais promovidas pela Fundação Cultural do Pará.

Show nesta sexta-feira (13)

No teatro Margarida Schivasappa, a programação de aniversário da FCP inicia às 19h30 com apresentações dos pianistas  Andres Costa (Scherzo n°2 Sib menor, op. 31), José Corrêa (The Voyage - José Corrêa), Duo Azulay Adriana e Humberto (Clair de Lune - Debussy), Robenare Marques (Macapá -  Nego Nelson) e Paulo José part. Olivar Barreto (Mesa de Bar - Paulo André Barata). A noite se encerra com show de Flávio Venturini e orquestra.

A apresentação é gratuita, mediante retirada de ingresso na bilheteria, a partir de 18h de sexta-feira. Será permitida a retirada de um ingresso por pessoa. 

Serviço:

Entrega do piano de cauda Steinway e show do cantor e pianista, Flávio Venturini e orquestra –
Dia: 13 de março
Hora: 19h30
Local: Teatro Margarida Schivasappa
Entrada gratuita mediante a retirada de ingresso na bilheteria do teatro a partir de 18h
Será permitida a retirada de um ingresso por pessoa.